15 dezembro 2006

Cimpor negoceia na Turquia maior aquisição dos últimos sete anos

A Cimpor está a preparar a maior aquisição dos últimos sete anos, a compra da quinta cimenteira turca. A empresa portuguesa confirmou ontem, num comunicado lacónico, que se encontra em "fase avançada de negociações com os respectivos accionistas" para a compra da cimenteira Yibitaş Lafarge Orta Anadolu Çimento Sanayi ve Ticaret (YOLAC). De acordo com o jornal turco "Huürriyet", o negócio ascende a 535 milhões de euros e poderá concretizar-se nos próximos dias. A confirmar-se este valor, a cimenteira turca será a maior transacção da Cimpor no mercado internacional dos últimos sete anos. Comparável em valor foi a compra, em 1999, da Brasileira Brennand, um investimento, à data, de 594 milhões de dólares.
A cimenteira turca tem uma capacidade de produção de dois milhões de toneladas por ano e representa cerca de sete por cento da produção do país. A Yitibaş é controlada pelo grupo francês Lafarge, um dos principais accionistas da Cimpor, com cerca de 12 por cento. Esta será, pelo menos, a terceira grande aquisição da empresa portuguesa ao parceiro estratégico francês, a quem já comprou a Portland, na África do Sul, e activos vários no mercado espanhol.
A administração da Cimpor já tinha revelado a possibilidade de realizar uma grande aquisição ainda este ano. O administrador Manuel Faria Blanc adiantou, em Setembro, que a empresa tinha como objectivo investir em média 150 milhões de euros por ano em novas aquisições, mas adiantava que a capacidade financeira da Cimpor era muito superior e podia suportar operações de maior dimensão.
Apesar de qualificaram esta operação de "estrategicamente positiva", por reforçar a presença num dos principais mercados do Mediterrâneo, analistas do BPI consideram o preço avançado pela imprensa turca muito elevado - 266 euros por tonelada -, um valor muito acima da média dos negócios concretizados naquela região.
Os mercados alvo para novas aquisições são a China, a Índia, América Latina, bacia do Mediterrâneo e Estados Unidos, uma estratégia que procura também contrariar o quinto ano consecutivo de quebra no consumo de cimento em Portugal. Em Outubro, a Cimpor anunciou a entrada na China, com a compra de uma unidade na província de Shangdong, que está a ser alvo de uma duplicação da capacidade de produção.
O ano fica também marcado por desinvestimentos por imposição: a alienação de 49 por cento da Cimangola por 74 milhões de dólares (56 milhões de euros, no quadro de um acordo para resolver um conflito com o Governo de Luanda e a venda de 26 por cento da Sul-Africana Portland, por imposição legal, negócio a realizar, em parte, até ao final do ano, com um encaixe esperado de 80,5 milhões de euros.

(Fonte: DN)

Embaixadora da Turquia em Portugal faz balanço da sua missão

A embaixadora da Turquia em Portugal considera "muito promissora" a criação de empresas mistas luso-turcas para a exploração de mercados tradicionais e preferenciais dos dois países em diferentes continentes.
Numa entrevista de balanço de quase cinco anos de missão, agora a terminar, centrada nas relações bilaterais Portugal-Turquia, a embaixadora Zergün Korutürk declarou que, se o seu país "puder beneficiar da experiência portuguesa acumulada no Brasil e em África, através de empresas mistas, estará aberto um caminho muito promissor para o reforço das relações económicas bilaterais." Simultaneamente, afirmou a embaixadora, "a Turquia tem um grande peso em mercados não só europeus, mas também no Cáucaso, Rússia e Ásia Central," o que também é do interesse dos investidores de Portugal. "É preciso que as partes se conheçam melhor e ganhem confiança," aconselhou a diplomata, lembrando que um dos êxitos da sua missão foi a criação de um conselho para iniciativas empresariais conjuntas, cujo saldo de funcionamento "é positivo". "Tem estado a funcionar bem, reunindo-se alternadamente, cada seis meses, em Istambul e em Lisboa," sublinhou.
Além do desconhecimento e natural reserva mútua, outro óbice a um melhor relacionamento empresarial é "a distância entre os dois países". Na opinião de Zergün Korutürk, o turismo seria um bom investimento, até porque, em 2005, indicou, "cerca de 20 000 portugueses visitaram a Turquia, um país com 70 milhões de habitantes que também gostam de viajar." Em 2005 foi criada uma parceria entre as companhias aéreas turca (Turkish Airlines) e portuguesa (TAP) para voos directos entre os dois países, três vezes por semana.
A diplomata reconheceu que a "situação nas relações económicas bilaterais está melhor, embora não reflicta o potencial da Turquia, um mercado imenso e muito dinâmico".
Desde 2001, o crescimento sustentado acumulado da Turquia é de 35 por cento e, nos últimos três anos, de 7,8 por cento.
Zergün Korutürk condenou "a tendência para avaliar tudo pela bitola das relações Turquia-União Europeia (UE)". "As relações económicas Portugal-Turquia não têm de passar obrigatoriamente pela esfera da UE," frisou.
Em números do ICEP-Portugal, o saldo da balança comercial portuguesa com a Turquia é amplamente deficitário, sendo as exportações para aquele país menos de metade das importações anuais, que rondam os 250 milhões de euros. As principais exportações portuguesas para a Turquia são veículos automóveis para transporte de mercadorias, hidrocarbonetos, papel, resinas e aparelhos de precisão. As importações mais significativas são ferro, cimento, algodão e televisores.
No sector do ensino, foi criado um curso de Língua e Cultura Turca na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, como cadeira optativa e com duração de quatro anos, ministrada por um professor turco enviado pelo Ministério da Educação de Ancara. Em contrapartida, a Língua e Cultura Portuguesa é ensinada por um professor destacado pelo Instituto Camões na Universidade de Ancara. Bolsas de estudo para os alunos mais distinguidos são concedidas pelos dois países para que os jovens aprofundem conhecimentos na Turquia, ou em Portugal. "O Português, língua de mais de 200 milhões de pessoas no mundo, e o Turco de outras tantas, estão a par no universo de falantes que englobam," valorizou a embaixadora.
A embaixada promoveu ainda exposições, nomeadamente de livros, em Turco e Inglês, alguns dos quais textos científicos.
Uma palavra final foi deixada por Zergün Korutürk para expressar "tristeza" ao deixar Portugal e "tantos amigos", que sempre lhe dispensaram um "caloroso acolhimento".
"Portugal é um firme defensor da adesão da Turquia à UE," congratulou-se, não deixando passar em claro que, durante a sua missão, visitaram Lisboa dois presidentes, dois chefes de Governo e vários ministros turcos.

