02 abril 2007

José Sócrates reitera o apoio português à entrada da Turquia na União Europeia

A imprensa turca dá conta de declarações proferidas pelo primeiro-ministro português, José Sócrates, na passada sexta-feira, em que disse ser contra a aplicação de condições adicionais para a adesão da Turquia à União Europeia. “Nenhumas condições especiais devem ser aplicadas à Turquia, nem mais nem menos. Eu chamo a isso justiça e lealdade. A Turquia tem obviamente interesse em tornar-se membro da União Europeia, mas a União Europeia também tem interesses na adesão da Turquia,” disse Sócrates, durante o encontro com o presidente do Parlamento turco, Bülent Arınç.
Disse ainda que Portugal apoia o alargamento da União Europeia. “Nós somos leais nesta matéria e queremos que a Turquia se torne membro da União Europeia, depois de ter superado todos os requisitos.”
De acordo com Sócrates, as relações entre o Ocidente e o Islão serão o problema mais importante a ser abordado durante a presidência portuguesa da União Europeia. “Iremos depois especificar as nossas prioridades e levar a cabo diálogos com os países islâmicos moderados do Mediterrâneo. Digo claramente que a Turquia deverá estar connosco. Queremos que as negociações com a Turquia sejam concluídas com sucesso.”
Arınç disse que foi Portugal quem deu o maior apoio às aspirações turcas de entrada na União Europeia e expressou esperança na presidência portuguesa.

01 abril 2007

Bülent Arınç: "Europa não é clube cristão e permanece prioridade turca"

Bülent Arınç, o presidente da Grande Assembleia Nacional da Turquia, esteve em Lisboa. O destino da Turquia é a Europa, garantiu.

