Milhares de pessoas saíram ontem novamente para a rua em várias cidades turcas para se manifestarem a favor do laicismo e contra o que consideram ser o risco de islamização da sociedade turca.
A maior manifestação aconteceu em Manisa, na parte ocidental da Turquia, onde, segundo a polícia, cerca de 80 mil manifestantes participaram no protesto, gritando palavras de ordem como "a Turquia é laica e continuará a sê-lo."
Manisa não foi escolhida por acaso. É a cidade do presidente do Parlamento, Bulent Arinç, membro do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, islamita moderado), no poder, e que provocou recentemente uma polémica ao dizer que o próximo presidente da Turquia será "um crente".
Na origem dos protestos que agitam o país - no fim-de-semana passado cerca de um milhão de pessoas saiu à rua em Istambul contra os islamitas - está a tentativa do AKP de fazer eleger um dos seus membros, o actual ministro dos Negócios Estrangeiros, Abdullah Gül, presidente da República. O voto no Parlamento para a escolha do Presidente, no passado dia 27, falhou, e na sexta-feira o AKP avançou com uma proposta de reforma constitucional que prevê a eleição do Presidente por sufrágio universal, em vez de numa votação parlamentar como acontece actualmente. Outra alteração proposta pelos islamitas é a de que o mandato presidencial deixe de ser um único de sete anos e passe a ser de cinco anos e renovável. Uma comissão parlamentar aprovou já ontem algumas das disposições do projecto, que deverá ser aprovado nos próximos dias.
Oposição une-se
Numa entrevista do diário britânico Financial Times, o candidato Abdullah Gül declarou-se confiante de que, se o sistema for alterado, ele vencerá as eleições. "Tenho o apoio de 70 por cento [dos eleitores]. Foi por isso que decidimos dirigir-nos ao povo. Terei a maioria logo à primeira volta," declarou.
Para hoje está prevista uma segunda volta da votação parlamentar para a escolha do Presidente, mas é dado como certo que não haverá quórum, tal como no dia 27 (o que levou o Tribunal Constitucional a anular essa votação).
A tensão tem vindo a subir nas últimas semanas, e a crise levou já o AKP a convocar eleições legislativas antecipadas, marcadas para 22 de Julho.
Os analistas consideram que a alteração da forma de eleição do Presidente vai complicar ainda mais a situação e alterar drasticamente a paisagem política turca.
Sinal dos receios das forças seculares (até porque as sondagens apontam para a vitória do AKP nas eleições de Julho) é a fusão, anunciada ontem, de dois partidos do centro-direita, o ANAVATAN (Partido Terra Mãe) e o Partido da Justa Via (DYP), que esperam, juntos, oferecer uma oposição mais forte ao AKP nas legislativas.
O que os sectores laicos temem é que os islamitas, que já controlam o governo e a presidência do Parlamento, fiquem também com a presidência da República, o que lhes daria o controlo das principais instituições do país.
O Exército, que se vê como o defensor do carácter laico do Estado turco, ameaçou intervir se este estivesse em risco.
Na sexta-feira, pela primeira vez desde essa ameaça (feita dia 27), o primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdoğan, recebeu o chefe do Estado-Maior, general Yaşar Büyükanıt. O encontro durou duas horas, mas no final não foi emitido qualquer comunicado.
(Fonte: Público)
06 maio 2007
Presidência a caminho do sufrágio universal
05 maio 2007
Solana apoia candidatura de Abdullah Gül
"Estou convencido de que o ministro dos Negócios Estrangeiros Gül continuará o seu bom trabalho também como presidente da Turquia," afirmou Solana.
Disse também que "a Turquia tem papel estratégico na região. Precisamos de uma Turquia estável. Uma Turquia que continue a ajudar quando se trata de cooperação com os países vizinhos Iraque e Irão ou numa solução para o conflito no Oriente Médio."
O candidato à Presidência turca do islâmico moderado Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), Abdullah Gül, "cumpriu com muito sucesso o seu papel como ministro dos Negócios Estrangeiros," disse Solana.
Reforma do sistema eleitoral em curso
O governo entregou ontem à Comissão Constitucional do Parlamento, com o apoio do Partido Terra Mãe (ANAVATAN), um pacote de reformas do sistema eleitoral. Essas reformas incluem, nomeadamente, a eleição do presidente por sufrágio universal por um mandato de cinco anos renovável em vez do actual mandato único de sete anos, e a realização de eleições legislativas com quatro anos de intervalo em vez dos actuais cinco. Sezer, o actual presidente, que já declarou que pretende manter-se em funções até que o novo presidente seja eleito, anunciou a intenção de veto e de levar o pacote a referendo. Se tal acontecer, dificilmente poderão haver eleições gerais a 22 de Julho.