(Fonte: RTP)

14 dezembro 2006

Presidente Sezer pediu ao Governo a realização de eleições antecipadas


O primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan rejeitou ontem um pedido feito pelo presidente da República para a realização de eleições antecipadas, e insistiu que tanto as eleições presidenciais como as eleições gerais devem ser realizadas nas datas previstas. “O Parlamento actual irá eleger o presidente,” disse Erdoğan, numa reunião do seu Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP).
As declarações de Erdoğan, surgiram depois do presidente Ahmet Necdet Sezer ter juntado a sua voz aos pedidos de eleições antecipadas que têm surgido no âmbito da tensão política crescente sobre quem irá suceder Erdoğan em Maio.
Referindo-se àqueles que pedem eleições antecipadas, mas sem mencionar nomes, Erdoğan disse: “Dizem que este Parlamento não deve ou não pode eleger o presidente. Deviam ser leais ao Parlamento e à Constituição. O que é que vos aconteceu? O nosso povo vai fazer esta pergunta. Não vamos deixar que a estabilidade seja perturbada.”
Erdoğan reiterou que as duas eleições, presidenciais e gerais, devem ser realizadas nas datas previstas.
Os partidos da oposição também pediram eleições antecipadas, alegando que o Parlamento precisa de um mandato renovado para eleger o próximo líder do Estado. O líder de um dos partidos da oposição, Mehmet Ağar do Partido do Caminho Verdadeiro (DYP), argumentou que Abril é demasiado tarde para a realização de eleições gerais.

Embaixadora da Turquia em Portugal: "Bruxelas é um instrumento nas mãos de Nicósia"


A embaixadora da Turquia em Portugal classificou de "injusta" a decisão da União Europeia (UE) de suspender parcialmente as negociações para a adesão do seu país, e afirmou que Bruxelas "é um instrumento nas mãos de Nicósia".
Zergün Korutürk, de origem cipriota grega, falava à agência Lusa no rescaldo do Conselho de Ministros da UE da passada segunda-feira, que sufragou uma proposta da Comissão Europeia de suspender oito de 35 capítulos a negociar para a adesão da Turquia. Na base dessa decisão está o incumprimento da extensão do Acordo de Livre Comércio à República de Chipre, com a qual Ancara está de relações cortadas há mais de três décadas.
"A UE está a ser muito injusta com a Turquia," declarou a diplomata, frisando que a resolução do contencioso cipriota nunca fez parte dos critérios exigidos por Bruxelas a Ancara. "Quando a candidatura turca à UE foi oficialmente aceite, na Cimeira de Helsínquia de 1999, Ancara recebeu garantias de que o contencioso cipriota não seria um critério exigido nas negociações para a adesão," realçou. Todavia, ao subscrever (Julho de 2005) a extensão do acordo aduaneiro à dezena de novos membros comunitários desde Maio de 2004, Ancara ficou obrigada a abrir os seus portos e aeroportos à República de Chipre, o que não fez desde o início das negociações oficiais para a adesão (Outubro de 2005). Como medida sancionatória, a UE decidiu suspender oito dos 35 capítulos a negociar para a adesão turca, motivo pelo qual a representante diplomática de Ancara em Portugal acusou Bruxelas de ser "um instrumento nas mãos de Nicósia".
"A República de Chipre está escudada na UE para nunca resolver o contencioso da ilha," denunciou, aludindo à divisão insular que persiste desde 1974, entre a comunidade cipriota grega, a sul, e a cipriota turca radicada na República Turca de Chipre do Norte (RTCN).
A RTCN, só reconhecida por Ancara, foi auto-proclamada independente em 1983 e está sob bloqueio internacional desde 1994.
"Mesmo que uma maioria de países comunitários esteja contra a posição do Conselho de Ministros da passada segunda-feira, nunca afectará a decisão final da UE," lamentou Zergün Korutürk. A diplomata insurgiu-se por Bruxelas só ouvir "um lado da história, na versão da República de Chipre", incumprindo a promessa de levantamento do bloqueio à RTCN feita a 26 de Abril de 2004, dois dias depois do referendo ao Plano (Kofi) Annan (secretário-geral das Nações Unidas) para a reunificação insular e adesão como um todo à UE, "chumbado" pelos Cipriotas gregos, mas aprovado pelos Cipriotas turcos.
"A promessa da UE durou cinco dias exactamente, até 1 de Maio de 2004, quando aderiu a República de Chipre, apesar do não ao Plano Annan, ficando de fora a RTCN," ironizou.
Zergün Korutürk confessou estar "céptica" em relação à causa dos Cipriotas turcos, que foram as vítimas das hostilidades dos Cipriotas gregos a partir de 1963, até à invasão militar turca da ilha em 1974, para impedir a sua anexação à Grécia e a "limpeza étnica" da população muçulmana local.. A propósito, a embaixadora perguntou quem na UE, entre políticos e opinião pública, conhece estes antecedentes para se pronunciar com razão e admitiu que "o bloqueio à RTCN persistirá se Bruxelas não se impuser para Nicósia arrepiar caminho".
"A Turquia nunca abandonará a RTCN," vincou, justificando que o seu país "não pode abdicar da política de defesa intransigente dos direitos dos cipriotas turcos".
Para a diplomata, porque "até os países pouco favoráveis à adesão turca concordam ser do interesse comunitário não deixar descarrilar o processo", a Turquia não deverá abandonar as negociações.
"O processo não passa só pelo contencioso cipriota, e a UE jamais permitiria que Ancara se retirasse," assegurou, lançando um repto: "Bruxelas deverá decidir quais são os benefícios, ou desvantagens, em ter a Turquia dentro, ou fora."
Zergün Korutürk concluiu: "No seu tratado de adesão, a República de Chipre comprometeu-se a alcançar uma solução global para o contencioso insular no quadro da ONU e a evitar qualquer atitude passível de infligir danos à economia cipriota turca. Nunca cumpriu."

