20 maio 2007
Cerca de 80 000 secularistas reuniram-se em Samsun
19 maio 2007
FMI concede empréstimo de 1.100 milhões de dólares a Ancara
O Conselho Executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI) pôs sexta-feira à disposição da Turquia um empréstimo de 1.100 milhões de dólares depois de aprovar a sexta revisão do acordo de crédito conjunto.
O organismo decidiu alargar o crédito apesar do país não ter cumprido com todas as condições a que se tinha comprometido quando assinou o acordo com o FMI a 11 de Maio de 2005.
O número dois do Fundo, John Lipsky, disse num comunicado que o desempenho macro-económico do país continua "robusto" e que os investimentos estrangeiros aumentaram. "Não obstante, a inflação continua acima das metas, o défice da conta corrente é alto e aproximam-se as eleições", alertou Lipsky. Disse também que a disciplina fiscal e monetária "será essencial para manter a confiança dos mercados".
O Fundo apoiou o objectivo do governo de obter um superavit fiscal primário (as contas públicas antes do pagamento da dívida) de 6,7 por cento do Produto Nacional Bruto (PNB) este ano.
Lipsky exortou o Banco Central a continuar uma política de ajuste monetário para reduzir a inflação.
A Turquia não foi capaz de cumprir com as metas de política fiscal marcadas no acordo com o Fundo, tais como o resultado primário do sector público e o resultado das instituições de segurança social, de acordo com o comunicado. Ancara também não conseguiu apoio da legislatura para a reforma do sistema tributário, como o governo prometera.
(Fonte: RTP)
18 maio 2007
Os dois maiores partidos de centro-esquerda formaram coligação
Os líderes do Partido Republicano do Povo (CHP) e do Partido da Esquerda Democrática (DSP), respectivamente Deniz Baykal e Zeki Sezer, anunciaram ontem aquilo a que chamaram de "decisão histórica”, numa conferência de imprensa conjunta. “Este é um importante passo para uma unificação histórica da esquerda”, disse Baykal. “Vamos fazer a campanha eleitoral juntos. Vamos manter valores comuns. Vamos caminhar lado a lado para fortalecer o nosso país como república secular e democrática. Este é um marco histórico”.
Segundo o acordo, o DSP vai ter pelo menos 20 assentos no Parlamento para poder formar um grupo, e os candidatos do DSP não serão obrigados a abandonar os seus partidos para serem incluídos nas listas eleitorais do CHP. Os dois partidos vão estabelecer uma comissão conjunta para organizar a campanha eleitoral.
Baykal agradeceu a Zeki Sezer e a Rahşan Ecevit, uma importante figura do DSP e esposa de Bülent Ecevit, pela sua contribuição durante as conversações. “Zeki Sezer demonstrou a sua liderança”, disse Baykal. Pediu-lhe para rever a sua decisão de não integrar o Parlamento como deputado, mas Sezer disse que não iria alterar a sua decisão. “Trata-se da minha posição pessoal. Não vou alterá-la".
Baykal também elogiou o anterior líder do DSP e antigo primeiro-ministro, Bülent Ecevit, dizendo, “eu sempre quis esta cooperação enquando ele estava entre nós mas só a conseguimos na sua ausência. Agora sinto que estou a abraçar Bülent Ecevit”.
Baykal disse igualmente que os candidatos do DSP que quiserem concorrer às eleições, não devem desvincular-se do seu partido. “Nós não estamos a pressionar ninguém a fazer parte do CHP. Esperamos entrar juntos no Parlamento, e mesmo que depois nos separemos devemos trabalhar para uma integração futura”, disse Baykal, sublinhando que não existe nenhum obstáculo legal para esta cooperação.
Por seu lado, Sezer partilhou o mesmo ponto de vista de Baykal, de que a Turquia está a viver um dia histórico. “A democracia secular, a república e a nossa unidade estão ameaçadas. Para eliminar essas ameaças, precisamos de uma estrutura forte. Isso só se pode obter com a cooperação entre os nossos dois partidos”.
Zeki Sezer disse que vai pedir ao corpo executivo do seu partido a aprovação do acordo, acrescentando que se trata apenas de um acto simbólico. À pergunta sobre quantos assentos serão dados ao DSP, Sezer recusou comentar números, dizendo, “não discutimos detalhes sobre a distribuição de assentos, mas não há problema relativamente a tratamento justo”.
Uma comissão conjunta para a organização da campanha eleitoral começou a trabalhar ontem, logo após o anúncio da aliança.