Entretanto, a Comissão Constitucional do Parlamento aprovou hoje esse pacote de reformas.
Amanhã às 11 horas locais vai ser repetida a primeira volta das eleições presidenciais, não se esperando que Abdullah Gül consiga o apoio mínimo de 367 deputados.
Manifestações secularistas em Manisa e Çanakkale
Manisa e Çanakkale têm um simbolismo especial, uma vez que a primeira é a cidade de Bülent Arınç, o presidente do Parlamento, e Çanakkale foi o local de uma importante batalha da primeira guerra mundial, decisiva para a criação da República Turca laica por Atatürk, em 1923.
As manifestações secularistas sucedem-se, perante a ameaça da presidência ficar nas mãos do partido do governo, de tendência islamita.
Líder do Partido Terra Mãe (ANAVATAN) criticou Durão Barroso
O líder do Partido Terra Mãe (ANAVATAN), Erkan Mumcu, teceu ontem duras críticas ao presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.Novo Fiat Dobló poderá ser construído na Turquia
O Linea é um três volumes fabricado pela Tofaş, uma joint-venture estabelecida entre a Fiat e a Koç Holding.
O Fiat Linea foi apresentado em Istambul em Outubro passado e está pronto para ser comercializado. Trata-se de uma berlina de quatro portas com 4,56m de comprimento, 1,73m de largura, 1,5m de altura, uma distância entre eixos de 2,6m e uma capacidade da bagageira de 500 litros. Na fase de lançamento a oferta de motores do Linea compreenderá uma opção a gasolina (1.4 8v de 77 cv) e outra diesel (1.3 multijet 16v de 90 cv), ambos associados a uma caixa manual de cinco velocidades. Mais tarde, chegará o 1.4 16v turbo de 120 cv de potência, da nova família T-Jet. O novo automóvel, desenvolvido pela Tofaş, uma joint-venture 50/50 entre a Fiat e a Koç Holding é produzido na fábrica de Bursa (Turquia) e será comercializado em países como a Espanha, a Alemanha, Marrocos e Finlândia. Posteriormente, será fabricado também no Brasil, Índia, China e Rússia.
(Fonte: Autohoje)
04 maio 2007
Frase polémica de Erdoğan sob investigação criminal
O Ministério Público, no âmbito do inquérito preliminar, deverá apurar se há matéria para instruir um processo, com o que teria de pedir ao parlamento o levantamento da imunidade do primeiro-ministro.
Depois de pronunciar a frase polémica, Erdoğan tentou amenizá-la dizendo que não se referia à decisão do tribunal, mas à acção do presidente do maior partido da oposição, Deniz Baykal.
Mehmet Akif Beki, porta-voz de Erdoğan, revelou que o encontro, do qual não foi distribuído qualquer comunicado final, durou duas horas.
Governo propõe quórum de 184 deputados
Após a decisão, por parte do Tribunal Constitucional, de anulação da primeira volta das presidenciais, o governo contra-atacou com um pacote de reformas ao sistema eleitoral na passada quarta-feira. Estas incluem a eleição do presidente da República por sufrágio universal com mandato de cinco anos renovável por mais cinco anos, e realização de eleições legislativas de quatro em quatro anos em vez dos actuais cinco. Actualmente o presidente é eleito pelo Parlamento e por um mandato único de sete anos. Relativamente às eleições legidlativas, são realizadas de cinco em cinco anos.
Ontem, quinta-feira, o AKP decidiu adicionar novos elementos ao seu pacote de reformas. O mais importante refere-se à redução do quórum do Parlamento para 184 deputados em vez dos 367 actualmente necessários.
O CHP (Partido Republicano do Povo) e o ANAVATAN (Partido Terra Mãe) rejeitaram esta proposta. No entanto, o Partido ANAVATAN continua a apoiar a proposta do AKP de sufrágio universal para a eleição do presidente.
Como as eleições são a 22 de Julho, as hipóteses deste pacote passar aumentaram. No entanto, será difícil ao AKP completar todo o processo constitucional, de forma a poder levar a cabo eleições gerais a 22 de Julho.
Ahmet Necdet Sezer, o presidente da República em funções, anunciou ontem que irá vetar o pacote, e, caso o AKP persista, avançará para um referendo. "Precisamos primeiro de proceder aos arranjos necessários para regulamentar o nosso sistema parlamentar antes de alterar a Constituição," disse Sezer. Revelou ainda não ser contra a redução do mandato do presidente para cinco anos, mas rejeita a renovação do mandato. Apoiou no entanto a realização de eleições legislativas de quatro em quatro anos em vez de cinco.