No dia em que falou em Lisboa com o "Público", em Bruxelas, os representantes dos estados membros retomavam finalmente as negociações de adesão com a Turquia. Uma boa notícia no meio do duche escocês a que a União tem sujeitado Ancara nos últimos meses, com a multiplicação de sinais contraditórios, mais negativos do que positivos, sobre o seu lugar na Europa. Nada parece, no entanto, perturbar as certezas do presidente da Grande Assembleia Nacional da Turquia, Bülent Arınç, membro do partido islamita moderado no poder, o Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP). O seu percurso político acompanha, aliás, a história conturbada dos islamitas moderados, num país com uma tradição política ferozmente secular. Eleito deputado pelo Partido da Prosperidade (Reffah), que liderou um Governo efémero em 1996, para ser destituído pelos militares por atentar contra a identidade secular da Turquia. Foi de novo eleito pelo seu "filho", o mais moderado Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan, no poder desde 2002 e que detém uma imensa maioria parlamentar.
A necessidade de tradução simultânea (do Inglês para o Turco e vice-versa) torna as suas certezas ainda mais absolutas. Respostas breves e de acordo com as posições oficiais da Turquia. A opção estratégica pela Europa "é de há muitos anos e não vai mudar". A Europa "não é um clube cristão", seja o que for que a chanceler Merkel ou o Papa digam sobre isso. Apesar do refluxo provocado pelas humilhações europeias, a opinião pública "regressará ao antigo entusiasmo pela adesão da Turquia". Aliás, Arınç não atribui apenas às hesitações e às contradições da União a efervescência nacionalista e extremista que tem marcado a vida política turca nos tempos mais recentes. Diz que se trata apenas "de forças marginais", sem grande expressão na opinião pública. Explica-as também pela confluência de inúmeros factores: "Chipre, o agravamento do conflito israelo-palestiniano, o Iraque e, claro, a questão do alegado genocídio arménio." Tudo isto, afirma, alimenta uma atitude negativa", que não é apenas em relação à Europa, mas também aos Estados Unidos." O último episódio que irritou Ancara foi a ausência de convite para as celebrações do Tratado de Roma em Berlim, no fim-de-semana passado. O chefe da diplomacia turca, Abdullah Gül, acusou a União de não olhar para o futuro. O primeiro-ministro Erdoğan foi mais duro: "Se a União Europeia tem pensamentos negativos sobre a Turquia, então devia tomar desde logo as suas decisões em conformidade, para que nós possamos continuar no nosso próprio caminho." "Teria sido desejável que a Turquia, como país candidato e já a negociar a adesão, tivesse sido convidada," diz Arınç. Lembra que ele próprio esteve presente nas celebrações de Roma, organizadas pelo Senado italiano, onde discursou. Mas não se deixa cair na tentação, implícita nas palavras de Erdoğan, de Ancara resolver um dia destes inverter a marcha em direcção à Europa e começar a olhar mais para leste. O que lhe interessa sublinhar é o papel da Turquia como "ponte", como "intermediário", mesmo nos casos em que o diálogo parece impossível, como em relação ao Irão. Primeiro, lembra que a Turquia alinha com os países europeus nas decisões internacionais. "O Irão é um país vizinho. A Turquia cumpre as resoluções do Conselho de Segurança da ONU. Dizemos sempre às autoridades iranianas que, embora favorecendo a utilização pacífica do nuclear, eles devem cumprir as determinações internacionais e agir com transparência." Dá o exemplo dos 15 marines britânicos capturados pelo Irão no dia 23. "O primeiro-ministro [Erdoğan] esteve na cimeira da Liga Árabe em Riad [na quarta-feira] e esforçou-se por negociar a libertação imediata dos marines britânicos." Mas regressa sempre à casa de partida: "A opção turca pela Europa não vai mudar. As dificuldades das negociações acontecem connosco mas também com outros candidatos. Não vamos abrandar a nossa determinação e ultrapassaremos todos os obstáculos." Lembra o longo caminho percorrido pela Turquia para adaptar a sua legislação aos padrões exigidos pela UE em matéria de democracia, direitos humanos e direitos das minorias. "Mais de 40 artigos da Constituição e cerca de uma centena de leis já foram alterados," diz. "Em termos de legislação, já não há muito mais a fazer." Garante que o polémico artigo 301 do Código Penal, que criminaliza os ataques à identidade nacional turca, estará revisto dentro de meses. É ao abrigo deste artigo que os tribunais têm julgado, e por vezes condenado, intelectuais, escritores e jornalistas, nomeadamente sempre que invocam a questão do genocídio arménio. Finalmente, recusa-se a comentar o facto mais controverso da vida política turca: se Tayyip Erdoğan se vai ou não candidatar à presidência da República. Para os sectores seculares que desconfiam dos verdadeiros objectivos dos islamitas moderados, tal significaria a concentração total de poderes nas suas mãos. O actual presidente, Ahmet Sezer, representa os sectores secularistas e é olhado como um "moderador" das tentações mais radicais dos islamitas. Para Bülent Arınç, ele próprio considerado um potencial candidato, ainda é cedo para saber como vai ser. Meio a rir, meio a sério, diz que 16 de Abril será o dia da clarificação.

(Fonte: Público)

Visita oficial do presidente do Parlamento turco a Portugal


O presidente do Parlamento turco, Bülent Arınç, efectuou uma visita oficial a Portugal, a convite do seu homólogo português, Jaime Gama.
Bülent Arınç revelou à imprensa turca que esta deslocação a Portugal constitui também uma resposta à visita que Mota Amaral fez à Turquia em 2004, acrescentando tratar-se da primeira visita a Portugal de um presidente do Parlamento turco. Disse que as relações entre a Turquia e Portugal são muito boas, acrescentando que “não existe nenhum problema entre nós. As nossas relações em termos económicos, culturais e militares estão a desenvolver-se de forma agradável. Por outro lado, Portugal é o país que mais apoia as negociações entre a Turquia e a União Europeia, vai presidir à União Europeia a partir de Julho, o que revela a nossa amizade e o facto de sermos aliados.”
No dia 29, Arınç foi recebido por Jaime Gama na Assembleia da República e também pelo primeiro-ministro português, José Sócrates, na sua residência oficial. No dia seguinte, foi recebido pelo presidente da República portuguesa, Aníbal Cavaco Silva, no Palácio Nacional de Belém.