(Fonte: RTP/Lusa)

13 dezembro 2006

Única revista "gay" da Turquia acusada de crime de obscenidade


O editor da revista "Kaos GL", a única revista "gay" da Turquia, foi acusado de promover a pornografia e corre o risco de ser preso.
O Artigo 226 do Código Penal turco prevê uma pena de prisão de seis meses a três anos por publicação de "imagens obscenas".
A revista tem tentado defender-se do processo desde 2005, altura em que a edição do número 28 foi confiscada. Alega que os termos da acusação não são claros e que não caracterizam exactamente em que é que consiste o crime praticado pela revista.
A revista diz que se o recurso da sentença não for atendido, vai apelar ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.

10 dezembro 2006

Jornalista condenado a pagar cerca de 2500 euros por ter "insultado" o primeiro-ministro

O jornalista do jornal diário "Birgün", Erbil Tuşalp, foi considerado culpado ontem por ter "insultado" o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan. Tuşalp foi considerado culpado pelos comentários que escreveu num artigo, onde perguntava se Erdoğan teria tido febre alta em criança e usou o termo “agressivo psicótico” para o descrever. O advogado de Tuşalp argumentou que os comentários não foram insultos mas sim críticas, não tendo convencido o tribunal. Erdoğan tinha pedido uma indemnização de 10 000 YTL (cerca de 6000 euros).

09 dezembro 2006

Orhan Pamuk discursou em Estocolmo

Orhan Pamuk, o autor turco vencedor do Prémio Nobel da Literatura deste ano, num discurso proferido na quinta-feira em Estocolmo, revelou como se tornou escritor, o que sente quando escreve, e como se sentiu ao viajar com uma mala que lhe foi entregue pelo seu pai, que morreu em 2002.
O discurso, que Orhan Pamuk intitulou "A Mala do Meu Pai", incluiu as palavras que o seu pai, Gündüz Pamuk, lhe disse antes de morrer: um dia Orhan Pamuk receberia o prémio Nobel. Pamuk concluiu o seu discurso dizendo: "Gostaria tanto que o meu pai estivesse aqui entre nós neste dia."

07 dezembro 2006

As mulheres turcas conquistaram o direito de voto há 72 anos


Há 72 anos, a 5 de Dezembro de 1934, as mulheres turcas conquistaram o direito de voto e o direito de serem eleitas para cargos políticos. Na passada terça-feira, mulheres de todo o país, juntaram-se para comemorar o aniversário deste importante evento na história da Turquia.