O AKP parece estar determinado a levar o pacote de reformas a referendo. Contudo, a lei só pode ser aplicada passados quatro meses de ter sido publicada em Diário da República. Sadullah Ergin, o líder do grupo parlamentar do AKP, disse que podiam mudar a lei para poderem levar a cabo eleições gerais no dia 22 de Julho.
03 maio 2007
Ainda Prodi sobre a Turquia
[Público] Portugal e a Itália sempre apoiaram a entrada da Turquia na UE. Vê nesta grave crise que a Turquia está a viver alguma responsabilidade europeia?
[Prodi] Claro que não. Nós mantivemos as portas da negociação abertas.
[Público] Mas a UE tem enviado alguns sinais negativos à Turquia.
[Prodi] A Turquia sabia desde sempre que estas negociações seriam muito longas. Trata-se de uma crise interna que, de facto, pode ter consequências negativas. Espero que não, mas estou muito preocupado, porque nós precisamos de um caminho muito claro por parte da Turquia, sem obstáculos. E esta crise é um obstáculo.
(Excertos da entrevista de Romano Prodi ao Público. Pode lê-la aqui na íntegra.)
A Turquia na campanha eleitoral francesa
O candidato conservador à presidência francesa, Nicolas Sarkozy, rejeita a possibilidade da Turquia poder entrar algum dia na União Europeia, enquanto a socialista Ségoléne Royal se mostra partidária de prosseguir o diálogo com Ancara.
No debate televisivo realizado ontem à noite e seguido por milhões de espectadores, ambos se pronunciaram sobre o processo de adesão da Turquia à União Europeia. Sarkozy afastou a hipótese de adesão, negando ser por se tratar de um país de maioria muçulmana, mas sim por "estar na Ásia Menor" e não ser Europeu. "Sou pela Europa política”, na qual a Turquia terá um estatuto de Estado associado mas a sua integração como membro da União Europeia será “perigoso para o equilíbrio do mundo”, continuou Sarkozy. Por seu lado, Ségolène Royal revelou que a eventual entrada da Turquia na UE é uma questão a que o povo francês deverá responder numa consulta. Perante o "não" de Sarkozy, Royal pediu-lhe que não fosse tão "brutal" com o povo turco, que "aspira" a ser Europeu, e recordou que a Europa e a França já se comprometeram com um "processo de discussão" com Ancara.
Eleições antecipadas a 22 de Julho MAS repetição das eleições presidenciais a 6 de Maio
Foi o governo quem propôs a realização de eleições antecipadas, logo a seguir à notícia do veredicto do Tribunal Constitucional que anulou a primeira volta das eleições presidenciais. Também o governo, entregou novo calendário ao Parlamento para a repetição das eleições presidenciais, com a primeira volta agendada para Domingo, dia 6 de Maio. Se a primeira volta não tivesse sido invalidada pelo tribunal, a segunda volta ter-se-ia realizado no dia 2 de Maio. Entretanto, após a decisão do tribunal, o governo avançou com a data de 3 de Maio. Neste momento a data prevista é 6 de Maio. O único candidato mantém-se, Abdullah Gül, candidato do partido do governo, o Partido da Justiça de Desenvolvimento (AKP).
Especula-se na imprensa turca que o maior partido da oposição, o Partido Republicano do Povo (CHP), irá recorrer novamente ao Tribunal Constitucional alegando ilegalidade na repetição das eleições.
Erdoğan já fez saber que quer reformar o sistema eleitoral, e entregou hoje uma proposta no Parlamento. De acordo com o que revelou, logo após a decisão do tribunal, essas reformas incluem a eleição do Presidente da República por sufrágio universal, mandato presidencial de cinco anos renovável, no máximo de dois mandatos seguidos, em substituição do actual mandato único de sete anos e realização de eleições legislativas com quatro anos de intervalo e não cinco, como acontece actualmente. A serem aprovadas estas reformas, no dia 22 de Julho poderão realizar-se eleições presidenciais e legislativas. O maior partido da oposição (CHP) não é favorável a estas reformas.
Neste momento, a ambiguidade reside no facto de, por um lado, estarem programadas eleições antecipadas para 22 de Julho e, por outro, a repetição da primeira volta das presidenciais para o próximo Domingo.
No dia 16 de Maio termina o mandato do actual presidente da República, Ahmet Necdet Sezer, que já afirmou que irá manter-se em funções até que o novo presidente seja escolhido.