Baykal, confirmando que os dois partidos vão fazer campanha eleitoral juntos e que as duas bandeiras vão estar lado a lado, disse: “Nós somos partidos irmãos".
16 maio 2007
Alunos de escolas europeias, nomeadamente da Turquia, visitaram escolas portuguesas
A Escola Secundária da Baixa da Banheira recebeu alunos de escolas da Bulgária, Roménia, Turquia, Itália, Espanha e Finlândia, no âmbito da 1ª acção do Programa Sócrates, no dia 3 de Maio.
A Acção Comenius deste programa europeu tem como objectivos gerais melhorar a qualidade e reforçar a dimensão europeia no ensino escolar, contribuir para a promoção da aprendizagem de línguas e promover a consciência intercultural.
Segundo Henrique Pinto, professor da escola da Baixa da Banheira, “este é um programa que se vai prolongar até 2009, havendo em cada escola um trabalho de pesquisa sobre as características culturais de cada país”.
Os parceiros deste programa passaram o dia em trabalho, enquanto os alunos estiveram a fazer um peddy-paper, e durante a tarde participaram em alguns jogos tradicionais portugueses. Sempre bem dispostos e com vontade de aprender, os alunos visitantes não tiveram problemas e juntaram-se aos portugueses, em vários jogos tradicionais.
As comitivas também estiveram em Alcochete, na Escola D. Manuel I, igualmente inserida neste programa, onde teve lugar um jantar de recepção.
(Fonte: Jornal Regional)
15 maio 2007
Orhan Pamuk recebeu doutoramento "honoris causa"
"Não há outro lugar no mundo, nem na Turquia, mais distinto do que este para receber um doutoramento honorífico", afirmou o escritor, confessando que pensou não se emocionar, "mas não conseguia dormir com a emoção".
A instituição académica atribuiu esta distinção a Pamuk pelo seu "contributo para a literatura turca e mundial e pela divulgação da língua e da literatura turcas".
Depois da atribuição deste título, a Universidade do Bósforo vai organizar um simpósio sobre a figura de Pamuk, com a participação de vários intelectuais turcos e da tradutora das suas obras para Inglês, Maureen Freely.
14 maio 2007
Mais uma gigantesca manifestação secularista
A explosão de uma bomba numa feira, no Sábado de manhã, no bairro Bornova em Izmir, que causou a morte a uma pessoa e feriu outras 16, não impediu a afluência das pessoas, que chegaram também de outras cidades da Turquia, para enviarem uma mensagem clara ao partido do governo, o partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP) de tendência islamita.
As pessoas começaram a chegar depois das 9:30 horas locais com bandeiras da Turquia e fotografias de Mustafa Kemal Atatürk, o fundador da República, proferindo frases contra o partido do governo. Ocuparam toda a Avenida Kordon (Kordon Caddesi), desde a Praça da República (Cumhuriyet Meydanı) até ao porto de Izmir. Os seus cartazes diziam: “A Turquia é secular e vai continuar secular” e “Unam-se”, uma mensagem directa aos partidos de centro-esquerda para unirem as suas forças contra o AKP na eleição que se avizinha.
Esta manifestação foi organizada por mais de 60 organizações não-governamentais, e teve um significado especial para a população de Izmir, a terceira maior cidade da Turquia. Os habitantes de Izmir não gostaram de uma frase proferida pelo primeiro-ministro, que apelidou a cidade de “Gavur [infiel] Izmir”, no ano passado.
Os protestantes também enviaram uma mensagem através dos cartazes: “Não vá de férias antes de 22 de Julho, vote contra o AKP”, reflectindo as preocupações relativas à data das eleições, em pleno Verão e período de férias.
Os edifícios que ladeiam a Avenida Kordon, estavam decorados com bandeiras turcas gigantescas.
Mensagem de coligação para os partidos políticos
Esperava-se que o líder do CHP e o líder do DSP anunciassem uma coligação. Contudo, Baykal, que chegou de barco à manifestação, partiu pouco depois.
O Partido do Movimento Nacionalista (MHP) não compareceu ao encontro. Quando recebeu a informação de que o DSP e o CHP iriam anunciar a sua coligação em Izmir, anunciou que não iria estar presente por a manifestação ser politizada.
Durante a manifestação, a polícia adoptou fortes medidas de segurança. Fechou o espaço aéreo na área da baía de Izmir. Os manifestantes entraram na área da manifestação por nove pontos de verificação localizados em diferentes partes da cidade e cada pessoa foi revistada pela polícia. Mais de 3 000 polícias estiveram na manifestação.
