A razão deste bloqueio tem a ver com alegadas "difamações" de um criacionista islâmico turco, cujo nome não vou escrever sob pena de também poder ser alvo de bloqueio.
19 agosto 2007
Bloqueado o acesso à plataforma WordPress.com na Turquia
A razão deste bloqueio tem a ver com alegadas "difamações" de um criacionista islâmico turco, cujo nome não vou escrever sob pena de também poder ser alvo de bloqueio.
A eleição presidencial e a mulher de Gül
Imaginem um país em que um jornal oferece um poster de Kemal Atatürk, o fundador do regime republicano-laico sobre o qual assenta a Turquia moderna. Dá para perceber a veneração que os turcos sentem por esse político excêntrico, mulherengo e alcoólico que era Atatürk, que morreu em 1938 com 53 anos. Atatürk foi o inspirador de um avançado projecto de secularização e ocidentalização que impôs uma revolução de costumes na sociedade turca. Pôs os turcos a vestirem-se à ocidental - botas, calças e chapéu -, baniu o véu islâmico e lutou por uma Turquia livre do espírito do Islão. As mulheres que adquiriram sob o regime de Atatürk uma relativa igualdade de direitos, sabem o que lhe devem.Não admira que no centro desta eleição presidencial não estejam só Abdulah Gül e Recep Erdoğan mas também a mulher do primeiro, Hayrunisa Gül, de 42 anos, que não irá prescindir do véu se o marido se tornar presidente. No passado ela chegou a apelar ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem para poder usar o véu numa universidade turca. A oposição secularista não aceita que esta activista do véu se torne na primeira mulher de um presidente turco. O presidente em funções, Ahmet Sezer, já disse que não a tenciona convidar para a tomada de posse. E, quando Gül ainda não tinha sido confirmado pelo AKP, quer o CHP quer a oposição esquerdista do DSP anunciaram que apoiariam a candidatura do ministro do Trabalho, Murat Başesgioğlu, cuja mulher não usa véu. Hayrusina Gül parece querer modernizar o véu, com a ajuda de estilistas de moda. Mas o símbolo do véu tem servido de mote para condenar a candidatura do marido. Não por acaso, Erdoğan veio citar o exemplo da mulher do próprio Atatürk, Latife Hamas, que num período da sua vida também envergou o véu. O CHP repudiou a comparação e alguns historiadores desmentiram o primeiro-ministro: a mulher de Ataturk nunca usou o véu durante o tempo em que esteve casada, nem depois de se divorciar. Mas Erdogğn estuda cada sua intervenção com minúcia: a sua base social de apoio compõe-se de grandes proprietários islâmicos da Anatólia, mas também das classes urbanas que parecem dispostas a aceitar Gül, desde que isso não ponha em causa o secularismo do Estado turco. Um inquérito realizado há uns anos colocou a questão do véu no oitavo lugar das preocupações centrais dos turcos. Como diziam alguns comentadores, os turcos querem sobretudo estabilidade, reformas e crescimento. Para outros, Gül na presidência da Turquia até pode ser o sonho cumprido de Atatürk. Quando Gül promete manter-se fiel à Constituição e à herança secular, adopta o discurso conciliador que as circunstâncias exigem. Também aqui há a Turquia dos jornais e a Turquia das ruas.
18 agosto 2007
Sequestro de avião turco acabou com a rendição dos dois sequestradores
Segundo as autoridades turcas, a intenção dos dois sequestradores — um Turco e um Sírio — era desviar o aparelho para o Irão ou para a Síria. Os dois homens ameaçaram fazer rebentar uma bomba no aparelho da companhia aérea privada turca Atlas Jet, que fazia a ligação entre o norte de Chipre e Istambul, na Turquia.
Pouco tempo depois do avião ter aterrado no aeroporto de Antália, a maioria dos passageiros conseguiu escapar pela parte de trás do avião. "Os piratas não puderam fazer nada porque estavam na parte da frente do aparelho. Eles disseram que pertenciam à Al-Qaeda", relatou um dos passageiros ao canal NTV. As autoridades negociaram depois a libertação de um pequeno grupo de passageiros e da tripulação.
