11 abril 2007

BPI vê investimento da Cimpor na Turquia como "positivo"

Os analistas do Banco BPI consideram que as notícias de que a cimenteira nacional irá investir 100 milhões de euros este ano para construir uma nova fábrica na Turquia, de modo a aumentar a cua capacidade de produção em um milhão de toneladas por ano, como sendo benéficas para o papel da empresa.
Segundo o "Iberian Daily" de hoje do BPI, "a Cimpor tenciona aumentar a sua capacidade instalada das actuais 28 milhões de toneladas para 40 milhões de toneladas até 2011. Em relação a este projecto, não é claro se é parte dos planos de expansão anunciados quando adquiriu a companhia [turca], ou se se trata de um projecto inteiramente novo." "De qualquer modo", nota o BPI, "deverá ser um bom sinal, tendo em conta as perspectivas destas operações, permitindo à Cimpor diversificar a sua exposição e fornecer os mercados na região, em particular depois de algumas restrições (impostos) relativamente às exportações provenientes do Egipto," lê-se no texto do documento. O BPI relembra que, relativamente à actividade da Cimpor na Turquia, que a empresa "efectuou uma aquisição em Dezembro da empresa turca Yibitaş, tendo comprado uma participação de 99,7 por cento por 534 milhões de euros," considerando "uma boa decisão de um ponto de vista estratégico, e que foi visto como positivo pelo mercado."

(Fonte: Diário Económico)

Cimpor investe 100 milhões de euros para aumentar produção na Turquia

A cimenteira nacional vai investir 100 milhões de euros este ano na construção de uma nova fábrica na Turquia, de modo a reforçar a sua capacidade de produção em um milhão de toneladas. Em entrevista, o director executivo da empresa, Salavessa Moura, referiu que a Cimpor produz anualmente um total de 3,5 milhões de toneladas de cimento nas três fábricas que detém na Turquia. A nova unidade cimenteira vai iniciar a sua actividade em 2009, acrescentou o responsável. Ainda segundo Salavessa Moura, a empresa pretende aumentar a sua produção a nível global para 40 milhões de toneladas até 2011, face aos 28 milhões de toneladas de cimento previstos.

(Fonte: Diário Económico)

09 abril 2007

Onze militares turcos e um guarda local perderam a vida em confrontos com o PKK

Dez militares turcos e um guarda local morreram durante o fim-de-semana em confrontos com milícias do ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) em diferentes pontos do leste da Turquia.
O funeral de um dos militares, no domingo, na província oriental de Erzurum, reuniu dez mil pessoas que protestaram contra o PKK e pediram a renúncia do ministro do Interior, de origem curda, Abdülkadir Aksu.
Quanto às baixas conhecidas do PKK, o exército turco revelou que foram mortos durante o fim-de-semana quatro milicianos curdos numa zona rural da província de Tunceli, no centro da Anatólia.
Por outro lado, em Istambul, equipas de peritos fizeram explodir, no domingo, de forma controlada, na populosa Praça Taksim, um pacote que continha três quilos de explosivos.
Os jornais turcos indicam que o pacote-bomba foi abandonado na praça por um terrorista do PKK que pretendia atentar contra a celebração do aniversário da fundação da polícia turca, há 162 anos. Três suspeitos, dois homens e uma mulher, foram detidos por estarem eventualmente relacionados com o planeamento do atentado.
Noutro incidente em Istambul, um grupo de 15 simpatizantes do PKK lançou ontem coquetéis molotov contra a Direcção de Segurança do distrito de Beyoğlu, tendo sido detidos nove suspeitos.
O PKK, considerado uma organização terrorista pela Turquia, EUA e União Europeia, iniciou a luta armada em 1984 para reivindicar a autodeterminação dos mais de 15 milhões de Curdos da Turquia. Desde então, mais de 35 mil pessoas morreram no conflito. A Turquia alega que o PKK utiliza o Curdistão iraquiano para se abastecer de armamento.

