14 agosto 2007
AKP mantém Gül como candidato à presidência da República
13 agosto 2007
Colisão de duas embarcações ao largo de Istambul
As autoridades dizem que o incidente não fez vítimas mortais nem feridos muito graves e que não afectou o tráfego no Estreito do Bósforo, importante ponto de passagem de petroleiros internacionais.
Os dois estreitos constituem a principal rota para os navios ucranianos e russos chegarem ao Oceano Atlântico através do Mar Mediterrâneo e são as águas com maior tráfego em todo o mundo.
Os esforços da Turquia para melhor regulamentar e limitar o tráfego no Bósforo e Dardanelos, têm sido gorados ao longo dos anos devido à oposição dos países que fazem fronteira com o Mar Negro e cuja principal rota comercial é a marítima.
12 agosto 2007
Regresso
Irei publicando as notícias mais importantes que marcaram a actualidade da Turquia durante o período em que este blogue esteve de férias.
Assim sendo, e para a consulta ser mais fácil e organizada, pode encontrá-las abaixo deste post na data correspondente.
08 agosto 2007
Permanecem as dúvidas sobre o candidato presidencial do AKP
Segundo a imprensa turca, Erdoğan deseja que o último candidato por si apresentado às presidenciais turcas, o chefe da diplomacia de Ancara, Abdullah Gül, se retire da corrida presidencial para evitar de novo tensões com os laicos.
A candidatura às presidenciais de Abdullah Gül, ex-islamita cuja mulher usa véu islâmico, esteve na origem da grave crise institucional da Primavera entre o Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP, saído do movimento islamita) e o campo pró-laico. A crise política originou a antecipação das eleições legislativas para 22 de Julho último.
Durante a crise, o Exército turco lançou um aviso ao Governo contra qualquer tentativa de pôr em causa o secularismo do país e milhões de turcos saíram à rua para demonstrar a recusa de ter um chefe de Estado cuja mulher usa véu.
Três dias depois das eleições de 22 de Julho, nas quais o AKP obteve uma esmagadora maioria (341 dos 550 deputados da Assembleia Nacional), Gül deu a entender que se mantinha na corrida presidencial, alegando o apoio popular dado ao AKP a 22 de Julho.
"Gül presidente" foi um dos slogans da campanha do AKP. A eleição do novo chefe de Estado da Turquia deverá realizar-se no final deste mês.
Apesar de não dispor de dois terços dos votos na Assembleia Nacional
necessários para a eleição do Presidente nas primeiras duas votações, o AKP deverá eleger sem problemas o candidato que apresentar na terceira votação, durante a qual 276 votos são suficientes.
(Fonte: O Primeiro de Janeiro)
06 agosto 2007
Sezer pede a formação de novo governo
O presidente da Turquia, Necdet Ahmet Sezer, pediu hoje ao primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdoğan, para formar um novo governo. O pedido aconteceu dois dias depois da posse do novo Parlamento. Erdoğan tem 45 dias para apresentar uma lista de ministros para a aprovação de Sezer. O Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), de Erdoğan, com raízes no movimento islâmico da Turquia, conquistou 341 das 550 cadeiras do Parlamento nas últimas eleições. Erdoğan renunciou de imediato para permitir que o presidente lhe solicitasse a formação de um novo governo.