30 março 2007

O ministro turco da Cultura e Turismo sobre a inauguração de uma igreja arménia


O ministro da Cultura e Turismo, Atilla Koç, disse que o Governo turco, ao restaurar a Igreja de Aktamar, agiu em conformidade com a sua responsabilidade de proteger a herança histórica e cultural. Disse também que neste Verão as obras de consolidação das fundações da pequena e da grande igreja das ruínas históricas de Ani, localizadas na fronteira turco-arménia, perto de Kars, vão ser retomadas. Segundo o ministro, apesar dos repetidos pedidos da Turquia, a Arménia continua a operar uma pedreira no lado arménio da fronteira, ameaçando a estabilidade das ruínas de Ani.
Sublinhando que a Turquia tem uma grande riqueza cultural, e que ao longo da sua história os locais de culto de outras religiões foram sempre respeitados, Koç destacou que em vez de se considerar Ani como um “gesto relativamente à Arménia”, deveria antes pensar-se num esforço do Governo em levar a cabo a sua responsabilidade de proteger a herança histórica e cultural da Anatólia.
Sobre a recente controvérsia relativa à cruz original de pedra da igreja que ainda não foi colocada no local original, ou seja, no topo da igreja arménia de Aktamar, o ministro Koç diz que “isso não é um grande problema. Eu não posso dizer que vamos ter a cruz aqui amanhã, mas não vejo nenhum problema nisso. Essa questão só foi levantada há alguns dias, e ainda não foi avaliada por um conselho académico. Dêem-lhes tempo para discutirem esse assunto. Mas, em princípio eu não vejo razão para que não se tenha a cruz restaurada no topo da igreja, se sem ela a mesma ficar incompleta. Podemos nós aceitar não termos o crescente nas nossas mesquitas?”
O ministro sublinhou também que o restauro da igreja não se tratou de um gesto relativamente à Arménia. A abertura da igreja arménia da Cruz Sagrada na ilha de Aktamar, é entendida como um exercício de boa vontade, um esforço para mostrar que a Turquia não tem má vontade relativamente aos Arménios apesar dos muitos problemas políticos, disse o ministro.
“Eu tenho muitos amigos arménios e gregos dos meus tempos de escola, e sinto-me próximo da sua cultura,” disse Koç. “Nós não temos problemas com os Arménios da Turquia, o nosso problema é com os Arménios da diáspora.”
O restauro desta igreja foi rodeado de controvérsia, num momento em que o Congresso americano e outros estão a pressionar a Turquia a aceitar o alegado genocídio, as mortes e as deportações de grande parte da comunidade étnica arménia da Anatólia otomana. Por outro lado, a abertura desta igreja só aconteceu dois meses após o assassínio do jornalista turco-arménio Hrant Dink, um assassínio ainda com muitas questões por resolver.
Koç tornou claro estar a fazer o seu melhor para preservar as diversas heranças e tradições da Turquia, e para manter o sagrado afastado da política. “Nós permaneceremos ao lado da nossa riqueza cultural, sem olhar a que religião pertence,” disse. Referiu que a Turquia está a gastar e gastou largos recursos em restauros de sítios históricos, enquanto recuperações similares de mesquitas e de outros sítios muçulmanos na Grécia permanecem arruinados. Koç defende em particular o seu ministério, dizendo que está actualmente a conduzir trabalhos em 806 antigos teatros e sítios arqueológicos, que incluem muitas ruínas das culturas arménia e grega. “Todas as religiões e sítios religiosos são importantes para mim. Nós respeitamos todas as religiões, mesmo as pagãs,” disse o ministro, acrescentando que os artefactos históricos que decoram a Anatólia não são só uma herança para os Túrquicos, mas para toda a humanidade, e que o Governo decidiu assumir as suas responsabilidades.