(Fonte: EFE)

08 abril 2007

Português Neca em grande no Konyaspor

O Português Neca abriu caminho para a vitória do Konyaspor na recepção ao Ankaragücü, no encontro da 27.ª jornada do campeonato turco. O médio, cedido pelo Marítimo, tem-se assumido como titular e marcador oficial dos castigos máximos.
Ao minuto 36, o Konyaspor beneficiou de uma grande penalidade que Neca não desperdiçou, inaugurando a contagem. Eren viria a dilatar a vantagem da sua equipa.
Com este resultado, o emblema do jogador português saltou para o 6.º lugar da tabela classificativa, aproveitando as derrotas do Gençlerbirliği e do Sivasspor.

(Fonte: Mais Futebol)

07 abril 2007

Entrevista com o novo embaixador da Turquia em Portugal: Ömer Kaya Türkmen

2014 é a data que o embaixador da Turquia em Portugal aponta como provável para a adesão do seu país à União Europeia. Ancara é um dos mais antigos candidatos ao clube europeu, mas só em Outubro de 2005 viu o pedido atendido por Bruxelas.

O embaixador da Turquia em Portugal, Ömer Kaya Türkmen, argumenta que os entraves à adesão de Ancara são sobretudo "de ordem psicológica" e acrescenta que "se não houvessem todas estas questões de ordem política, do ponto de vista puramente técnico e económico, a Turquia poderia entrar na União Europeia dentro de três ou quatro anos".
A Turquia é hoje o candidato mais controverso. Não há consenso entre os países do núcleo duro da Europa. O respeito pelos direitos humanos, o embargo à República do Chipre e o reconhecimento do genocídio de Arménios, no início do século XX, são os obstáculos mais pesados.
Apesar das vozes dissonantes entre os 27, Türkmen diz que cabe à Turquia mostrar aos Europeus o que pode trazer de novo à velha Europa. O embaixador aponta que, para além da pouca vontade política de alguns governos, "é preciso convencer os cidadãos europeus de que não devem ter medo da entrada da Turquia".
A Turquia representa um mercado adicional de mais de 70 milhões de pessoas. Esta é, na visão do diplomata, a maior vantagem para a Europa.
Do ponto de vista geográfico, "a Turquia encontra-se na rota do abastecimento de energia para a Europa, por exemplo, o que constitui uma grande vantagem," aponta.
Por outro lado, Türkmen refere que "é chegada a hora da União criar uma ligação ao mundo islâmico". Este é provavelmente o ponto mais controverso para os governos europeus, que se dividem entre a preservação das raízes judaico-cristãs e aqueles que acreditam que a adesão de um estado islâmico seria uma mais-valia para a Europa. "Os outros países muçulmanos olhar-nos-iam como exemplo e, mais do que isso, a adesão da Turquia daria credibilidade à Europa."
Kaya Türmen desvaloriza as diferenças religiosas, com o argumento de que a "Turquia é o único Estado muçulmano laico e democrático". Para além disso, o embaixador diz que é necessário analisar a questão de outro prisma: "Sim, é verdade que os Europeus têm receio. Mas há 70 milhões de Turcos muçulmanos e eles não têm medo."

Direitos humanos: O eterno obstáculo

"Nos últimos anos a Turquia desenvolveu muito a legislação ao nível do respeito pelos direitos humanos. Mas ainda há muito a fazer ao nível da aplicação dessas leis."
Kaya Türkmen rejeita a ideia de que o respeito pelo direito internacional continue a ser um obstáculo à adesão. Aponta que "a Turquia cumpre todos os critérios de Copenhaga ao nível dos direitos humanos, do Estado de direito e da democracia".
Ainda assim, o histórico de violação de direitos humanos na Turquia não ajuda a que os responsáveis europeus tenham confiança na vontade de Ancara em cumprir à risca as recomendações vindas de Bruxelas. O embaixador alerta que "a mudança de mentalidades não ocorre da noite para o dia", e admite que "ainda há muito trabalho a fazer para mudar a forma de pensar, por exemplo, dos juízes e dos polícias".
A ensombrar ainda mais as negociações da adesão, está o embargo contínuo à ilha de Chipre. A Turquia vai ter de tomar uma posição se quiser ver o fim do problema. Este é, pelo menos, o aviso que ecoa em Bruxelas e em Berlim.
A ilha de Chipre está partida ao meio. O lado grego faz hoje parte da União Europeia, e o lado turco está, segundo Ancara, numa situação injusta. O diplomata acusa os Cipriotas gregos de falta de vontade política na reunificação da ilha.