04 agosto 2007
O novo Parlamento tomou posse
No início da cerimónia, o presidente provisório do Parlamento, Şukru Elekdağ, do oposicionista Partido Republicano do Povo (CHP), disse que Erdoğan deveria agir com bom senso a fim de evitar a polarização política."Desenvolver uma política para proteger valores seculares e democráticos ajudará o país no seu objectivo de alcançar o nível contemporâneo de civilização", afirmou Elekdağ. O seu partido e os militares fortemente seculares do país têm sublinhado nos últimos dias que o próximo presidente, que será eleito pelo Parlamento ainda este mês, deve defender sinceramente o secularismo. O Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), de Erdoğan, detém 341 das 550 cadeiras do actual parlamento, 10 a menos do que no anterior, mas ainda com uma maioria folgada. O presidente Ahmet Necdet Sezer deverá pedir na segunda-feira a Erdoğan para formar um novo governo. O partido da oposição, o Partido Republicano do Povo (CHP), terá 99 cadeiras. O Partido do Movimento Nacionalista (MHP), de extrema direita, retornou ao parlamento com 70 deputados, depois de cinco anos de ausência. O centro-esquerdista Partido Democrático de Esquerda conquistou 13 cadeiras (DSP). Um renovado partido curdo, o Partido da Sociedade Democrática (DTP), ficou com 21 assentos. Para muitos Curdos, o novo Parlamento marca uma nova era na sua luta por mais direitos. Mas muitos Turcos temem que a agremiação curda seja influenciada pelo ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), considerado terrorista pelos Estados Unidos e União Europeia e que luta pela formação de um Estado curdo independente. É a primeira vez que o grupo é representado no Parlamento desde a sua expulsão em 1994 por supostos laços com rebeldes separatistas curdos. Líderes do partido prometeram não provocar tumultos na cerimónia de posse, como fizeram os seus antecessores. Mas um deputado do partido, Ahmet Türk, numa entrevista à televisão turca, recusou-se a considerar o PKK uma organização terrorista, alegando que isso iria contra seu papel de procurar a paz. Todos os partidos no Parlamento recusam uma cooperaração com os deputados curdos enquanto eles não denunciarem o PKK como um grupo terrorista.
01 agosto 2007
Começaram hoje os cortes de água em Ancara
Em Ancara começou hoje o racionamento de água ordenado pela Câmara Municipal, e cada freguesia da capital, de forma alternada, disporá de dois dias de água e dois dias sem água durante os próximos cinco meses.
Após a divulgação do plano, o preço do garrafão de água potável de 5 litros aumentou 40% na última semana.
O nível dos reservatórios que abastecem Ancara é de 4,8%, enquanto em Istambul é de 28%, quantidade de água que os especialistas consideram suficientes apenas para os próximos três meses.
Caso não sejam registradas chuvas, Istambul deverá adoptar as mesmas medidas de Ancara.
Os especialistas criticam a demora do Governo e Municípios nas aplicação de restrições ao uso de água, algo que atribuem às eleições legislativas realizadas em Julho.
"Não só este Governo, mas também os anteriores fracassaram ao investir no sector energético durante os últimos 20 anos e, por outro lado, perderam tempo a falar vagamente sobre a energia nuclear", criticou o membro da Câmara de Engenheiros Eléctricos de Ancara, Cengiz Göltas, em declarações ao jornal Milliyet.
Outro dos problemas enfrentados na Turquia por causa da seca é o risco de uma crise energética por causa da dependência da eletricidade de procedência hídrica e do rápido aumento no consumo.
As primeiras províncias afectadas pelo corte de electricidade foram Denizli, Isparta e Antália, situadas nas regiões Egea e Mediterrânea, todas com grande volume turístico.
A produção eléctrica das represas dos rios Tigre e Kızılırmak, dois dos maiores da Turquia, registrou um total de 49% e 20%, respectivamente, o que representa uma perda de 12% da produtividade com relação ao ano passado.
O Governo turco prometeu a construção de novas represas e recentemente aprovou uma lei que permitirá pela primeira vez a abertura de fábricas nucleares no país.
Outra das soluções estudadas é a privatização da gestão de rios e lagos por um período de 29 a 49 anos.
Os concursos para as privatizações, que estarão abertos a investidores estrangeiros, incluirão um total de 12 ou 13 rios entre os quais estão o Tigre, o Eufrates e o Kızılırmak.
O aumento global das temperaturas e um ano com poucas chuvas são apontados como razões para a grave seca, embora alguns especialistas a atribuam ao mau uso dos recursos hídricos.
"O aquecimento global implica um aumento das precipitações. Se na Turquia vivemos uma seca não é culpa do clima e sim da falta de conhecimento ao usar a água", disse o professor de Ciências do Mar da Universidade de Izmir, Doğan Yaşar, em declarações publicadas na edição de hoje do jornal Sabah.