A Assembleia do Conselho de Mulheres da cidade de Antália, iniciou as celebrações com a colocação de flores no monumento de Atatürk, na Praça da República dessa cidade. Os deputados de Antália pelo Partido Republicano do Povo (CHP), Tuncay Ercen e Hüseyin Emekçioğlu também estiveram presentes na cerimónia.
A porta-voz da Assembleia das Mulheres, disse que apesar dos previlégios que lhes foram concedidos, a representação das mulheres turcas no poder local e no Parlamento é ainda insignificante. Estas mulheres pediram a introdução de uma quota de pelo menos 30 por cento na Lei dos Partidos Políticos, para facilitar a participação activa das mulheres (cerca de 51 por cenmto da população turca) na política.
Numa declaração, a deputada do CHP por Adana, Nevin Gaye Erbatur, disse: “Hoje estamos a combater uma mentalidade que tenta puxar as mulheres para casa, em vez de as integrar na sociedade.” A sua declaração destacou a representação das mulheres no Parlamento de 4,6 por cento em 1935, e de unicamente 4,4 por cento actualmente. Disse também que, apesar de 36 por cento dos professores universitários, 31 por cento dos arquitectos e mais de 50 por cento dos dentistas serem mulheres, elas parecem incapazes de aceder a posições administrativas. "Apesar de terem passado 72 anos, as mulheres ainda não têm uma posição satisfatória no Parlamento," disse Erbatur, acrescentando que a principal razão, é o facto da política ainda ser considerada como uma arena dominada por homens. Erbatur disse ainda que queria ver mulheres no CHP, não como convidadas, mas como parte do "staff" político.
Em Aydın, o reitor da Universidade Adnan Menderes, Şükrü Boylu, elogiou os direitos atribuídos às mulheres em 1934, como uma conquista fundamental contra uma mentalidade regressiva e tradicionalista.
O líder do Partido da Terra Natal (ANAVATAN), Erkan Mumcu, numa reunião do seu partido na passada terça-feira, também congratulou o 72.º aniversário do sufrágio das mulheres, sublinhando que as mulheres, que correspondem a 51 por cento da população, estão escassamente representadas no Parlamento turco. Mumcu disse que representar as mulheres só com 24 deputados é injusto: “Excluir as mulheres da vida social é uma grande injustiça e também improdutivo.” Destacou também que uma discriminação deste tipo tem de terminar o mais rápido possível.
O ministro do Interior, Abdülkadir Aksu, disse que o assunto dos direitos das mulheres é “uma luta que está a decorrer em paralelo com a aceitação da democracia como um estilo de vida.” O ministro disse: “Todos os nossos esforços estão relacionados com trazer a mulher para o lugar que merece na nossa sociedade.” Estas declarações foram proferidas numa reunião organizada pelo Fundo das Nações Unidas para as Populações (UNFPA), pela Fundação Sabancı para a Educação (VAKSA) e pela Associação para a Educação e Apoio de Candidatos Femininos (KA-DER), para avaliar os resultados de um projecto das Nações Unidas para melhorar e proteger os direitos das mulheres e raparigas. No seu discurso, Aksu disse ainda: “Assegurar igualdade entre homens e mulheres é geralmente aceite como justiça social. O nosso Governo, que está consciente disso, estabeleceu como objectivo fundamental, colocar as mulheres numa posição em que possam ter responsabilidades iguais às dos homens em todas as áreas.” Sublinhou igualmente que o Governo tem introduzido um grande número de regras para melhorar o estatuto social das mulheres.

Numa manifestação em Adana, para celebrar o aniversário do sufrágio e do direito de serem eleitas para cargos políticos, algumas mulheres reagiram adversamente quando o líder distrital do Partido do Movimento Nacionalista (MHP), Hasan Yaman, se juntou às comemorações, dizendo: “Este não é um lugar para políticos. É errado um político do sexo masculino participar numa actividade de mulheres.”
Um grupo de mulheres da Assembleia do Conselho de Mulheres da cidade de Adana e do KA-DER, reuniram-se na Praça Uğur Mumcu e marcharam até ao Parque Atatürk, acompanhadas pela Banda Municipal Metropolitana.
Yaman abandonou o local depois de ter observado as comemorações do aniversário durante algum tempo.
A responsável pela filial do KA-DER em Adana, Lütfiye Görgün, disse que as mulheres não podiam celebrar com satisfação o aniversário, porque o direito de voto e de serem eleitas não estava a ser usado efectivamente, com as mulheres muito longe do objectivo estabelecido por Mustafa Kemal Atatürk, o fundador da nação. Görgün disse que "só 24 parlamentares, de um total de 550, são mulheres, o que mostra que de facto as mulheres não têm lugar na política. Temos uma grande população, mas não fazemos parte da administração do país. As mulheres que trabalham activamente nos partidos políticos não se tornam uma janela para o partido, tornam-se o seu cérebro! Nós queremos que pelo menos sete dos 14 deputados de Adana, sejam mulheres no próximo ano," disse.

04 dezembro 2006

Bento XVI: "Deixo parte do meu coração em Istambul"


O Papa Bento XVI terminou a sua visita à Turquia na passada sexta-feira, depois de ter estendido a mão aos muçulmanos e aos cristãos ortodoxos, mas mantendo no entanto uma posição firme relativamente à autoridade papal e às raízes cristãs da Europa.