Contas do passado


Injusta é também a situação que opõe duas versões da história, pelo menos da perspectiva turca. Ancara não aceita a classificação de genocídio para o que aconteceu em 1915 na Arménia. A falta de provas para o que sucedeu no início do século XX impede uma classificação final que esteja de acordo com a Convenção das Nações Unidas para o genocídio. Mesmo assim, a comunidade internacional, quase em uníssono, coloca-se do lado dos Arménios e endorsa a versão da história que conta uma limpeza étnica.
Também aqui, o embaixador remete para a falta de vontade dos adversários em encontrar uma solução viável, que agrade a ambos os lados. "Propusemos a criação de uma comissão internacional de académicos para averiguação dos factos. Não estão interessados. Isto porque o mundo inteiro parece ter aceite que o que se passou foi um genocídio. Os Arménios tiram partido desta situação em termos políticos. Porquê mudar os factos? França e Suíça são alguns dos países que chegaram mesmo a criminalizar a negação do genocídio arménio. Na mesma linha, o Parlamento Europeu já avisou que se vai opor à adesão de Ancara, até que a Turquia assuma os erros do passado."

(Fonte: Diário da Europa)

04 abril 2007

Turquia destaca-se no turismo de saúde

A construção, desde a antiguidade, de várias infra-estruturas termais na Anatólia, tem despertado a atenção de muitos turistas para esse produto. O ministério da Cultura e Turismo vai mesmo lançar um programa de desenvolvimento e captação de visitantes que pretendam desfrutar das qualidades que a Turquia oferece no turismo de saúde, devido às suas termas naturais. O projecto prevê ainda que em 2023, a Turquia se consagre como o destino número um mundial, no que diz respeito a esta variante do turismo.
De acordo com os seus responsáveis governamentais, "irão haver melhoramentos nas regiões que possuam termas naturais, para que possam atrair ainda mais visitantes. Nestes destinos iremos construir unidades para a prática de desportos náuticos, golfe, entre outros." Segundo o ministério da Cultura e Turismo, até 2023 existirão mais de 500 mil camas nestes locais.

(Fonte: Publituris)

02 abril 2007

José Sócrates reitera o apoio português à entrada da Turquia na União Europeia

A imprensa turca dá conta de declarações proferidas pelo primeiro-ministro português, José Sócrates, na passada sexta-feira, em que disse ser contra a aplicação de condições adicionais para a adesão da Turquia à União Europeia. “Nenhumas condições especiais devem ser aplicadas à Turquia, nem mais nem menos. Eu chamo a isso justiça e lealdade. A Turquia tem obviamente interesse em tornar-se membro da União Europeia, mas a União Europeia também tem interesses na adesão da Turquia,” disse Sócrates, durante o encontro com o presidente do Parlamento turco, Bülent Arınç.
Disse ainda que Portugal apoia o alargamento da União Europeia. “Nós somos leais nesta matéria e queremos que a Turquia se torne membro da União Europeia, depois de ter superado todos os requisitos.”
De acordo com Sócrates, as relações entre o Ocidente e o Islão serão o problema mais importante a ser abordado durante a presidência portuguesa da União Europeia. “Iremos depois especificar as nossas prioridades e levar a cabo diálogos com os países islâmicos moderados do Mediterrâneo. Digo claramente que a Turquia deverá estar connosco. Queremos que as negociações com a Turquia sejam concluídas com sucesso.”
Arınç disse que foi Portugal quem deu o maior apoio às aspirações turcas de entrada na União Europeia e expressou esperança na presidência portuguesa.