17 agosto 2007
Ali Ağca foi transferido para uma prisão em Ancara
Ağca, de 49 anos, foi para a prisão de Istambul em 2000 quando foi extraditado de Itália, onde esteve preso 19 anos. Ağca tinha pedido às autoridades para o levarem para a prisão da cidade de Malatya (leste), onde vive a sua família, mas só conseguiu transferência para Ancara, a 700 quilómetros a noroeste da sua cidade natal.
Ağca já tinha processos contra si por assassinato no seu país quando atentou contra a vida do papa na praça de São Pedro em Roma no dia 13 de Maio de 1981. Os motivos do ataque ainda são considerados mistério e as hipóteses de que a União Soviética e a Bulgária estiveram por trás do atentado nunca foram comprovadas.
16 agosto 2007
Presidente da Turquia não aprovou o novo gabinete do primeiro-ministro
Erdoğan afirmou que a atitude do presidente Ahmet Necdet Sezer foi "bastante positiva", e que a atitude deve ser encarada como uma cortesia ao sucessor.
Sezer é um secularista convicto, crítico do partido AKP, de Erdoğan, que tem raízes islamitas, tendo vetado várias vezes as suas leis e nomeações. Deverá aposentar-se quando o Parlamento turco eleger o seu sucessor, ainda durante este mês.
Erdoğan afirmou que ficou surpreso com a decisão do presidente, mas deixou claro não guardar mágoas.
O AKP indicou como candidato o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abdullah Gül, que deve conquistar a presidência no final da terceira ronda de votações, no dia 28 de Agosto, quando precisará apenas da maioria simples.
Ancara cancela visita do arcebispo de Chipre
A visita já tinha sido cancelada pelo governo turco em Maio passado.
Com essa decisão, "o governo de Ancara mostrou a sua verdadeira face", disse o arcebispo Chrysostomos, que também anunciou a sua intenção de enviar uma carta à Santa Sé e ao Conselho Mundial das Igrejas, para notificar sobre o ocorrido. Espera assim "sensibilizar a comunidade internacional sobre a não confiabilidade do governo turco em termos de direitos".
(Fonte: Rádio Vaticano)
Erdoğan apresenta hoje o novo Governo ao presidente da República
Sezer encarregou Erdoğan de formar um novo Executivo após a vitória, com maioria absoluta, do partido AKP nas eleições legislativas de 22 de Julho.
Erdoğan manifestou-se convicto que o chefe de Estado não vetará nenhum dos nomes propostos, apesar de tal já ter acontecido no passado.
No centro das atenções está a pasta dos Negócios Estrangeiros, cujo anterior titular, Abdullah Gül, anunciou esta semana a sua candidatura à presidência da República.
15 agosto 2007
Gül defende o direito ao uso do véu islâmico
A elite secular turca, incluindo os generais, opõe-se à tentativa de Gül de concorrer ao posto mais alto da nação devido ao seu passado islâmico e ao fato da sua mulher, Hayrunisa, usar o véu islâmico.
O véu, visto por secularistas como uma ameaça à separação entre Estado e religião, é proibido em locais públicos e escolas, apesar de mais de metade das mulheres turcas o usar.
Questionado se o Exército pode levantar objecções sobre o véu, Gül respondeu aos jornalistas: "A Turquia é um país governado por leis [...]. A Constituição garante os direitos humanos básicos, incluindo o direito de cada um se vestir como quiser".
Gül também prometeu agir como um chefe de Estado imparcial. "O presidente deve manter distâncias iguais e observar o princípio da imparcialidade", disse Gül depois de procurar apoio para a sua candidatura entre líderes empresariais e sindicatos.
O Parlamento da Turquia vai realizar uma série de votações, com início na próxima semana, para a eleição presidencial.
Gül deve ganhar no terceiro turno, em 28 de Agosto, quando precisar de uma maioria simples entre os 550 membros do Parlamento, onde o seu partido, AKP, detém 341 assentos.
14 agosto 2007
Gül compromete-se a defender a laicidade do Estado
O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia, Abdullah Gül, formalizou hoje a sua candidatura à presidência da República, comprometendo-se a defender a laicidade do Estado, mas a oposição já contestou a iniciativa dos islamitas.