Na sexta-feira de manhã, celebrou uma missa na Catedral do Espírito Santo em Istambul, onde também esteve presente o líder dos cristãos ortodoxos Bartolomeu I. Na quinta-feira, ambos tinham feito uma declaração conjunta, assumindo o compromisso de continuarem a trabalhar para unirem as suas igrejas, separadas desde o Grande Cisma de 1054.
O Papa usou também esta visita para diminuir o descontentamento dos muçulmanos, causado pelo discurso que proferiu em Setembro e que incendiou o mundo islâmico. Por essa razão, foi accionado o maior dispositivo de segurança de sempre na Turquia, mas os protestos foram escassos durante a sua visita.
O Papa pediu mais liberdade religiosa na Turquia e disse que o secularismo enfraqueceu as tradições cristãs.
Considerado pelos peritos católicos como mais conservador nos assuntos teológicos e menos interessado em criar laços com o Islão do que o seu antecessor, alguns sectores da igreja esperavam que ele adoptasse uma posição mais forte relativamente a esses assuntos.
Um dia depois de ter cumprimentado o Papa, o presidente turco, Ahmet Necdet Sezer, vetou parcialmente a Lei das Fundações, que se esperava que viesse aumentar os direitos de propriedade das minorias não muçulmanas que vivem na Turquia. Sezer vetou vários artigos da lei, vista como uma das mais significativas reformas da União Europeia.
O acontecimento mais importante da visita do Papa à Turquia, acabou por ser a sua deslocação à Mesquita de Sultanahmet (Mesquita Azul) e a sua atitude de reverência. O popular jornal diário turco "Hürriyet" escreveu: “Na Mesquita de Sultanahmet, voltou-se para Meca e rezou como um muçulmano.” Já o jornal diário "Akşam" publicou na primeira página: “A temida visita do Papa terminou com uma surpresa maravilhosa.” Os oficiais do Vaticano também caracterizaram a visita à mesquita como um gesto de reconciliação. O Papa tirou os sapatos, tal como é costume numa mesquita, e meditou silenciosamente, enquanto o mufti de Istambul rezava alto. Quando o mufti deu por terminada a oração, Bento XVI deteve-se por segundos, ainda voltado para Meca. O Papa Bento XVI tornou-se no segundo Papa da história a entrar numa mesquita, depois de João Paulo II também o ter feito numa mesquita de Damasco, em 2001. O porta-voz do Vaticano, Cardeal Roger Etchegaray, comparou a visita do Papa à mesquita, à visita de João Paulo II ao Muro das Lamentações, em Jerusalém, em 2000. “Ontem, Bento XVI fez com os muçulmanos, aquilo que João Paulo II fez com os judeus.”
Minutos antes de entrar num avião especial das linhas aéreas turcas no fim da sua primeira visita a um país muçulmano, o Papa disse ao governador de Istambul, Muammer Güler: “Deixo parte do meu coração em Istambul.” Disse também, antes da sua partida, que esperava que a sua visita pudesse contribuir para um "melhor entendimento" entre religiões.

02 dezembro 2006

Embaixadora da Turquia em Portugal comenta a viagem do Papa ao seu país

A embaixadora da Turquia em Lisboa vê a visita do Papa ao seu país como um sinal de apoio à entrada da Turquia na União Europeia.
Zergün Korutürk faz uma leitura essencialmente política da viagem do Papa, avaliando também a deslocação de Bento XVI como um reconhecimento do papel do seu país no diálogo entre civilizações. A diplomata lembra que o Papa destacou a importância da Turquia como ponte entre duas civilizações e deu, também, um contributo para essa ponte.

(Fonte: Rádio Renascença)

01 dezembro 2006

O Papa Bento XVI rezou na Mesquita Azul

O Papa Bento XVI pôs termo ontem, em Istambul, a semanas de especulação na imprensa turca sobre se iria ou não rezar no Museu de Santa Sofia. Em vez de ter parado para rezar na antiga igreja bizantina, o Papa escolheu rezar na Mesquita Azul, olhando para Meca.

Após uma visita ao Museu de Santa Sofia, o Papa foi recebido na Mesquita Azul pelo mufti de Istambul, Mustafa Çagrıcı, e pelo mufti de Eminönü, Muharrem Bilgiç. Deixou os sapatos à porta, e foi acompanhado pelo mufti Mustafa Çagrıcı na sua visita ao interior da mesquita.
O mufti explicou-lhe os rituais da religião islâmica, nomeadamente as funções do mihrab (nicho das orações) e do minber (púlpito), explicou-lhe os motivos decorativos dos tectos da mesquita, e depois convidou-o a juntar-se a ele num "momento de paz", olhando para o kible que está orientado para Meca. O Papa juntou-se a Çagrıcı imitando os seus gestos, e rezou.
Esta foi uma visita histórica, cheia de significado, e a segunda visita de um Papa a uma mesquita. A ida do Papa Bento XVI à Mesquita Azul, que inicialmente não fazia parte do programa da sua visita, está a ser entendida como um gesto de reconciliação com o Islão e como um acto de respeito para com o povo muçulmano.

O Papa parece ter recuado num eventual apoio à adesão da Turquia à União Europeia

O Papa Bento XVI salientou as “raízes cristãs” da Europa e olhou para as liberdades religiosas e direitos das minorias, arrefecendo um pouco as esperanças da Turquia relativamente a um eventual apoio do Vaticano à sua adesão à União Europeia. “Na Europa, ao mesmo tempo que existe uma abertura a novas religiões e aos seus contributos culturais, devemos unir os nossos esforços para preservar as raízes cristãs e as suas tradições e valores,” disse Bento XVI numa declaração conjunta com o patriarca dos Gregos ortodoxos Bartolomeu I, no terceiro dia da sua visita histórica à Turquia.
De manhã cedo, o Papa, secundado por Bartolomeu I, depois de uma missa na Catedral de São Jorge, disse num discurso, que “o processo de secularização tem enfraquecido a manutenção da tradição cristã na Europa. Face a esta realidade, somos chamados, juntamente com todas as comunidades cristãs, a renovar a consciência da Europa relativamente às suas raízes, tradições e valores cristãos, dando-lhes nova vitalidade.”
Com a ênfase dada às raízes cristãs da Europa, o Papa parece querer enviar sinais à Turquia muçulmana, candidata à entrada na União Europeia. No entanto, o Papa conquistou os corações dos Turcos com uma série de atitudes que adoptou desde a sua chegada, principalmente com o seu apoio à entrada da Turquia na União Europeia, segundo declarações do primeiro-ministro turco. “Nós não somos políticos, mas desejamos que a Turquia entre na União Europeia,” disse Erdoğan, citando o Papa numa conferência de imprensa após o encontro de ambos em Ancara.
O apoio de Bento XVI à entrada da Turquia na União Europeia foi aplaudido na Turquia, porque o apoio do Vaticano pode ajudar a melhorar significativamente a opinião pública relativamente à aceitação da Turquia na União Europeia. No entanto, discute-se agora na imprensa turca, nomeadamente no jornal diário "Cumhüriyet", se Erdoğan terá distorcido as palavras do Papa. O mesmo jornal acrescenta que o Vaticano não gostou das palavras de Erdoğan.
Na sua declaração conjunta com Bartolomeu I, o Papa disse que o respeito pela liberdade religiosa deve ser um critério para a adesão da Turquia à União Europeia, que deve assegurar que os seus membros respeitem os direitos das suas minorias religiosas. Esta declaração veio no seguimento das queixas do Patriarcado relativamente às restrições impostas pela Turquia, nomeadamente o encerramento de um seminário teológico, e a confiscação de várias propriedades às fundações cristãs. “Nós vimos de forma positiva o processo que levou à formação da União Europeia. Aqueles que estão envolvidos neste grandioso projecto não deveriam falhar no que diz respeito a levar em consideração todos os aspectos que afectam os direitos inalienáveis da pessoa humana, especialmente a liberdade religiosa. Em todos os passos relativos à unificação, as minorias devem ser protegidas, juntamente com as suas tradições culturais e com a distinção das características da sua religião,” acrescentou.
A União Europeia quer que a Turquia assegure total liberdade religiosa às suas minorias não muçulmanas. Isso significa dar-lhes um estatuto legal, incluindo os direitos de propriedade, para assim poderem operar livremente como instituições, e permitindo que tenham as suas próprias escolas.