01 abril 2007

Bülent Arınç: "Europa não é clube cristão e permanece prioridade turca"

Bülent Arınç, o presidente da Grande Assembleia Nacional da Turquia, esteve em Lisboa. O destino da Turquia é a Europa, garantiu.

No dia em que falou em Lisboa com o "Público", em Bruxelas, os representantes dos estados membros retomavam finalmente as negociações de adesão com a Turquia. Uma boa notícia no meio do duche escocês a que a União tem sujeitado Ancara nos últimos meses, com a multiplicação de sinais contraditórios, mais negativos do que positivos, sobre o seu lugar na Europa. Nada parece, no entanto, perturbar as certezas do presidente da Grande Assembleia Nacional da Turquia, Bülent Arınç, membro do partido islamita moderado no poder, o Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP). O seu percurso político acompanha, aliás, a história conturbada dos islamitas moderados, num país com uma tradição política ferozmente secular. Eleito deputado pelo Partido da Prosperidade (Reffah), que liderou um Governo efémero em 1996, para ser destituído pelos militares por atentar contra a identidade secular da Turquia. Foi de novo eleito pelo seu "filho", o mais moderado Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan, no poder desde 2002 e que detém uma imensa maioria parlamentar.
A necessidade de tradução simultânea (do Inglês para o Turco e vice-versa) torna as suas certezas ainda mais absolutas. Respostas breves e de acordo com as posições oficiais da Turquia. A opção estratégica pela Europa "é de há muitos anos e não vai mudar". A Europa "não é um clube cristão", seja o que for que a chanceler Merkel ou o Papa digam sobre isso. Apesar do refluxo provocado pelas humilhações europeias, a opinião pública "regressará ao antigo entusiasmo pela adesão da Turquia". Aliás, Arınç não atribui apenas às hesitações e às contradições da União a efervescência nacionalista e extremista que tem marcado a vida política turca nos tempos mais recentes. Diz que se trata apenas "de forças marginais", sem grande expressão na opinião pública. Explica-as também pela confluência de inúmeros factores: "Chipre, o agravamento do conflito israelo-palestiniano, o Iraque e, claro, a questão do alegado genocídio arménio." Tudo isto, afirma, alimenta uma atitude negativa", que não é apenas em relação à Europa, mas também aos Estados Unidos." O último episódio que irritou Ancara foi a ausência de convite para as celebrações do Tratado de Roma em Berlim, no fim-de-semana passado. O chefe da diplomacia turca, Abdullah Gül, acusou a União de não olhar para o futuro. O primeiro-ministro Erdoğan foi mais duro: "Se a União Europeia tem pensamentos negativos sobre a Turquia, então devia tomar desde logo as suas decisões em conformidade, para