(Fonte: EFE)
31 julho 2007
EUA preparam operação contra os rebeldes curdos da Turquia
Há meses que o Exército da Turquia anda a ameaçar invadir militarmente o Norte do Iraque para combater os rebeldes do PKK. Estes preparam ataques a alvos turcos com o apoio dos Curdos iraquianos, que por sua vez são aliados dos EUA. O próprio primeiro-ministro turco, o islamita moderado Recep Erdoğan, sugeriu uma eventual incursão contra os Curdos no Iraque antes da sua reeleição nas legislativas do dia 22. "Esperamos não ter de fazê-lo. Esperamos que os nossos aliados comecem a fazer alguma coisa, mas caso não façam não temos escolha. Os nossos aliados devem ajudar-nos com esta ameaça, que é clara e presente", afirmou o conselheiro de Erdoğan para a política externa, Egemen Bağış, citado pelo Sunday Telegraph. Ancara vive alarmada com o exemplo iraquiano, ou seja, o desenvolvimento de uma entidade autónoma curda dentro do Iraque, possível graças ao derrube do regime de Saddam Hussein em 2003. À medida que o poder dos Curdos cresce dentro do Iraque, lembra Novak, a Turquia teme o regresso da antiga ideia de criar um Curdistão. Isto implicaria perder o controlo sobre algumas zonas do seu país, uma vez que os Curdos se encontram espalhados pela Turquia, Iraque, Irão, Síria, Azerbaijão e Arménia.
A Turquia conta com 20 milhões de Curdos em 70 milhões de habitantes. Nas últimas três décadas a guerra com o PKK matou 40 mil Turcos, tendo 76 soldados morrido este ano. A questão curda tem sido um dos argumentos usados pelo Presidente da França, Nicolas Sarkozy, para rejeitar a adesão da Turquia à UE. "Ninguém na Europa quer um problema chamado Curdistão", disse em Maio, num debate televisivo. Neste momento a Turquia tem 250 mil militares bem treinados na fronteira com o Iraque, e o PKK quatro mil rebeldes escondidos nas montanhas do Norte desse país. Qualquer intervenção turca em território iraquiano levaria o Governo regional do Curdistão a alinhar com o PKK , o pior pesadelo dos EUA. É por isso que estão a preparar uma operação enconberta para evitar um confronto de consequências desastrosas entre dois aliados seus. A intervenção, revelada a um grupo restrito de senadores americanos, na semana passada, em Capitol Hill, prevê a captura dos líderes do PKK. O briefing foi feito por um ex-assessor de Cheney, Eric Edelman, actualmente subsecretário para a polícia de defesa americana.
25 julho 2007
Irão considera a vitória do AKP na Turquia um "despertar islâmico"
O Irão felicitou o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP) pela vitória nas eleições de Domingo, que considerou um "sinal do despertar islâmico no mundo todo".
O presidente do Parlamento iraniano, Gholamali Haddad Adel, afirmou que nestas eleições "os muçulmanos da Turquia deram um voto positivo a favor da cultura islâmica".
Adel ressaltou que "o que aconteceu na Turquia pode ocorrer em qualquer outro país livre", referindo-se à maioria obtida pelo AKP.
O ministro iraniano dos Negócios EStrangeiros, Manushehr Mottaki, já tinha felicitado o seu homólogo turco, Abdullah Gül, a quem expressou o desejo de Teerão de fortalecer as relações de cooperação política e económica bilateral.
(Fonte: EFE)
24 julho 2007
23 julho 2007
Durão Barroso felicita Erdoğan
Numa mensagem hoje divulgada em Bruxelas, José Manuel Durão Barroso salienta que esta maioria absoluta de Erdoğan "ocorre num momento importante para o povo da Turquia, quando o país leva a cabo reformas políticas e económicas".
Lembrando o "compromisso pessoal" do primeiro-ministro turco relativamente a um "movimento sustentado rumo à União Europeia", Durão Barroso desejou a Recep Tayyip Erdoğan "todo o sucesso neste seu novo mandato".
De acordo com resultados ainda provisórios, quanto está praticamente concluída a contagem dos votos, o AKP, partido islâmico no poder na Turquia, obteve 46,3 por cento dos votos nas legislativas de Domingo.