Apoio dos empresários e industriais
As associações de negócios, que normalmente não estão presentes neste tipo de demonstrações, anularam essa regra em Izmir.
13 maio 2007
José Saramago em Istambul
Numa iniciativa conjunta do município de Istambul e do Leitorado do Instituto Camões na Turquia, José Saramago irá visitar Istambul entre os próximos dias 14 e 19 de Maio.
O escritor português terá oportunidade de debater com jornalistas e escritores turcos os conflitos culturais e civilizacionais que tão vincadamente se espelham hoje no país. Terá ainda lugar uma conferência sobre o papel dos escritores nas crises do mundo contemporâneo. Paralelamente, e assinalando o lançamento da edição turca do livro As Intermitências da Morte, será inaugurada uma exposição sobre a sua obra e sobre as múltiplas traduções que a têm divulgado pelo mundo.
José Saramago tem um total de 11 obras editadas na Turquia, todas elas publicadas no país após 1998, ano em que foi galardoado com o prémio Nobel da Literatura, sendo o autor português com mais livros traduzidos na Turquia. Prova do seu sucesso junto do público turco é a tradução local do Ensaio Sobre a Cegueira, que acaba de atingir a sexta edição.
Para além de Saramago, também Fernando Pessoa e José Luís Peixoto marcam presença nas estantes das livrarias turcas: Fernando Pessoa com seis obras traduzidas e José Luís Peixoto com o livro Nenhum Olhar.
12 maio 2007
Paulo Portas não quer Turquia na UE
O presidente do CDS-PP, Paulo Portas, rejeitou hoje a entrada da Turquia na União Europeia (UE), e condicionou a defesa de um referendo sobre o futuro tratado europeu a uma significativa transferência de soberania nacional.
Paulo Portas escolheu hoje o bar BBC, em Belém, para apresentar a sua moção de estratégia global ao congresso do partido, que se realiza em Torres Novas entre 18 e 20 deste mês.
O presidente do CDS-PP falou da moção, intitulada "Directos ao Futuro", durante cerca de uma hora, perante uma plateia de jovens delegados ao congresso, sentado num sofá com o líder da Juventude Popular (JP), João Almeida.
Portas quis tomar posição sobre a adesão da Turquia à UE, considerando que existem "argumentos interessantes pró e contra" essa possibilidade, e defendeu que o país "deve ter um estatuto muito especial, de proximidade" da União, mas sem ser um estado-membro.
"Trata-se de um estado laico, mas só porque tem uma tutela militar. Não é propriamente o regime político ideal para ser membro da UE. E se deixar de ter tutela militar passará a ser, mais década, menos década, um estado religioso", justificou.
(Fonte: Lusa)
Explosão de bomba em Izmir faz um morto e 16 feridos
A bomba terá sido colocada numa bicicleta estacionada na área da feira, e o impacto da explosão quebrou as janelas das casas circundantes e de alguns veículos estacionados nessa área. Não estava muita gente na feira na altura da detonação por ser ainda muito cedo, sendo a maioria dos feridos feirantes.
Está prevista para este fim-de-semana uma grande manifestação nesta cidade, a terceira maior da Turquia.
11 maio 2007
Abdullah Gül mantém candidatura à presidência
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia, Abdullah Gül, que retirou a sua candidatura no recente processo de eleição presidencial fechado pelo Parlamento, disse que voltará a disputar a chefia do Estado caso a decisão seja feita por voto popular.
"Quando o Parlamento estava paralisado, dissemos que apelaríamos ao voto do povo, e as mudanças constitucionais ocorreram", disse Gül hoje aos jornalistas. Sobre se voltaria a ser candidato, Gül deu uma resposta positiva. "A minha candidatura continua", afirmou.
Parlamento turco aprovou sistema directo para eleger presidente
O Parlamento da Turquia aprovou hoje uma emenda à Constituição que permite que o presidente do país passe a ser eleito por votação directa, em vez do sistema de eleição parlamentar, em vigência actualmente. Outras seis modificações foram também aprovadas.
O pacote de emendas à Constituição foi apresentado pelo partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), o partido do governo.
Participaram 377 deputados na votação do Parlamento, num total de 550, e o pacote de emendas foi aprovado com 376 votos a favor. No entanto, para que a lei modificada entre em vigor, é preciso ainda a aprovação do presidente, Ahmet Necdet Sezer, e da população, através de referendo, se Sezer vetar o pacote. O referendo teria sido constitucionalmente necessário, caso as emendas não tivessem obtido o mínimo de votos requeridos, de dois terços das cadeiras. Quando as remodelações entrarem em vigor, a população poderá pela primeira vez escolher directamente o presidente em eleições de dois turnos. A duração do mandato do chefe de Estado também será alterada para cinco anos, em vez dos sete actuais.