Fortalecido pela vitória alcançada nas legislativas do mês passado, o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), decidiu manter a candidatura de Gül à chefia de Estado, numa eleição prevista para o final deste mês no Parlamento de Ancara. A insistência representa um desafio à oposição laica e ao Exército, que na Primavera passada se opuseram à escolha de um islamita para a mais alta magistratura da nação. O boicote da oposição no Parlamento conseguiu mesmo evitar a eleição de Gül, por falta de quórum, o que levou o AKP a procurar nas urnas a legitimidade para enfrentar os sectores laicos. “O reforço e a defesa dos valores republicanos estipulados na Constituição serão a minha principal prioridade”, afirmou Abdullah Gül na apresentação da candidatura, antes de acrescentar: “Farei tudo o que for necessário para defender a laicidade e penso que ninguém deverá preocupar-se com esse assunto”.
Apesar de 99 por cento da sua população ser muçulmana, a Constituição da Turquia estipula a separação entre Estado e religião, atribuindo ao Exército o papel de defensor do laicismo estatal. A escolha de Gul foi por isso vista com maus olhos pela oposição, dominada pela elite laica, que não se cansa de lembrar que a mulher do antigo ministro surge em público envergando o véu islâmico, proibido nas instituições públicas e considerado um símbolo ostensivo do islamismo. Sinal desse incómodo é a recusa da liderança do principal partido da oposição, os sociais-democratas do CHP, em receber Gül, até agora o único candidato oficial à presidência. Ainda assim, o antigo ministro reuniu-se com outros dirigentes políticos, numa tentativa para conseguir apoios. Apesar de não ter dificuldades em ser eleito – o AKP detém maioria absoluta no Parlamento, o necessário para uma eleição à terceira votação – Gül sabe que necessita de um apoio mais abrangente para garantir legitimidade fora dos meios islamitas, como ficou claro em Abril e Maio, quando a oposição conseguiu reunir centenas de milhares de pessoas nas ruas em defesa da laicidade.
(Fonte: Público)
O regresso da Turquia
Os europeus que ignoram ou desvalorizam a importância política da Turquia cometem um grave erro. Primeiro, por uma razão que é normalmente ignorada sempre que se fala do país na maior parte das capitais europeias. Longe dos nossos olhares, a economia turca tem vido a crescer consistentemente acima dos cinco por cento durante os últimos anos. Este crescimento transformou a Turquia na maior e mais dinâmica economia muçulmana e garantiu a entrada do país no grupo das vinte maiores economias mundiais. Este crescimento não está assegurado, é certo, mas a Turquia já é hoje a maior economia no Mediterrâneo oriental, Médio-Oriente e Cáucaso. A ascensão da economia turca tem sido silenciosa mas não pode continuar a ser ignorada.
Acima de tudo, e este é o segundo ponto que é crucial reter, porque um crescimento económico deste tipo não deixará de ter importantes consequências políticas no relacionamento da Turquia com os seus vizinhos. Aqui, as últimas décadas não são um bom guia para o que aí vem. O colapso do império otomano, a fundação da Turquia, a influência de ingleses e franceses no Médio-Oriente, a Guerra Fria e a ascensão regional dos EUA contribuíram para diminuir drasticamente o papel político internacional de Ancara. As importantes mudanças que estão a actualmente a decorrer no xadrez político regional são uma enorme oportunidade para a Turquia voltar a desempenhar o seu papel histórico.
Por Miguel Monjardino in Expresso
AKP mantém Gül como candidato à presidência da República
13 agosto 2007
Colisão de duas embarcações ao largo de Istambul
As autoridades dizem que o incidente não fez vítimas mortais nem feridos muito graves e que não afectou o tráfego no Estreito do Bósforo, importante ponto de passagem de petroleiros internacionais.
Os dois estreitos constituem a principal rota para os navios ucranianos e russos chegarem ao Oceano Atlântico através do Mar Mediterrâneo e são as águas com maior tráfego em todo o mundo.
Os esforços da Turquia para melhor regulamentar e limitar o tráfego no Bósforo e Dardanelos, têm sido gorados ao longo dos anos devido à oposição dos países que fazem fronteira com o Mar Negro e cuja principal rota comercial é a marítima.
12 agosto 2007
Regresso
Irei publicando as notícias mais importantes que marcaram a actualidade da Turquia durante o período em que este blogue esteve de férias.
Assim sendo, e para a consulta ser mais fácil e organizada, pode encontrá-las abaixo deste post na data correspondente.