Segundo as cadeias televisivas, o AKP de Erdoğan terá 339 deputados no Parlamento de 550 lugares, uma maioria absoluta que lhe permitirá formar o próximo governo.
Nas últimas legislativas, em 2002, o AKP tinha obtido 34 por cento dos votos.
(Fonte: Portugal Diário)
Washington congratula-se com a vitória de Erdoğan
A administração norte-americana considerou hoje que as eleições legislativas na Turquia foram "livres e justas" e excluiu a hipótese das Forças Armadas turcas contestarem os resultados.
"Trata-se de eleições livre e justas e a Turquia permanece um aliado importante dos Estados Unidos, pelo que a felicitamos", declarou o porta-voz da Casa Branca, Tony Snow.
Questionado sobre se Washington teme uma possível reacção dos militares turcos, ligados à laicidade da Turquia, depois da vitória do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), saído do movimento islamita, Snow respondeu que nada faz antever uma reacção do Exército.
O AKP, do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, venceu as eleições legislativas de Domingo com maioria absoluta, ao obter 46,4% dos votos, o que lhe permite controlar 340 dos 550 assentos do Parlamento.
Na sequência das eleições, Erdoğan apresentou hoje a demissão, uma formalidade para que o presidente lhe peça para formar um novo governo.
(Fonte: Diário Digital)
22 julho 2007
Vitória esmagadora de Erdoğan nas eleições legislativas
"Não iremos fazer qualquer concessão sobre os princípios base da República", afirmou Recep Tayyip Erdoğan na sua primeira intervenção pública após o fecho das urnas. Erdoğan prometeu ainda avançar com medidas económicas e reformas democráticas, de forma a aproximar a Turquia dos critérios da União Europeia, cujas negociações de adesão estão num impasse desde 2005.
Segundo resultados não oficiais anunciados pelas televisões CNN-Türk e NTV, o partido no poder na Turquia, com origem no movimento islamita, obteve uma vitória esmagadora nas legislativas de hoje face à oposição pró-laica. O Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan (53 anos) estava com uma votação de 47,6 por cento quando estavam contados 80 por cento dos votos, obtendo maioria absoluta no Parlamento, segundo as mesmas fontes. Em segundo lugar aparecia o principal partido da oposição pró-laica, o Partido Republicano do Povo (CHP, social-democrata), com 20 por cento dos votos. O Partido do Movimento Nacionalista (MHP), que tem posições duras contra a União Europeia, entre outras, ficou em terceiro, com 14,4 por cento dos votos, o que lhe permitirá voltar ao Parlamento.
Turquia vai a votos
As eleições gerais que hoje decorrem na Turquia são vistas como um teste vital à secularidade do país. O sufrágio foi antecipado pelo primeiro-ministro, Recep Erdoğan, que tenta assim pôr fim à crise política iniciada em Maio passado quando o Parlamento falhou sucessivamente a nomeação de um candidato presidencial.
Na altura o Partido da Justiça e do Desenvolvimento, AKP, de raiz muçulmana moderada, visto pela oposição como um bastião do radicalismo islâmico num país secularista – acusações sempre negadas por Erdoğan –, tentou que o escolhido fosse Abdullah Gül, que tem a pasta dos Negócios Estrangeiros. A tentativa falhou e atirou o país laico para uma crise política, onde até as altas chefias do exército ameaçaram pegar em armas caso Gül fosse o eleito.
Agora a Turquia encontra-se novamente numa encruzilhada, com os especialistas a vaticinarem, que estas são as eleições mais importantes dos últimos 25 anos.
Uma vez que a Turquia é um eterno candidato a fazer parte da UE, Bruxelas que acompanha toda esta movimentação já disse que não vai tolerar a asfixia dos valores democráticos, nem tão pouco dar qualquer tipo de encobrimento às ameaças dos militares, que se encaram como a guarda pretoriana do laicismo turco.
Os 42 milhões de eleitores também sabem que há muito em jogo, alguns deles interromperam as férias para dar o seu contributo no que defendem ser “a protecção dos valores seculares”, segundo afirmou um repórter da BBC.