que nós possamos continuar no nosso próprio caminho." "Teria sido desejável que a Turquia, como país candidato e já a negociar a adesão, tivesse sido convidada," diz Arınç. Lembra que ele próprio esteve presente nas celebrações de Roma, organizadas pelo Senado italiano, onde discursou. Mas não se deixa cair na tentação, implícita nas palavras de Erdoğan, de Ancara resolver um dia destes inverter a marcha em direcção à Europa e começar a olhar mais para leste. O que lhe interessa sublinhar é o papel da Turquia como "ponte", como "intermediário", mesmo nos casos em que o diálogo parece impossível, como em relação ao Irão. Primeiro, lembra que a Turquia alinha com os países europeus nas decisões internacionais. "O Irão é um país vizinho. A Turquia cumpre as resoluções do Conselho de Segurança da ONU. Dizemos sempre às autoridades iranianas que, embora favorecendo a utilização pacífica do nuclear, eles devem cumprir as determinações internacionais e agir com transparência." Dá o exemplo dos 15 marines britânicos capturados pelo Irão no dia 23. "O primeiro-ministro [Erdoğan] esteve na cimeira da Liga Árabe em Riad [na quarta-feira] e esforçou-se por negociar a libertação imediata dos marines britânicos." Mas regressa sempre à casa de partida: "A opção turca pela Europa não vai mudar. As dificuldades das negociações acontecem connosco mas também com outros candidatos. Não vamos abrandar a nossa determinação e ultrapassaremos todos os obstáculos." Lembra o longo caminho percorrido pela Turquia para adaptar a sua legislação aos padrões exigidos pela UE em matéria de democracia, direitos humanos e direitos das minorias. "Mais de 40 artigos da Constituição e cerca de uma centena de leis já foram alterados," diz. "Em termos de legislação, já não há muito mais a fazer." Garante que o polémico artigo 301 do Código Penal, que criminaliza os ataques à identidade nacional turca, estará revisto dentro de meses. É ao abrigo deste artigo que os tribunais têm julgado, e por vezes condenado, intelectuais, escritores e jornalistas, nomeadamente sempre que invocam a questão do genocídio arménio. Finalmente, recusa-se a comentar o facto mais controverso da vida política turca: se Tayyip Erdoğan se vai ou não candidatar à presidência da República. Para os sectores seculares que desconfiam dos verdadeiros objectivos dos islamitas moderados, tal significaria a concentração total de poderes nas suas mãos. O actual presidente, Ahmet Sezer, representa os sectores secularistas e é olhado como um "moderador" das tentações mais radicais dos islamitas. Para Bülent Arınç, ele próprio considerado um potencial candidato, ainda é cedo para saber como vai ser. Meio a rir, meio a sério, diz que 16 de Abril será o dia da clarificação.