O Papa Bento XVI na casa da Virgem Maria e no Patriarcado Grego Ortodoxo

Depois de ter passado o primeiro dia da sua visita em Ancara, o Papa Bento XVI seguiu para a vila de Selçuk, na província de Izmir, onde celebrou uma missa na casa da Virgem Maria, para um audiência de cerca de 550 pessoas, incluindo convidados do Sri Lanka, Ilhas Virgens, Estados Unidos, Alemanha, Espanha, Itália e Turquia. Depois das orações conjuntas com os crentes, o Papa fez um discurso que durou cerca de uma hora e meia, onde mencionou os seus dois antecessores que também visitaram o mesmo local: o Papa João Paulo VI e o Papa João Paulo II. Também referiu João Paulo XXIII, que antes de ser Papa, foi delegado apostólico na Turquia entre Janeiro de 1935 e Dezembro de 1944. Lembrando as boas relações do Papa João XXIII com os Turcos e a Turquia, o Papa Bento XVI citou palavras de João XXIII: "Eu amo os Turcos e admiro as suas qualidades." Também falou da importância da Turquia no mundo, como ponte entre culturas: "Constituindo uma ponte entre continentes, é vital que a paz e o bem-estar vivam em harmonia no seu solo." As úlltimas palavras do seu discurso foram em Turco: "Aziz Meryem, bizim için dua et (Virgem Maria, reza por nós)."

Depois o Papa Bento XVI rumou a Istambul para a Igreja do Patriarcado Grego Ortodoxo, a Igreja Aya Yorgi, onde participou numa celebração em sua honra. Aí, dirigindo-se a uma vasta audiência, disse: "Gostaria de dizer que gostei muito desta recepção tão fraterna por parte do Patriarcado Ecuménico, e que ficará sempre no meu coração. Agradeço a Deus termos sido abençoados com este encontro, que tem tanto significado e está cheio de boas intenções." O Papa mencionou também as relações entre a Igreja Católica e Ortodoxa e disse estar muito agradecido por estar neste momento em Istambul: "Estou muito agradecido por estar neste solo, que está tão ligado ao Cristianismo, e que foi a casa de tantas igrejas em tempos antigos."