02 maio 2007
Prodi defende prudência na entrada da Turquia na UE
A entrada da Turquia na União Europeia será “um facto histórico”, mas para isso é preciso que a opinião pública europeia e turca estejam em sintonia, declarou hoje o primeiro-ministro italiano, Romano Prodi, durante um discurso no Parlamento português sobre o futuro da Europa.
"Eu fui a favor da entrada da Turquia", disse o primeiro-ministro italiano, referindo-se ao seu mandato como presidente da Comissão Europeia, "mas disse aos governantes turcos que, se fossem apressados, a solução seria mais difícil, especialmente depois do referendo francês que recusou a Constituição Europeia". "Acredito que será um facto histórico", prosseguiu Prodi, "que será realizado quando a opinião pública turca e a opinião pública europeia estiverem prontas para este grande passo em frente. Os factos actuais também parecem dar razão a esta perspectiva de prudência e seriedade".
(Fonte: ANSA)
Erdoğan nega ter criticado a decisão do Tribunal Constitucional
Erdoğan critica a decisão do Tribunal Constitucional
O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, classificou hoje, durante uma reunião com os elementos do seu partido, a anulação da primeira volta das eleições presidenciais por parte do Tribunal Constitucional como "um tiro contra a democracia".
Na mesma reunião, Erdoğan revelou que o seu partido (AKP) vai propor a realização de eleições presidenciais e legislativas antecipadas por sufrágio universal a 24 de Junho. "Queremos eleições a 24 de Junho. Se o Presidente não pode ser eleito no Parlamento, desejamos apresentar ambas as urnas à população para que elejam também directamente o Presidente", afirmou Erdoğan.
Entretanto, Bulent Arınç, o presidente do Parlamento, comunicou que lhe foi entregue hoje uma proposta de lei para a antecipação da data da realização das eleições legislativas para 24 de Junho próximo, inicialmente previstas para 4 de Novembro.
Nos meios de comunicação social turcos, sucedem-se as reações do governo e dos partidos da oposição à decisão do Tribunal Constitucional e as reações dos partidos da oposição às reações do governo. Se por um lado Erdoğan defende a realização de eleições antecipadas, por outro lado diz que quer nova ronda de eleições no Parlamento. Hoje, 2 de Maio, era o dia inicialmente previsto para a segunda volta das eleições, se a primeira não tivesse sido anulada ontem pelo Tribunal. Entretanto, foi apontado o dia 3 de Maio para o início da primeira de quatro rondas de votações, data que já foi alterada para 6 de Maio.
O partido de Recep Tayyip Erdoğan (AKP), detém uma maioria absoluta no parlamento, com 353 assentos, e com a eleição presidencial do seu candidato, Abdullah Gül, passaria a controlar os três postos mais importantes da República. Esperava-se que a 16 de Maio, um dia depois da quarta volta das presidenciais, o novo Presidente da República assumisse a chefia do Estado.
Uma maioria de dois terços do parlamento, que se traduz em pelo menos 367 votos, é necessária para as duas primeiras voltas, enquanto uma maioria simples, de pelo menos 276 votos, é suficiente para as seguintes.
Candidato presidencial defende sufrágio universal
"A decisão do Tribunal não é uma surpresa para mim, eu respeito-a. Para mim, a surpresa foi a declaração do exército", afirmou, aludindo ao aviso dos militares de que defenderão até às últimas consequências a laicidade do Estado.
"Uma sombra abateu-se sobre a Turquia e não devemos deixar que se agrave. Devemos chegar imediatamente a um acordo para que a população eleja directamente o presidente", defendeu Gül.
Governo anuncia intenção de reformar o sistema eleitoral
O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, anunciou ontem a intenção de reformar o sistema eleitoral para que o Presidente da República seja escolhido por sufrágio universal, após a crise provocada pela anulação da primeira volta das presidenciais.
"Ir ao encontro da nação é a melhor solução", declarou Erdoğan no âmbito de uma reunião de dirigentes do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), que ocorreu após a revelação do veredicto do Tribunal Constitucional.
Erdoğan declarou aos jornalistas que espera apresentar a proposta de reforma do sistema eleitoral para a presidência na actual sessão do parlamento, antes das eleições legislativas antecipadas que poderão realizar-se nos dias 24 de Junho ou 1 de Julho.
O primeiro-ministro turco propôs ainda um mandato presidencial de cinco anos renovável, no máximo de dois mandatos seguidos, em substituição do actual mandato único de sete anos.
A proposta defende ainda a realização de eleições legislativas com quatro anos de intervalo e não cinco, como acontece actualmente.