08 agosto 2007
Permanecem as dúvidas sobre o candidato presidencial do AKP
Segundo a imprensa turca, Erdoğan deseja que o último candidato por si apresentado às presidenciais turcas, o chefe da diplomacia de Ancara, Abdullah Gül, se retire da corrida presidencial para evitar de novo tensões com os laicos.
A candidatura às presidenciais de Abdullah Gül, ex-islamita cuja mulher usa véu islâmico, esteve na origem da grave crise institucional da Primavera entre o Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP, saído do movimento islamita) e o campo pró-laico. A crise política originou a antecipação das eleições legislativas para 22 de Julho último.
Durante a crise, o Exército turco lançou um aviso ao Governo contra qualquer tentativa de pôr em causa o secularismo do país e milhões de turcos saíram à rua para demonstrar a recusa de ter um chefe de Estado cuja mulher usa véu.
Três dias depois das eleições de 22 de Julho, nas quais o AKP obteve uma esmagadora maioria (341 dos 550 deputados da Assembleia Nacional), Gül deu a entender que se mantinha na corrida presidencial, alegando o apoio popular dado ao AKP a 22 de Julho.
"Gül presidente" foi um dos slogans da campanha do AKP. A eleição do novo chefe de Estado da Turquia deverá realizar-se no final deste mês.
Apesar de não dispor de dois terços dos votos na Assembleia Nacional
necessários para a eleição do Presidente nas primeiras duas votações, o AKP deverá eleger sem problemas o candidato que apresentar na terceira votação, durante a qual 276 votos são suficientes.
(Fonte: O Primeiro de Janeiro)
06 agosto 2007
Sezer pede a formação de novo governo
O presidente da Turquia, Necdet Ahmet Sezer, pediu hoje ao primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdoğan, para formar um novo governo. O pedido aconteceu dois dias depois da posse do novo Parlamento. Erdoğan tem 45 dias para apresentar uma lista de ministros para a aprovação de Sezer. O Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), de Erdoğan, com raízes no movimento islâmico da Turquia, conquistou 341 das 550 cadeiras do Parlamento nas últimas eleições. Erdoğan renunciou de imediato para permitir que o presidente lhe solicitasse a formação de um novo governo.
04 agosto 2007
O novo Parlamento tomou posse
No início da cerimónia, o presidente provisório do Parlamento, Şukru Elekdağ, do oposicionista Partido Republicano do Povo (CHP), disse que Erdoğan deveria agir com bom senso a fim de evitar a polarização política."Desenvolver uma política para proteger valores seculares e democráticos ajudará o país no seu objectivo de alcançar o nível contemporâneo de civilização", afirmou Elekdağ. O seu partido e os militares fortemente seculares do país têm sublinhado nos últimos dias que o próximo presidente, que será eleito pelo Parlamento ainda este mês, deve defender sinceramente o secularismo. O Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), de Erdoğan, detém 341 das 550 cadeiras do actual parlamento, 10 a menos do que no anterior, mas ainda com uma maioria folgada. O presidente Ahmet Necdet Sezer deverá pedir na segunda-feira a Erdoğan para formar um novo governo. O partido da oposição, o Partido Republicano do Povo (CHP), terá 99 cadeiras. O Partido do Movimento Nacionalista (MHP), de extrema direita, retornou ao parlamento com 70 deputados, depois de cinco anos de ausência. O centro-esquerdista Partido Democrático de Esquerda conquistou 13 cadeiras (DSP). Um renovado partido curdo, o Partido da Sociedade Democrática (DTP), ficou com 21 assentos. Para muitos Curdos, o novo Parlamento marca uma nova era na sua luta por mais direitos. Mas muitos Turcos temem que a agremiação curda seja influenciada pelo ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), considerado terrorista pelos Estados Unidos e União Europeia e que luta pela formação de um Estado curdo independente. É a primeira vez que o grupo é representado no Parlamento desde a sua expulsão em 1994 por supostos laços com rebeldes separatistas curdos. Líderes do partido prometeram não provocar tumultos na cerimónia de posse, como fizeram os seus antecessores. Mas um deputado do partido, Ahmet Türk, numa entrevista à televisão turca, recusou-se a considerar o PKK uma organização terrorista, alegando que isso iria contra seu papel de procurar a paz. Todos os partidos no Parlamento recusam uma cooperaração com os deputados curdos enquanto eles não denunciarem o PKK como um grupo terrorista.