Foi inaugurada como museu a igreja arménia de Aktamar


Depois de longos trabalhos de restauro, foi inaugurada como museu a igreja arménia Surb Khach (Igreja da Cruz Sagrada), localizada na pequena ilha de Aktamar, em Van, no sudeste da Turquia.
O restauro da Igreja de Aktamar e a sua inauguração tornou-se um assunto controverso, por causa das sensibilidades nacionalistas na Turquia e pelos pedidos da diáspora arménia para a sua abertura como local de culto e não como museu.
Mesmo na véspera da sua inauguração pelo ministro da Cultura, Atilla Koç, grupos ultra-nacionalistas organizaram um pequeno protesto em Van e clamaram que o partido do Governo (AKP), se tinha rendido às pressões americanas e arménias, restaurando e reabrindo a igreja.
Mais de 300 convidados, compostos por dignatários nacionais e estrangeiros, nomeadamente o ministro da Cultura arménio, Gagik Gyurgian, assim como o patriarca Mesrob II, líder espiritual da comunidade ortodoxa arménia na Turquia, e líderes de missões de muitas embaixadas creditadas em Ancara, compareceram à cerimónia de inauguração, que começou com um concerto de Tuluyhan Uğurlu.
Durante a cerimónia, o director dos trabalhos de restauro, Cahit Zeydanlı, foi agraciado pelo ministro turco da Cultura com uma placa.
Construído em 915-921, durante o reinado de Gagik I de Vaspurakan, este edifício é considerado um exemplar único da arquitectura arménia. No entanto, após o seu restauro, a igreja da Cruz Sagrada não apresenta a cruz de pedra que originalmente tinha no topo, nem o sino no campanário. Relativamente ao sino, o original está no museu arménio, na cidade iraniana de Tabriz. A ausência da cruz tem levantado alguma polémica.
Um enviado do Vaticano, assim como o patriarca Mesrob II, o líder espiritual da comunidade arménia ortodoxa na Turquia, elogiaram o restauro e inauguração da igreja, que disseram ser um passo que irá contribuir grandemente para a causa da paz e irmandade que todas as religiões têm tentado promover.
O patriarca disse ter pedido ao Governo para colocar a cruz de pedra original da igreja no topo da mesma, e para reconsiderar a abertura da igreja ao culto uma vez por ano, talvez no âmbito das festividades anuais de Aktamar, para que as pessoas possam pelo menos rezar por aqueles que contribuiram para a construção da igreja histórica. Disse que a reabertura da igreja depois de 90 anos é um evento cultural muito importante, e que Aktamar pode ser um importante pólo turístico e uma oportunidade importante de diálogo entre a Turquia e a Arménia.
Os dignatários da Arménia presentes na cerimónia, entraram na igreja com pequenas bandeiras arménias. Alguns dos convidados arménios benzeram-se no final da cerimónia, colocaram dezenas de velas que trouxeram da Arménia em várias partes da igreja e queimaram incenso. Por outro lado, quando o presidente da Câmara fez declarações, não disse qualquer palavra de boas-vindas ao ministro da Cultura arménio, Gagik Gürciyan, e ao patriarca arménio na Turquia. Ninguém da delegação Arménia foi chamada a intervir na cerimónia.
O ministro da Cultura da Arménia, revelou que uma mesquita antiga turca, em Yerevan ou noutra cidade, será restaurada como resposta a esta generosidade. Esta mensagem foi transmitida ao ministro turco da Cultura no dia da reabertura da igreja.
O ministro da Cultura da Arménia, disse que a reabertura da igreja de Aktamar, mesmo como museu, será um elemento que vai contribuir para a criação de uma atmosfera de confiança entre a Arménia e a Turquia.

24 março 2007

Mina do PKK mata três soldados turcos em Diyarbakır

Três soldados turcos foram mortos ontem e outros dois ficaram feridos, devido à explosão de uma mina colocada pelo grupo terrorista PKK na vila de Dicle, localizada na área sudeste da província de Diyarbakır.
Os soldados foram mortos durante confrontos com membros do ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), e outros dois ficaram feridos no mesmo confonto. No entanto, continuam as operações militares de larga escala na região.
Desde 1984 que o PKK tem vindo a desenvolver uma luta armada, que tem como objectivo a criação de um território étnico no sudeste da Turquia. Esta luta já causou a morte a mais de 30 000 pessoas.
Os acontecimentos de ontem seguiram-se às celebrações pacíficas do festival da Primavera de Nevruz. Este festival tem sido utilizado nos últimos tempos como palco de comícios políticos por simpatizantes do PKK.

22 março 2007

Novo embaixador da Turquia em Portugal: Ömer Kaya Türkmen

O presidente da República portuguesa, Aníbal Cavaco Silva, recebeu ontem as cartas credenciais de novos embaixadores em Portugal, nomeadamente do embaixador da Turquia, Ömer Kaya Türkmen, que assumiu o cargo em Janeiro deste ano.