30 novembro 2006

O Papa está a conquistar os Turcos

Ao terceiro dia, a visita do Papa Bento XVI à Turquia parece estar a ser muito mais construtiva do que o inicialmente previsto pelos comentadores mais pessimistas.
Embora o Papa tenha vindo à Turquia fundamentalmente para se encontar com o patriarca ortodoxo Bartolomeu I, tem estado igualmente disponível para construir algumas pontes com os muçulmanos. Nos meios de comunicação social turcos, as notícias e os comentários relativos à visita papal têm-se tornado cada vez mais positivos desde o momento em que o pontífice colocou os pés em solo turco.
Existem ainda círculos ressentidos com o discurso que o Papa proferiu relativamente ao Islão na Universidade de Regensburg, mas parecem ser marginais. A manifestação no passado domingo, em Istambul, sob o lema “Papa, não venhas!” foi tema de primeira página em numerosos jornais ocidentais, mas muitos deles não referiram que o partido que organizou aquela manifestação, o partido radical islâmico Saadet (Partido da Prosperidade), apenas conquistou 3 por cento dos votos nas últimas eleições.
A reconciliação do Papa com os muçulmanos começou com a recepção calorosa que recebeu por parte do primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, logo à sua chegada. Erdoğan, um islamita moderado, deu uma conferência de imprensa depois do seu encontro com o Papa, na qual foi questionado sobre o discurso de Regensburg. “Sua Santidade expressou-me o seu respeito pelo Islão. Isto é de louvar, e nós olhamos para o futuro, não para o passado.”
Desde o primeiro momento, Bento XVI teve muitos outros gestos que os Turcos apreciaram. Em termos políticos, falou favoravelmente sobre duas causas importantes para a Turquia: disse que a nação muçulmana deveria ter um lugar na Europa, e que a questão de Chipre deveria ser resolvida pelas Nações Unidas, assunto que os Gregos querem que a União Europeia resolva, uma vez que estão incluídos nesse bloco, ao contrário da Turquia.
O facto do Papa estar de certa forma a apoiar a adesão da Turquia à União Europeia, cujas negociações entraram num período de abrandamento nos últimos tempos, tem sido particularmente aplaudida na imprensa turca.
Em Izmir, onde visitou a Casa da Virgem Maria, também disse palavras agradáveis à nação turca, começando o sermão com uma frase em Turco (“Meus queridos irmãos, que o Senhor esteja convosco”), e ostentou uma bandeira turca. O jornal diário conservador "Zaman", com grande número de leitores, descreveu esse acto como “Os gestos do Papa em Turco e a bandeira turca.” De acordo com outro diário turco, o "Hürriyet", o Papa tem feito “gesto após gesto.”
Relativamente ao Islão, Bento XVI tem tratado sempre esse assunto com respeito. O seu encontro e declaração conjunta com a autoridade muçulmana suprema do país, o líder do Directorado dos Assuntos Religiosos, Ali Bardakoğlu, foi um momento de reconciliação. O teólogo muçulmano declarou o Islão como sendo uma religiäo de paz e o seu convidado católico concordou.
Os estudiosos muçulmanos têm estado a debater as mensagens calorosas do Papa na televisão turca durante os últimos dias. A maioria deles destaca que utilizar frases insultuosas numa crítica ao Islão, como foi o caso do discurso de Regensburg, só contribuiu para piorar os problemas.
Num artigo intitulado "Como responder ao Papa", publicado no popular jornal diário islâmico "Yeni Şafak", o Dr. Ahmet Kızılkaya, um filósofo da Universidade de Ancara, criticou a reacção do mundo islâmico relativamente ao discurso de Regensburg: "Os muçulmanos deviam entender os argumentos filosóficos naquele importante discurso, e reponder com sabedoria, usando os instrumentos intelectuais da filosofia islâmica," argumentou.
Hüseyin Hatemi, um colunista do mesmo jornal e uma figura islâmista respeitada, escreveu um artigo intitulado “Boas vindas ao Papa!”, onde se lê que Bento XVI já se desculpou pelas suas declarações em Regensburg. “É por isso que eu agora gosto do Papa,” escreveu Hatemi, acrescentando, “ele destacou a nossa comunhão com o monoteísmo.” Hatemi terminou o seu artigo com uma saudação na linguagem do pontífıce: “Herzlich Willkommen, Bruder!"
E no encontro histórico de ontem com o patriarca ortodoxo, Bento XVI declarou a necessidade de revitalizar o Cristianismo, o que criou algumas preocupações na Turquia, devido à sua abordagem ecuménica. A declaração comum que os líderes das duas igrejas assinaram, realçou a irmandade cristã, mas também revelou a importância de “um autêntico e honesto diálogo inter-religioso.” Por outro lado, enquanto acentua a necessidade de “preservar as raízes cristãs da Europa," regista que o continente deve continuar “aberto a outras religiões e às suas contribuições culturais.”

28 novembro 2006

O mundo tem os olhos na visita do Papa à Turquia


O Papa Bento XVI chegou hoje à Turquia, às 13 horas locais, e foi recebido pelo primeiro-ministro turco no Aeroporto de Esenboğa, em Ancara. Contrariamente ao que estava previsto, pelo menos há dois dias, mas que ontem já parecia uma possibilidade, o primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdoğan, recebeu o Papa Bento XVI, embora no aeroporto e com partida prevista para Riga logo de seguida.
Os dois cumprimentaram-se e reuniram-se de imediato na sala vip do aeroporto, inicialmente na presença dos jornalistas, e depois à porta fechada durante cerca de 20 minutos. Erdoğan mostrou-se muito cordial, falando no seu empenho numa Aliança das Civilizações, projecto que lidera juntamente com o primeiro-ministro espanhol Zapatero, sob a alçada das Nações Unidas, e que tem como objectivo resolver as clivagens entre o Oriente e o Ocidente. Por outro lado, o Papa apelou a um diálogo verdadeiro entre cristãos e muçulmanos. Depois, Erdoğan deu uma conferência de imprensa e partiu para Riga, na Letónia, para comparecer na cimeira da NATO. Nessa conferência de imprensa, Erdoğan revelou que o Papa afirmou que o Islão é uma religião de paz, e lhe disse que apoiava a entrada da Turquia na União Europeia.
O Papa seguiu para Anıtkabir, o Mausoléu de Atatürk, o fundador da República turca, onde depositou uma coroa de flores e escreveu no Livro de Honra. Mais tarde foi recebido com uma cerimónia de Estado pelo presidente da República turco, Ahmet Necdet Sezer, no Palácio Presidencial, em Çankaya. Sezer e o Papa Bento XVI discutiram formas para melhorar o entendimento e cooperação mútuas, e trocaram opiniões sobre alguns tópicos regionais e internacionais.
Depois de se encontrar com o ministro do Estado e vice-primeiro-ministro, Mehmet Ali Şahin, reuniu-se com Ali Bardakoğlu, o director geral dos Serviços Religiosos e o mais alto líder religioso da Turquia. Ambos falaram de tolerância e de diálogo, com o Papa a lembrar que é preciso garantir a liberdade da minoria religiosa católica no país.
No geral, as minorias religiosas têm liberdade de culto na Turquia, mas são-lhes negados alguns direitos importantes. No caso concreto do catolicismo, não existe o direito de propriedade e os sacerdotes têm alguns problemas para conseguirem vistos de permanência no país. A Turquia é um país laico, com separação entre a religião e o Estado, mas tem controlo total sobre a religião, na medida, por exemplo, em que os discursos dos imames são "fabricados" no Directorado Geral dos Assuntos Religiosos. Ou seja, um imame não pode dizer o que entende durante um sermão numa mesquita. Os imames são funcionários públicos e estão dependentes desse organismo que tutela todos os assuntos religiosos na Turquia.