São 14 os partidos que lutam pelos 550 lugares no parlamento de Ancara, mas unicamente os laicos do Partido Republicano do Povo, CHP, e os extremistas de direita do Partido do Movimento Nacional, MHP, devem ultrapassar a fasquia dos 10 por cento. As previsões apontam ainda alguns lugares no parlamento que deverão ser garantidos por candidatos independentes pró-curdos. No fim deverá ganhar o AKP de Erdoğan, por quanto é que ainda não se sabe.
O partido, acusado de querer paulatinamente transformar o estado laico turco numa teocracia ao estilo iraniano, continua a gozar de um grande apoio popular. Foi debaixo do seu governo que a economia do país mais floresceu e que finalmente se iniciaram conversações para a entrada da Turquia na UE, algo que o país tentava há décadas sem grande sucesso.
Os partidos, especialmente os mais extremistas, valem-se do sentimento crescente de descontentamento em relação à UE, bem como dos enraizados valores nacionalistas contra os separatistas curdos e de uma cada vez mais eminente invasão do norte do Iraque.
(Fonte: Expresso)
Eleições na Turquia: O fantasma de Atatürk contra o fantasma do islamismo
Um jovem de T-shirt, um homem de camisa, uma mulher de calças, outra de saia comprida e véu islâmico. Em fila esperam para votar. O jovem aproxima-se da urna e esta foge-lhe repetidamente. Os outros vêm em seu auxílio e seguram a urna escorregadia tempo suficiente para que ele consiga votar. Da urna sai a lâmpada brilhante símbolo do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP). O filme passa em ecrãs plasma que descem do tecto do Grande Bazar de Istambul.
As ruas cobertas do bazar quase escapam à loucura de uma campanha que no resto da cidade cega de cartazes e bandeiras e ensurdece pela música que sai dos altifalantes de centenas de carrinhas. É Domingo, 15 de Julho. O comício do AKP está marcado para as 17 horas em Kazlisçesme, nos arredores, junto à linha de comboio que corre ao longo das muralhas bizantinas. A máquina do AKP está bem oleada e os homens atrás das bancas de campanha nas estações do centro correm a garantir que ninguém perde os últimos comboios. Já não é preciso pagar bilhete. E no interior das carruagens não se respira. Centenas de milhares de pessoas de todas as idades, como no filme de campanha. Em proporção, mais mulheres com véu islâmico do que no filme. Um mar de bandeiras e balões e um ambiente de festa popular. Quando o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan se avista ao lado a mulher, Emine, é gritado e aplaudido o seu nome. "Vão votar pelas liberdades ou naqueles que as bloqueiam?", pergunta com voz rouca à multidão. Entre as respostas, uma sublinha que as tensões políticas na Turquia não acabam hoje à noite, quando forem anunciados os resultados das legislativas antecipadas. "Çankaya será nossa!" Çankaya é a freguesia de Ancara que alberga toda a burocracia do poder. Em Abril, quando se aproximava o fim do mandato do actual Presidente, o AKP, que desde 2002 governa com maioria, nomeou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abdullah Gül, candidato a presidente da república. Foi o único candidato e viu a eleição sucessivamente boicotada pelos deputados da oposição, que alegaram a inexistência de quórum. Segundo a oposição, a presidência era a peça que faltava para o AKP deixar cair a máscara. Porque, garante, o verdadeiro programa do partido que conduziu a Turquia à abertura de negociações de adesão com a União Europeia é a sharia (lei islâmica).
Gül também está no comício. Ao contrário de Erdoğan, chegou sem a mulher, Hayrunisa. Ambas usam véu islâmico. Atrás, os candidatos por Istambul estão alinhados no palco. Há muitas mulheres mas nenhuma usa véu islâmco. Enquanto Gül tentava ser eleito, em Abril e Maio, mais de quatro milhões de turcos saíram à rua. Munidos de bandeiras da Turquia e de imagens de Mustafa Kemal Atatürk, o general que em 1923 fundou a República turca, gritaram que não queriam o véu de Hayrunisa no Palácio Presidencial. O Exército, que já fez cair governos, reafirmou o seu papel de "defensor do secularismo", avisando contra intrusões islamitas. Jovens, modernos e religiosos como o blogger e editor de um dos diários de língua inglesa de Istambul, Mustafa Akyol, garantem que não era do véu de Hayrunisa que os manifestantes tinham medo. Atrás das bandeiras de Atatürk, assegura, marchavam os receios de perda de privilégios de uma elite herdeira da revolução kemalista e habituada a governar. Uma elite com medo das fronteiras não europeias do país, medo dos empreendedores que formam a nova classe média e vêm do interior da Turquia.