(Fonte: Público)

Visita oficial do presidente do Parlamento turco a Portugal


O presidente do Parlamento turco, Bülent Arınç, efectuou uma visita oficial a Portugal, a convite do seu homólogo português, Jaime Gama.
Bülent Arınç revelou à imprensa turca que esta deslocação a Portugal constitui também uma resposta à visita que Mota Amaral fez à Turquia em 2004, acrescentando tratar-se da primeira visita a Portugal de um presidente do Parlamento turco. Disse que as relações entre a Turquia e Portugal são muito boas, acrescentando que “não existe nenhum problema entre nós. As nossas relações em termos económicos, culturais e militares estão a desenvolver-se de forma agradável. Por outro lado, Portugal é o país que mais apoia as negociações entre a Turquia e a União Europeia, vai presidir à União Europeia a partir de Julho, o que revela a nossa amizade e o facto de sermos aliados.”
No dia 29, Arınç foi recebido por Jaime Gama na Assembleia da República e também pelo primeiro-ministro português, José Sócrates, na sua residência oficial. No dia seguinte, foi recebido pelo presidente da República portuguesa, Aníbal Cavaco Silva, no Palácio Nacional de Belém.

30 março 2007

O ministro turco da Cultura e Turismo sobre a inauguração de uma igreja arménia


O ministro da Cultura e Turismo, Atilla Koç, disse que o Governo turco, ao restaurar a Igreja de Aktamar, agiu em conformidade com a sua responsabilidade de proteger a herança histórica e cultural. Disse também que neste Verão as obras de consolidação das fundações da pequena e da grande igreja das ruínas históricas de Ani, localizadas na fronteira turco-arménia, perto de Kars, vão ser retomadas. Segundo o ministro, apesar dos repetidos pedidos da Turquia, a Arménia continua a operar uma pedreira no lado arménio da fronteira, ameaçando a estabilidade das ruínas de Ani.
Sublinhando que a Turquia tem uma grande riqueza cultural, e que ao longo da sua história os locais de culto de outras religiões foram sempre respeitados, Koç destacou que em vez de se considerar Ani como um “gesto relativamente à Arménia”, deveria antes pensar-se num esforço do Governo em levar a cabo a sua responsabilidade de proteger a herança histórica e cultural da Anatólia.
Sobre a recente controvérsia relativa à cruz original de pedra da igreja que ainda não foi colocada no local original, ou seja, no topo da igreja arménia de Aktamar, o ministro Koç diz que “isso não é um grande problema. Eu não posso dizer que vamos ter a cruz aqui amanhã, mas não vejo nenhum problema nisso. Essa questão só foi levantada há alguns dias, e ainda não foi avaliada por um conselho académico. Dêem-lhes tempo para discutirem esse assunto. Mas, em princípio eu não vejo razão para que não se tenha a cruz restaurada no topo da igreja, se sem ela a mesma ficar incompleta. Podemos nós aceitar não termos o crescente nas nossas mesquitas?”
O ministro sublinhou também que o restauro da igreja não se tratou de um gesto relativamente à Arménia. A abertura da igreja arménia da Cruz Sagrada na ilha de Aktamar, é entendida como um exercício de boa vontade, um esforço para mostrar que a Turquia não tem má vontade relativamente aos Arménios apesar dos muitos problemas políticos, disse o ministro.
“Eu tenho muitos amigos arménios e gregos dos meus tempos de escola, e sinto-me próximo da sua cultura,” disse Koç. “Nós não temos problemas com os Arménios da Turquia, o nosso problema é com os Arménios da diáspora.”
O restauro desta igreja foi rodeado de controvérsia, num momento em que o Congresso americano e outros estão a pressionar a Turquia a aceitar o alegado genocídio, as mortes e as deportações de grande parte da comunidade étnica arménia da Anatólia otomana. Por outro lado, a abertura desta igreja só aconteceu dois meses após o assassínio do jornalista turco-arménio Hrant Dink, um assassínio ainda com muitas questões por resolver.
Koç tornou claro estar a fazer o seu melhor para preservar as diversas heranças e tradições da Turquia, e para manter o sagrado afastado da política. “Nós permaneceremos ao lado da nossa riqueza cultural, sem olhar a que religião pertence,” disse. Referiu que a Turquia está a gastar e gastou largos recursos em restauros de sítios históricos, enquanto recuperações similares de mesquitas e de outros sítios muçulmanos na Grécia permanecem arruinados. Koç defende em particular o seu ministério, dizendo que está actualmente a conduzir trabalhos em 806 antigos teatros e sítios arqueológicos, que incluem muitas ruínas das culturas arménia e grega. “Todas as religiões e sítios religiosos são importantes para mim. Nós respeitamos todas as religiões, mesmo as pagãs,” disse o ministro, acrescentando que os artefactos históricos que decoram a Anatólia não são só uma herança para os Túrquicos, mas para toda a humanidade, e que o Governo decidiu assumir as suas responsabilidades.