21 março 2007

Turquia descontente por não ter sido convidada para o aniversário da União Europeia

O ministério dos Negócios Estrangeiros criticou a presidência alemã da União Europeia por não ter convidado os países candidatos à adesão para o aniversário do Tratado de Roma, dizendo ter-se perdido uma oportunidade para mostrar uma família europeia.
Numa declaração escrita, o porta-voz do ministro dos Negócios Estrangeiros, Levent Bilman, disse que se a Alemanha tivesse convidado todos os candidatos para participarem nas actividades do aniversário, teria sido um acto "significativo para mostrar a integridade da família Europeia.”
O embaixador da Alemanha na Turquia, Eckart Cuntz, disse que nenhum dos países candidatos foi convidado para a cerimónia, e que só líderes de Estado e de Governo dos países membros da União Europeia iriam participar.
No princípio deste mês, já se tinha sentido o desapontamento na Turquia, quando o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, não foi convidado para a celebração do 50.º aniversário do Tratado de Roma, planeado para o dia 25 de Março em Berlim.

18 março 2007

A plataforma Abant abordou o alevismo


A 13.ª Plataforma Abant, uma conferência onde intelectuais de diferentes áreas se reunem para encontrar um consenso relativamente a assuntos nacionais e internacionais, teve lugar no passado fim-de-semana para abordar vários aspectos do alevismo.
A plataforma, que acredita que os assuntos relativos à identidade na Turquia se encontram estanques devido a falta de informação e confusão, discutiu o alevismo em todas as suas vertentes. O alevismo é um ramo xiita do islamismo, praticado maioritariamente na Turquia.
O tema do encontro, "Dimensões Históricas, Culturais, Etnográficas e Contemporâneas do Alevismo", juntou intelectuais peritos nessas temáticas, representantes da Associação Alevi-Bektaşi (uma sub-seita do alevismo), assim como membros do Governo, tanto da Turquia como da Europa.
Foram abordados aspectos históricos, teológicos e sócio-culturais do alevismo, assim como as suas problemáticas actuais.
A plataforma, deu aos representantes alevitas a possibilidade de ouvir as necessidades e preocupações da comunidade alevita, e espera facilitar a avaliação e o início da abordagem destes temas. De igual modo, deu ênfase à necessidade de recursos informativos, analíticos e intelectuais para o diálogo entre diferentes grupos de fé, em conjunto com iniciativas que promovam empatia e compreensão.

12 março 2007

Sector da saúde em protesto


Cerca de 10 000 profissionais de saúde reuniram-se ontem em Ancara, em protesto contra as políticas do Governo relativas à saúde.
Integraram a manifestação representantes de vários sindicativos ligados à saúde, estudantes de medicina e representantes de clínicas locais. Empunharam cartazes onde se podia ler “saúde é direito”, “criem um orçamento para a saúde e não para o Fundo Monetário Internacional” e “FMI faz mal à saúde”.
A polícia adoptou intensas medidas de segurança durante a marcha de protesto, mas ocorreram pequenos incidentes.
Gençay Gürsoy, presidente do Sindicato dos Médicos Turcos, apelou aos cidadãos para não se deslocarem aos hospitais no dia 14 de Março, dia da Medicina. Disse também que iriam manifestar-se na quarta-feira pelo direito público à saúde e pelos direitos dos profissionais de saúde. No entanto, estará assegurado o atendimento de todos os casos urgentes.
Relativamente à lei dos médicos estrangeiros, teceu críticas às declarações feitas pelo primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdoğan, que disse acreditar na necessidade de uma lei para os médicos estrangeiros. Por outro lado, elogiou o veto de alguns artigos por parte do presidente da República, incluindo os relativos à questão dos médicos estrangeiros.
Na semana passada, a Comissão Parlamentar para a Saúde revelou que iria proceder à alteração da lei que permitia aos médicos estrangeiros trabalharem na Turquia, acrescentando que a comissão foi persuadida pelos argumentos avançados pelo presidente Ahmet Necdet Sezer quando vetou essa lei.
A lei relativa aos médicos estrangeiros, entretanto vetada pelo presidente da República, caso fosse promulgada, iria permitir que os médicos estrangeiros pudessem trabalhar livremente na Turquia.