Cimpor motiva protestos em Ancara
09 maio 2007
Foi concluída oficialmente a eleição presidencial pelo Parlamento
O processo de eleição do presidente da Turquia por parte do Parlamento chegou hoje ao fim, dia em que o único candidato, o ministro dos Negócios Estrangeiros Abdullah Gül, notificou oficialmente a retirada da sua candidatura, após a sua eleição ter fracassado duas vezes.
Gül, número dois do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, de tendência islâmica, no poder), entregou à presidência do Parlamento uma carta a confirmar a sua retirada, que já havia sido anunciada no passado Domingo, dia da repetição da primeira voltas das eleições presidenciais. O segundo turno da votação, previsto para hoje, foi cancelado.
A retirada de Gül encerra um complicado processo eleitoral iniciado a 27 de abril, que provocou uma crise política e levou o governo do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan a convocar eleições antecipadas para 22 de julho.
A perspectiva de um muçulmano moderado como Gül, cuja esposa usa o véu islâmico, chegar à presidência deste país muçulmano fundado sobre os princípios de um Estado laico, desencadeou muitos protestos do sector secular, incluindo o Exército, que ameaçou intervir para defender o legado de Mustafa Kemal Atatürk, fundador da República em 1923, sobre as ruínas do império otomano.
Incapaz de eleger o novo presidente no Parlamento, o AKP propôs uma reforma constitucional que prevê a eleição do chefe de Estado por voto universal. A reforma foi aprovada numa primeira volta, na terça-feira, no Parlamento e deve ser submetida à segunda e última votação na quinta-feira. Caso seja aprovado definitivamente, o projecto deverá ser remetido ao presidente Ahmet Necdet Sezer, que, segundo os analistas, deverá vetar as propostas.
(Fonte: AFP)
Clima de crispação entre Erdoğan e a maior associação de empresários do país
Uma declaração feita pela mais importante associação de empresários turcos, TÜSIAD, a aconselhar o Parlamento a adiar as emendas à Constituição, suscitou ontem uma reacção do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan.“O nosso Parlamento sabe o seu trabalho muito melhor do que eles”, disse Erdoğan aos jornalistas.
Comissão Eleitoral rejeitou pedido de antecipação das eleições para 24 de Junho
Um requerimento a solicitar a realização das eleições gerais a 24 de Junho, em vez de 22 de Julho foi indeferido ontem pela Comissão Eleitoral (YSK).
O partido da Juventude (GP) apresentou o requerimento à Comissão Eleitoral, argumentando que o "chumbo" da eleição do preseidente abriu caminho a eleições gerais imediatas.
A Comissão Eleitoral (YSK) analisou o requerimento. O presidente do YSK, Ahmet Başpınar, em declarações aos jornalistas depois da reunião, lembrou a decisão adoptada pelo Parlamento no sentido da realização das eleições a 22 de Julho. “Esta é a data possível para eleições gerais. É impossível ser mais cedo. Portanto, o requerimento do GP foi rejeitado”.
Presidente do Curdistão iraquiano adverte que não aceitará solução militar turca
O presidente da região autónoma do Curdistão iraquiano, Massoud Barzani, advertiu hoje no Parlamento Europeu que a Turquia deve abdicar de uma "solução militar" face às reivindicações nacionalistas curdas.
"Não aceitaremos uma solução militar", afirmou Barzani, acrescentando que Ancara utiliza com frequência o ilegal Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) como "pretexto" para combater as aspirações curdas.
Barzani, que compareceu perante a Comissão de Assuntos Exteriores do Parlamento Europeu, respondeu a perguntas de vários eurodeputados sobre a possibilidade, recentemente ventilada por autoridades militares turcas, de que o Exército do país intervenha no Curdistão iraquiano para combater as milícias do PKK, que estariam na região. O dirigente iraquiano voltou a afirmar hoje que a população curda iraquiana deseja a "união" e a constituição de um Estado, embora tenha assegurado que tais objetivos são perseguidos "sem violência".
Em relação às minorias curdas presentes na Turquia e noutros países vizinhos, Barzani defendeu que são elas mesmas "que devem decidir as suas próprias reivindicações".
Quanto à situação de Kirkuk, a rica cidade petrolífera do norte do Iraque na qual convivem Árabes, Turcomanos e Curdos, Barzani defendeu a convocação de um plebiscito, como uma "solução pacífica e legal para o problema".
(Fonte: EFE)