Foi inaugurada como museu a igreja arménia de Aktamar


Depois de longos trabalhos de restauro, foi inaugurada como museu a igreja arménia Surb Khach (Igreja da Cruz Sagrada), localizada na pequena ilha de Aktamar, em Van, no sudeste da Turquia.
O restauro da Igreja de Aktamar e a sua inauguração tornou-se um assunto controverso, por causa das sensibilidades nacionalistas na Turquia e pelos pedidos da diáspora arménia para a sua abertura como local de culto e não como museu.
Mesmo na véspera da sua inauguração pelo ministro da Cultura, Atilla Koç, grupos ultra-nacionalistas organizaram um pequeno protesto em Van e clamaram que o partido do Governo (AKP), se tinha rendido às pressões americanas e arménias, restaurando e reabrindo a igreja.
Mais de 300 convidados, compostos por dignatários nacionais e estrangeiros, nomeadamente o ministro da Cultura arménio, Gagik Gyurgian, assim como o patriarca Mesrob II, líder espiritual da comunidade ortodoxa arménia na Turquia, e líderes de missões de muitas embaixadas creditadas em Ancara, compareceram à cerimónia de inauguração, que começou com um concerto de Tuluyhan Uğurlu.
Durante a cerimónia, o director dos trabalhos de restauro, Cahit Zeydanlı, foi agraciado pelo ministro turco da Cultura com uma placa.
Construído em 915-921, durante o reinado de Gagik I de Vaspurakan, este edifício é considerado um exemplar único da arquitectura arménia. No entanto, após o seu restauro, a igreja da Cruz Sagrada não apresenta a cruz de pedra que originalmente tinha no topo, nem o sino no campanário. Relativamente ao sino, o original está no museu arménio, na cidade iraniana de Tabriz. A ausência da cruz tem levantado alguma polémica.
Um enviado do Vaticano, assim como o patriarca Mesrob II, o líder espiritual da comunidade arménia ortodoxa na Turquia, elogiaram o restauro e inauguração da igreja, que disseram ser um passo que irá contribuir grandemente para a causa da paz e irmandade que todas as religiões têm tentado promover.
O patriarca disse ter pedido ao Governo para colocar a cruz de pedra original da igreja no topo da mesma, e para reconsiderar a abertura da igreja ao culto uma vez por ano, talvez no âmbito das festividades anuais de Aktamar, para que as pessoas possam pelo menos rezar por aqueles que contribuiram para a construção da igreja histórica. Disse que a reabertura da igreja depois de 90 anos é um evento cultural muito importante, e que Aktamar pode ser um importante pólo turístico e uma oportunidade importante de diálogo entre a Turquia e a Arménia.
Os dignatários da Arménia presentes na cerimónia, entraram na igreja com pequenas bandeiras arménias. Alguns dos convidados arménios benzeram-se no final da cerimónia, colocaram dezenas de velas que trouxeram da Arménia em várias partes da igreja e queimaram incenso. Por outro lado, quando o presidente da Câmara fez declarações, não disse qualquer palavra de boas-vindas ao ministro da Cultura arménio, Gagik Gürciyan, e ao patriarca arménio na Turquia. Ninguém da delegação Arménia foi chamada a intervir na cerimónia.
O ministro da Cultura da Arménia, revelou que uma mesquita antiga turca, em Yerevan ou noutra cidade, será restaurada como resposta a esta generosidade. Esta mensagem foi transmitida ao ministro turco da Cultura no dia da reabertura da igreja.
O ministro da Cultura da Arménia, disse que a reabertura da igreja de Aktamar, mesmo como museu, será um elemento que vai contribuir para a criação de uma atmosfera de confiança entre a Arménia e a Turquia.

24 março 2007

Mina do PKK mata três soldados turcos em Diyarbakır

Três soldados turcos foram mortos ontem e outros dois ficaram feridos, devido à explosão de uma mina colocada pelo grupo terrorista PKK na vila de Dicle, localizada na área sudeste da província de Diyarbakır.
Os soldados foram mortos durante confrontos com membros do ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), e outros dois ficaram feridos no mesmo confonto. No entanto, continuam as operações militares de larga escala na região.
Desde 1984 que o PKK tem vindo a desenvolver uma luta armada, que tem como objectivo a criação de um território étnico no sudeste da Turquia. Esta luta já causou a morte a mais de 30 000 pessoas.
Os acontecimentos de ontem seguiram-se às celebrações pacíficas do festival da Primavera de Nevruz. Este festival tem sido utilizado nos últimos tempos como palco de comícios políticos por simpatizantes do PKK.

22 março 2007

Novo embaixador da Turquia em Portugal: Ömer Kaya Türkmen

O presidente da República portuguesa, Aníbal Cavaco Silva, recebeu ontem as cartas credenciais de novos embaixadores em Portugal, nomeadamente do embaixador da Turquia, Ömer Kaya Türkmen, que assumiu o cargo em Janeiro deste ano.