Foi interdito o bloqueio ao site "YouTube"

Na passada quarta-feira foi interdito na Turquia, por decisão do tribunal, o acesso ao site "YouTube", em virtude de estar a circular nesse site um vídeo que alegadamente denegria a imagem de Mustafa Kemal Atatürk, o fundador da Turquia moderna. Na sexta-feira, o tribunal cancelou a decisão, e foi reposto o acesso ao site depois do vídeo ter sido retirado de circulação.
A Türk Telekom, a principal fornecedora de internet na Turquia, bloqueou o acesso ao "YouTube", depois de ter recebido uma ordem do tribunal nesse sentido. Essa decisão surgiu na sequência da publicação de notícias na imprensa nacional, relativas a um vídeo posto a circular no site por um utilizador grego, e que alegadamente insultava o fundador da República turca, Mustafa Kemal Atatürk.
Atatürk, que proclamou a Turquia moderna em 1923, é visto como um herói nacional pelos Turcos seculares, e o seu legado está protegido por uma lei especial.
Nesse mesmo dia, o mesmo tribunal ordenou, depois de uma petição da Türk Telekom, que cancelaria a proibição se o vídeo fosse removido do site "YouTube".
A medida, de cancelamento do acesso ao site "YouTube" na Turquia, foi severamente criticada pela imprensa e pelo público em geral.
O site "YouTube" retirou o vídeo depois de ter recebido milhares de mensagens electrónicas com protestos de cidadãos turcos.
O vídeo causador da polémica surgiu no âmbito de uma "batalha" entre Turcos e Gregos que acontecia desde o início do ano nesse site da internet, com ambas as partes a colocarem vídeos e comentários insultuosos.

03 março 2007

Protestos no 10.º aniversário do "golpe pós-moderno"


Esta semana a Turquia lembrou o 10.º aniversário do seu "golpe pós-moderno", quando o Exército forçou o Governo da altura a abandonar o poder por o considerarem demasiado islâmico.
Muitas pessoas concentraram-se na Praça Beyazıt na região de Eminönü, em Istambul, na quarta-feira, para protestarem contra o processo que levou à demissão do 10.º Governo turco, e para pedirem o julgamento dos responsáveis. A concentração foi organizada pela Associação de Direitos Humanos e Solidariedade para Pessoas Oprimidas (MAZLUM-DER). O porta-voz do grupo, ligado à defesa dos direitos religiosos, descreveu o golpe como uma guerra total contra o povo turco, dizendo ter-se tratado de "um ataque contra os direitos e liberdades”.
Em 28 de Fevereiro de 1997, o Exército ocupou o Conselho Nacional de Segurança e remeteu uma lista de pedidos ao primeiro-ministro Necmettin Erbakan, que tinha irritado os secularistas com o convite de sheiks religiosos para a sua residência e com o estreitamento de relações com a Líbia e o Irão. Poucos meses depois Erbakan e o seu Governo abandonaram o poder sob pressão militar e presidencial.
Entre os pedidos remetidos ao Governo, constava a supressão do uso do véu islâmico nas universidades, que já estava em vigor na altura mas raramente imposto, e variadas restrições nas escolas secundárias vocacionadas para a formação de imames.
Sibel Kodakoğlu, que foi demitida da Universidade Boğaziçi depois da supressão do uso do véu islâmico em 1998, revelou que “naquela altura crianças e jovens, que deviam estar a ouvir os professores nas aulas, eram levados para a prisão”.