O Papa fez um longo discurso em nome da Aliança das Civilizações, dizendo que a Igreja Católica respeita os muçulmanos, tem muito respeito pelos Turcos e que a Turquia constitui uma ponte entre culturas. Teceu muitos elogios ao país e aos Turcos, o que contrastou com o que tinha dito enquanto cardeal Ratzinger, quando disse ser contra a entrada da Turquia na União Europeia, alegando que "seria um erro grave contra a maré da História." Tentou aliviar a tensão latente com o mundo muçulmano, dizendo que tem de haver reciprocidade entre os dois lados da ponte.
No âmbito da sua visita oficial a Ancara, o Papa recebeu chefes de missões diplomáticas na Embaixada do Vaticano, falando-lhes da importância de um verdadeiro diálogo com o Médio Oriente.
Desde que o Papa chegou, que não tem havido contestação nas ruas. Vive-se um clima de tranquilidade e de indiferença. O Papa está a ser bem recebido, com tapete vermelho à porta do avião, com comportamentos calorosos por parte das entidades oficiais e sem contestação por parte da população.
Erdoğan foi dos primeiros líderes do mundo muçulmano a criticar as polémicas declarações que o Papa proferiu, mas cumpriu todo o protocolo, contrariamente ao que o se esperava, uma vez que até já tinha avisado a Santa Sé de que não estaria presente durante a visita papal. A Turquia recebeu o Papa com a maior operação de segurança alguma vez operada no país, sendo mesmo superior àquela que protegeu George W. Bush quando este visitou a Turquia após a guerra do Iraque. Existe um polícia a cada cinco metros e a segurança ainda é mais apertada no perímetro da Embaixada do Vaticano. O líder da Igreja Católica está a ser protegido por 22 000 elementos de segurança.
Amanhã de manhã o Papa vai deslocar-se à cidade de Izmir, onde irá realizar uma cerimónia religiosa na Igreja da Virgem Maria, localizada na vila de Selçuk, na província de Izmir. Pensa-se que Maria viveu nessa casa com o Apóstolo São João, após a morte de Cristo. Actualmente esse edifício funciona como pequena igreja e constitui um centro importante de peregrinação católica. Após a celebração religiosa na Igreja da Virgem Maria, o Papa vai viajar nesse mesmo dia para Istambul, onde é aguardado no Patriarcado Grego Ortodoxo para uma celebração religiosa em sua honra e que contará com a presença importante do seu líder, o patriarca Bartolomeu I. Bartolomeu I foi o mentor do convite feito ao Papa para visitar a Turquia, oficialmente formulado pelo presidente da República turco. Este é um encontro muito importante, o encontro do Vaticano com a Igreja Ortodoxa, uma aproximação ao fim de 1000 anos, e um dos objectivos que o Papa Bento XVI estipulou para o seu pontificado. Pensa-se que poderão acontecer algumas manifestações quando o Papa se encontrar com Bartolomeu I, uma vez que este não pode utilizar o título de Patriarca Ecuménico, e não se sabe como é que o Papa se lhe vai dirigir. A utilização do título ecuménico colide profundamente com o laicismo instaurado na Turquia pelo seu fundador Atatürk. Para o dia 30 está prevista outra cerimónia religiosa na Igreja de São Jorge para a celebração da Festa de Santo André, o padroeiro da Igreja Ortodoxa. Também está prevista uma saudação a partir da varanda do Patriarcado e a visita à Mesquita Azul e ao Museu de Santa Sofia. O que o Papa irá fazer nestes dois monumentos tão simbólicos ainda não se sabe. Vai ainda realizar uma cerimónia religiosa na Catedral do Santo Espírito em Istambul, na sexta-feira, último dia da sua visita ao país.

26 novembro 2006

Erdoğan vai estar em Riga durante a visita papal

"Não podemos cancelar o nosso programa em Riga só por causa da visita do Papa à Turquia. Um grande número de representantes de Estado e de Governo vai estar em Riga, e nós temos a oportunidade de estar com eles," disse o primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdoğan na quinta-feira.
Em resposta às questões dos jornalistas durante o Fórum Económico Mundial que decorreu em Istambul, Erdoğan disse: "Existe uma disciplina estabelecida na diplomacia internacional. Atempadamente, o nosso ministro dos Negócios Estrangeiros informou o Vaticano de que a visita do Papa coincidia com a reunião da NATO em Riga, e perguntou se seria possível alterar a data da visita. O vice-primeiro-ministro Mehmet Ali Şahin vai representar-me. O Papa irá ser recebido igualmente pelo presidente Ahmet Necdet Sezer e por Ali Bardakoğlu, o representante dos Assuntos Religiosos. Lamentamos que existam tentativas para corromper os nossos esforços em criar uma aliança entre as civilizações. Temos sempre defendiado a liberdade religiosa." Quando lhe perguntaram se a questão de Chipre seria discutida na reunião da NATO, Erdoğan disse que não.