21 março 2007

Turquia descontente por não ter sido convidada para o aniversário da União Europeia

O ministério dos Negócios Estrangeiros criticou a presidência alemã da União Europeia por não ter convidado os países candidatos à adesão para o aniversário do Tratado de Roma, dizendo ter-se perdido uma oportunidade para mostrar uma família europeia.
Numa declaração escrita, o porta-voz do ministro dos Negócios Estrangeiros, Levent Bilman, disse que se a Alemanha tivesse convidado todos os candidatos para participarem nas actividades do aniversário, teria sido um acto "significativo para mostrar a integridade da família Europeia.”
O embaixador da Alemanha na Turquia, Eckart Cuntz, disse que nenhum dos países candidatos foi convidado para a cerimónia, e que só líderes de Estado e de Governo dos países membros da União Europeia iriam participar.
No princípio deste mês, já se tinha sentido o desapontamento na Turquia, quando o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, não foi convidado para a celebração do 50.º aniversário do Tratado de Roma, planeado para o dia 25 de Março em Berlim.

18 março 2007

A plataforma Abant abordou o alevismo


A 13.ª Plataforma Abant, uma conferência onde intelectuais de diferentes áreas se reunem para encontrar um consenso relativamente a assuntos nacionais e internacionais, teve lugar no passado fim-de-semana para abordar vários aspectos do alevismo.
A plataforma, que acredita que os assuntos relativos à identidade na Turquia se encontram estanques devido a falta de informação e confusão, discutiu o alevismo em todas as suas vertentes. O alevismo é um ramo xiita do islamismo, praticado maioritariamente na Turquia.
O tema do encontro, "Dimensões Históricas, Culturais, Etnográficas e Contemporâneas do Alevismo", juntou intelectuais peritos nessas temáticas, representantes da Associação Alevi-Bektaşi (uma sub-seita do alevismo), assim como membros do Governo, tanto da Turquia como da Europa.
Foram abordados aspectos históricos, teológicos e sócio-culturais do alevismo, assim como as suas problemáticas actuais.
A plataforma, deu aos representantes alevitas a possibilidade de ouvir as necessidades e preocupações da comunidade alevita, e espera facilitar a avaliação e o início da abordagem destes temas. De igual modo, deu ênfase à necessidade de recursos informativos, analíticos e intelectuais para o diálogo entre diferentes grupos de fé, em conjunto com iniciativas que promovam empatia e compreensão.

12 março 2007

Sector da saúde em protesto


Cerca de 10 000 profissionais de saúde reuniram-se ontem em Ancara, em protesto contra as políticas do Governo relativas à saúde.
Integraram a manifestação representantes de vários sindicativos ligados à saúde, estudantes de medicina e representantes de clínicas locais. Empunharam cartazes onde se podia ler “saúde é direito”, “criem um orçamento para a saúde e não para o Fundo Monetário Internacional” e “FMI faz mal à saúde”.
A polícia adoptou intensas medidas de segurança durante a marcha de protesto, mas ocorreram pequenos incidentes.
Gençay Gürsoy, presidente do Sindicato dos Médicos Turcos, apelou aos cidadãos para não se deslocarem aos hospitais no dia 14 de Março, dia da Medicina. Disse também que iriam manifestar-se na quarta-feira pelo direito público à saúde e pelos direitos dos profissionais de saúde. No entanto, estará assegurado o atendimento de todos os casos urgentes.
Relativamente à lei dos médicos estrangeiros, teceu críticas às declarações feitas pelo primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdoğan, que disse acreditar na necessidade de uma lei para os médicos estrangeiros. Por outro lado, elogiou o veto de alguns artigos por parte do presidente da República, incluindo os relativos à questão dos médicos estrangeiros.
Na semana passada, a Comissão Parlamentar para a Saúde revelou que iria proceder à alteração da lei que permitia aos médicos estrangeiros trabalharem na Turquia, acrescentando que a comissão foi persuadida pelos argumentos avançados pelo presidente Ahmet Necdet Sezer quando vetou essa lei.
A lei relativa aos médicos estrangeiros, entretanto vetada pelo presidente da República, caso fosse promulgada, iria permitir que os médicos estrangeiros pudessem trabalhar livremente na Turquia.