24 fevereiro 2007

Foi preso o político curdo Hilmi Aydoğdu


O político curdo Hilmi Aydoğdu foi preso na sexta-feira por ter declarado que os Curdos da Turquia insurgir-se-ão contra o Estado, se a Turquia atacar a população curda que vive em Kirkuk, no norte do Iraque.
A polícia deteve Hilmi Aydoğdu, líder da delegação de Diyarbakır do Partido (pró-curdo) da Sociedade Democrática (DTP), quando este abandonava uma conferência. O gabinete da Procuradoria em Diyarbakır, no sudeste da Turquia, delegou o caso para o tribunal da cidade, onde o juíz decretou a prisão por "incitamento ao ódio e hostilidade", um crime punível com pena de prisão até três anos, de acordo com o Código Penal turco. Os advogados de Aydoğdu apelaram ao tribunal para a sua libertação imediata. Também a Associação dos Direitos Humanos (İHD) disse que esta prisão era "inaceitável" e um ataque à liberdade de expressão.
Em declarações publicadas em vários jornais turcos, Aydoğdu avisou a Turquia relativamente à adopção de qualquer medida contra a cidade de Kirkuk. A Turquia tem combatido a violência separatista do ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) há mais de duas décadas e expressou preocupação de que os grupos curdos do Iraque pudessem controlar essa cidade e incorporá-la na região que dominam. Houve até quem sugerisse que Ancara devia organizar uma operação militar para prevenir esse facto. “As duas partes desta guerra seriam a Turquia e os Curdos no Iraque. Existem cerca de 20 milhões de Curdos na Turquia, e os 20 milhões de Curdos iriam olhar para essa guerra como um ataque contra eles.” Os jornais citaram estas declarações de Aydoğdu.
A Turquia está preocupada que os Curdos do Iraque queiram usar os dividendos do petróleo de Kirkuk para sua independência, facto que encorajaria o PKK na Turquia, que luta pela autonomia curda desde 1984, conflito onde já perderam a vida cerca de 37 000 pessoas.
A Turquia não parou as incursões militares no Iraque para deter membros do PKK, apesar dos avisos de Washington que receia que essas acções possam criar tensões com os grupos curdos do Iraque que têm sido aliados importantes dos Estados Unidos.
As autoridades turcas acusam frequentemente o DTP de ter ligações com o PKK, listado como organização terrorista pelos Estados Unidos e pela União Europeia.

20 fevereiro 2007

Escritor curdo Mehmet Uzun foi homenageado em Istambul



Dezasseis escritores e editores da Suécia, Noruega e Turquia, prestaram tributo ao escritor curdo Mehmet Uzun com uma conferência na Universidade Bilgi, em Istambul.
Mehmet Uzun, que é Curdo mas cidadão turco, passou 15 anos no exílio, na Suécia, onde iniciou a sua longa caminhada para a criação de uma tradição literária curda.
Durante esta conferência, que durou um dia, os oradores apontaram os problemas enfrentados pelos autores que tiveram de deixar as suas culturas e países, e destacaram o estatuto de Mehmet Uzun, como o mais importante escritor da literatura moderna curda.
O escritor Eugene Schoulgin, que foi presidente do comité internacional dos escritores presos entre 2000 e 2004, abordou as dificuldades de se ser escritor no exílio e de se ter memórias de um país natal, ao mesmo tempo que se tenta adaptar a um país novo. Schoulgin concluiu: “Para Mehmet Uzun, eu penso que a sua vida no exílio lhe deu tanto quanto lhe tirou, mas ele é a prova viva de que nada pode impedir um verdadeiro escritor de criar, desde que continue a lutar contra as barricadas, que tanto podem ser criadas por poderes intelectualmente inferiores, ou pela sua própria mente misteriosa.”
Mehmet Uzun falou no final da conferência, dizendo que não estava acostumado a presidir a encontros deste género, porque no passado as suas palavras e obras tinham sido discutidas em esquadras de polícia, gabinetes de advogados e tribunais. Destacou que escreveu sempre sobre “o vencido e o oprimido”.
Durante os 15 anos de exílio na Suécia, Uzun escreveu muitos romances e ensaios em Curdo, Turco e Sueco, mas quando os seus trabalhos começaram a ser publicados na Turquia, as autoridades turcas abriram casos na justiça contra ele. Mehmet Uzun foi absolvido de todas as acusações.
Na passada Primavera foi-lhe diagnosticado cancro, e os médicos que o acompanhavam não lhe deram mais esperanças. Contudo, quando voltou à Turquia de avião e numa maca por estar demasiado fraco, continuou o tratamento em Diyarbakır, no sudeste da Turquia, e começou a melhorar. Ele próprio apelida a sua recuperação de “milagrosa”, e realçou o facto de estar "determinado a continuar a escrever sobre os vencidos e oprimidos”.
Uzun tem estado a trabalhar num romance baseado na vida de Erich Auerbach. Antes de lhe ter sido diagnosticado cancro, revelou que tinha completado a fase preliminar do trabalho e que iria começar a escrever o livro. Auerbach, um filólogo judeu, escapou à Alemanha nazi e passou anos a ensinar na Universidade de Istambul. O seu livro mais conhecido, "Mimesis", analisa a representação da realidade na literatura ocidental. Ao longo da sua jornada tem chamado a atenção múltiplas vezes para a importância de um escritor ser livre de ideologias, governos e pontos de vista oficiais. Nesse contexto, Uzun disse que “para a salvação do homem e da humanidade, têm de existir condições de justiça, perdão, consciência, igualdade e liberdade.” Destacou igualmente que um escritor tem de confiar nesses valores.
No fim da conferência, Uzun recebeu uma grande ovação e depois autografou livros e posou para os fotógrafos.