No último dia de campanha, numa sede do Partido Republicano do Povo (CHP), funcionários e militantes falam como se o partido, ou o partido de Atatürk como alguns preferem, ainda pudesse ganhar. Como se disso dependesse o futuro da Turquia. "Estas eleições são muito, muito importantes. O laicismo é muito importante para a República turca", diz Muzaffer Gürboga, professor de Química reformado. Aponta para uma fotografia de mulheres de negro da cabeça aos pés, túnica e véu, apenas os olhos a descoberto. Legenda: "Nem Irão nem Paquistão. Isto é Istambul". Ao lado de Gürboga, Erkan, motorista dos serviços municipais de 28 anos, queixa-se das privatizações e diz que a saúde ficou mais cara. Asil Kaya, licenciado em História, exibe o cartão de militante e aponta para o braço onde tatuou a sua crença mais segura: o rosto de Atatürk. O CHP não vai ganhar as eleições. As sondagens indicam que ficará acima dos 20 por cento, enquanto que prevêem para o AKP entre 38 e 48 por cento. "Algumas pessoas têm uma mentalidade muito religiosa. Estão cegas. E há pessoas sem dinheiro a quem eles podem ter dado alguma coisa", justifica Muzaffer Gürboga.
Nas ruas de Istambul, um dos cartazes do Partido da Acção Nacionalista (MHP), o terceiro da Turquia, destaca-se do vermelho e branco dominantes. O vermelho mantém-se, mas escureceu, em redor há negro e no centro está a palavra "terror". É uma bandeira fácil de agitar: quase todos os dias morre um soldado no Sudeste do país em confrontos com os independentistas curdos do ilegalizado PKK. O Exército exige uma incursão em larga escala no Curdistão iraquiano, onde estarão 3000 combatentes. Apesar do aumento de votos que o AKP deverá conseguir, é previsível que mais partidos entrem no Parlamento, o que pode impedir uma maioria absoluta. Colocam-se todas as possibilidades: uma grande coligação AKP-CHP ou a união do CHP com a extrema-direita do MHP. Mas Cengiz Aktar, director do Centro de Estudos Europeus da Universidade de Bahçeşehir de Istambul, antecipa uma aliança entre o AKP e o Partido da Sociedade Democrática (DTP), quase todos curdos e a concorrerem como independentes. Mesmo nesse cenário - islamitas e curdos unidos para decidirem, por exemplo, o nome do próximo presidente -, não acredita num golpe de Estado: "O país cresceu demasiado, os militares não têm como controlá-lo. Mas podem destruir o equilíbrio na fronteira com o Iraque para imporem a sua presença na política."
(Fonte: Público com alterações)
Durão Barroso considera que a Turquia não está apta para aderir à UE
"Sejamos honestos. A Turquia não está pronta para ser membro da UE nem a UE está pronta para aceitar a Turquia como membro. Nem amanhã nem depois de amanhã", afirmou Durão Barroso ao jornal Kathimerini.
Apesar de considerar que a Turquia ainda não pode entrar na UE, o ex-primeiro-ministro português quer que os Estados-membros não fechem as portas à Turquia.
"Gostaria de pedir à França e todos os Estados-membros para que não mudem a decisão que tomámos e continuem as negociações", continuou Barroso, numa referência ao facto de o presidente francês, Nicolas Sarkozy, se opôr à entrada da Turquia na União.
As declarações surgem no dia em que os Turcos vão às urnas para participar nas legislativas antecipadas, um acto eleitoral em que o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), do primeiro-ministro Recep Erdoğan, é o favorito.
(Fonte: Diário Digital)