Da vasta audiência presente nesta conferência, fizeram parte várias figuras ligadas à literatura, como escritores e académicos, de entre os quais o grande escritor turco Yaşar Kemal e a sua esposa Ayşe Semiha. Uzun chama a Kemal, que foi várias vezes nomeado para o prémio Nobel da Literatura, o seu pai espiritual. Ele próprio também já foi nomeado para o prémio Nobel da Literatura.
A conferência foi patrocinada pelo Departamento de Literatura Comparada da Universidade Bilgi e pelo Comité Sueco Mehmet Uzun, com o apoio do Consulado Geral Sueco em Istambul.
O assunto da sessão da manhã foi “escrever numa linguagem pautada por obstáculos”. Também foram analisados exemplos e contributos das obras de Mehmet Uzun, no âmbito da relação entre a linguagem e a literatura. A segunda sessão começou com a questão: “O que aconteceu ao contador de histórias?”. Foi focada a atenção nas tradições da literatura oral e no contador de histórias como o personagem básico nos romances de Uzun. Os oradores da conferência foram Eugene Schoulgin, Thorvald Steen, Necmiye Alpay, Seyhmus Diken, Asli Erdoğan, Muhsin Kizilkaya, Bjorn Linnell, Per Erik Ljung, Azar Mahloujian, Jonas Modig, Maria Modig, Jale Parla, Gellert Tamas, Belim Temo, A. Omer Turkes e Ragip Zarakolu.

17 fevereiro 2007

Está confirmada gripe das aves em três aldeias do sudeste da Turquia


A gripe das aves continua a avançar no sudeste da Turquia, com a confirmação do vírus em três aldeias, perto das cidades de Diyarbakır e Batman. Após a confirmação da presença do vírus foram abatidas 340 aves.
Após a morte suspeita de vários animais em duas aldeias do sudeste da Turquia, Kocalar e Akoba, foram realizadas análises a várias aves, e os habitantes dessas aldeias foram imediatamente colocados em quarentena.
As autoridades dizem que foram tomadas todas as precauções necessárias, e que as aldeias estão a ser desinfectadas por várias equipas.
Uma mulher de 67 anos, suspeita de ter contraído o vírus da gripe das aves, está também a ser acompanhada. Esta mulher, residente na aldeia de Doluca na província de Batman, sentiu-se doente há uma semana e deu entrada no hospital na passada quarta-feira. A aldeia desta mulher fica situada perto da aldeia de Esentepe, uma das três aldeias onde as autoridades confirmaram a presença do vírus H5N1. A área em redor das três aldeias foi colocada em quarentena e foi iniciado o abate de animais, assim como a realização de análises aos habitantes dessas aldeias. Foram hospitalizadas sete outras pessoas que recearam ter contraído o vírus, mas tiveram alta rapidamente, uma vez que os resultados dos seus testes foram negativos. Entretanto, ocorreu na província de Konya outro caso suspeito de gripe das aves, onde um homem que apanhou um pato e o comeu em casa com os seus filhos foi para o hospital com febre alta e sintomas semelhantes aos da gripe das aves. Contudo, os resultados dos testes realizados a este homem ainda não confirmaram tratar-se de um caso de gripe das aves.

12 fevereiro 2007

Começou a "Operação Şafak" contra o PKK

As Forças Armadas turcas iniciaram a "Operação Şafak", contra o PKK. Esta operação começou hoje no sudeste do país, mais concretamente na cidade de Tunceli, assim como nas suas imediações.
As forças militares estão a usar helicópteros Sikorsky e estão a realizar escutas telefónicas aos elementos do PKK, especialmente entre os elementos que estão fora de Tunceli e os que estão no norte do Iraque.
Os bombardeamentos começaram esta manhã nos vales de Apanos e Kutu, com forças militares especialmente treinadas para as condições especiais de Inverno a lutarem no terreno.
A neve, nesta região, chega a atingir os dois metros de altura.