03 outubro 2006

Elemento do PKK foi morto em Mardin

Um elemento do ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) foi morto no passado Domingo durante uma operação na província de Mardin, de acordo com a agência noticiosa Anatólia.
A morte aconteceu durante uma operação que tinha aparentemente como alvo membros do PKK que mataram um tenente na mesma região num confronto na semana passada perto do distrito de Dargeçit. Os confrontos terão começado perto do distrito de Ömerli na província de Mardin entre um grupo do PKK e forças de segurança, depois do grupo ter ignorado ordens para parar. O confronto de Domingo com o grupo do PKK aconteceu no primeiro dia de um cessar-fogo unilateral declarado pelo PKK no Sábado, depois do pedido feito pelo seu líder Abdullah Öcalan a partir da prisão onde se encontra. A Turquia não acatou o pedido de Öcalan, com o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan a dizer que um cessar-fogo era acordado entre Estados, não com organizações terroristas e sublinhou que o PKK devia depor as armas. As autoridades de segurança também disseram que as operações contra o PKK não iriam parar.
A Turquia tem ignorado todos os outros pedidos de cessar-fogo feitos pelo grupo, classificado como uma organização terrorista pela Turquia, Estados Unidos e União Europeia. O PKK, de acordo com o pedido de Öcalan, disse que só irá usar armas se for atacado pelo exército turco. Erdoğan, em conversa com os jornalistas a caminho dos Estados Unidos no Sábado, disse que o fim das operações de segurança estava fora de questão, mas acrescentou que não iriam haver operações surpresa. “Em nenhum local do mundo as forças de segurança param as suas operações, contudo, não haverá nenhuma operação fora desse âmbito”. Os confrontos de Domingo aconteceram depois de um soldado ter morrido e de outro ter sido ferido no Sábado quando pisaram uma mina que se crê ter sido colocada pelo PKK na província de Hakkari.

Turquia e Estados Unidos discutem estratégia contra o PKK

Turquia e Estados Unidos discutem estratégia contra o PKK

Erdoğan disse que discutiu com Bush uma estratégia conjunta para o combate ao terrorismo, e caminhos para a adopção de medidas concretas para lidar com o problema.

O primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdoğan reuniu-se com o presidente dos Estados Unidos George W. Bush no Domingo, para discutir uma estratégia de cooperação contra o radicalismo e extremismo e medidas contra o terrorismo.
Bush, numa conferência de imprensa conjunta com Erdoğan, depois de cerca de duas horas de reunião, revelou apoio à entrada da Turquia na União Europeia, evitando no entanto uma declaração clara relativamente às preocupações de Ancara sobre o cessar-fogo proposto pelo ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK). “Eu disse claramente ao primeiro-ministro que penso que é do interesse dos Estados Unidos que a Turquia faça parte da União Europeia”, disse Bush aos jornalistas na conferência de imprensa. Disse igualmente que abordaram o extremismo e radicalismo, assim como esforços comuns para “trazer estabilidade para o médio oriente" e a situação Irão e Iraque.
Bush congratulou Erdoğan pelas reformas económicas que “permitiram que a economia turca se tivesse fortalecido para o bem da população turca”, e elogiou-o como “amigo e homem de paz”.
Outro assunto que Bush e Erdoğan discutiram foi a região problemática do Darfur, com Bush a referir que “o nosso grande desejo é melhorar as vidas daqueles que sofrem no Darfur”.
O encontro Erdoğan-Bush foi muito aguardado, principalmente no que diz respeito ao tema da luta contra o PKK. Erdoğan, em declarações antes de partir para os Estados Unidos, disse que iria pedir aos responsáveis norte-americanos para tomarem medidas para acelerar o processo de luta contra o PKK.
Erdoğan disse que discutiu com Bush todos os asuntos importantes entre dois parceiros estratégicos, com maior destaque para o combate ao terrorismo.
Numa conferência de imprensa só para jornalistas turcos, mais tarde, Erdoğan disse que ele e Bush discutiram passos conjuntos para o combate ao terrorismo, e medidas que permitam passos importantes contra o terrorismo. Declinou, contudo, fornecer uma linha cronológica de actuação relativamente a medidas contra o PKK. Disse ainda que os dois países já partilhavam da opinião de que uma plataforma global necessita de ser criada para combater o terrorismo global.
A conversa entre Erdoğan e Bush aconteceu depois do PKK ter anunciado um cessar-fogo unilateral no Sábado, de acordo com uma comunicação do líder Abdullah Öcalan a partir da prisão onde se encontra. O pedido de Öcalan foi precedido de uma declaração feita pelo presidente iraquiano Jalal Talabani, um Curdo, dizendo que o PKK iria anunciar um cessar-fogo nos próximos dias.
Os analistas dizem que a liderança curdo-iraquiana ajudou a projectar um anúncio de cessar-fogo do PKK com a instigação dos Estados Unidos.
Horas antes do encontro Erdoğan-Bush, O comandante geral das Forças Armadas, general Yaşar Büyükanıt, anulou claramente o cessar-fogo unilateral do PKK. “As Forças Armadas turcas disseram que vão manter a luta contra o terrorismo até que não exista um único terrorista armado. Não há uma única mudança na nossa posição, nem haverá”, disse num discurso na Academia Turca de Guerra em Istambul. “A única solução para os membros da organização terrorista é baixarem as armas e renderem-se à justiça turca”. As declarações de Büyükanıt pareceram ser uma resposta às propostas de uma amnistia para o PKK, no sentido de fazer descer os seus militantes das montanhas Kandil no Iraque, e fazê-los largar as armas. Relatos jornalísticos disseram antes do encontro, que os Estados Unidos queriam que a Turquia proclamasse uma amnistia para ajudar a resolver o problema, embora os responsáveis americanos nunca tenham feito declarações públicas que sugerissem isso. “É mencionado [...] um cessar-fogo como se houvessem dois países em guerra”, disse Büyükanıt sobre a declaração do PKK. “Isto foi agendado primeiro por certos indivíduos, instituições e grupos. Depois, pedidos semelhantes foram feitos por membros do parlamento europeu e alguns Estados. Na semana passada, a pessoa que ostenta o título de presidente do Iraque disse que tinha convencido a organização terrorista a cessar-fogo. E depois, a organização terrorista declarou um cessar-fogo. Isto mostra que o assunto se trata de grande plano”.
A Turquia ignorou as anteriores declarações de cessar-fogo do PKK, e os oficiais acreditam que se trata de um mero movimento táctico. Os peritos militares dizem que a chegada do Inverno nas áreas montanhosas do sudeste na fronteira com o Iraque, onde o PKK é particularmente activo, iria forçar o grupo terrorista a abrandar os seus ataques ate à proxima primavera. Büyükanıt disse que a experiência do passado demonstrou que não há outra alternativa senão manter a luta contra o PKK. “Tem-se visto que a organização terrorista arranja ramificações onde quer e até tentou pactuar com o Estado para concretizar alguns objectivos”, disse.

02 outubro 2006

Louis Michel apoia a entrada da Turquia na União Europeia

Louis Michel apoia a entrada da Turquia na União Europeia

O anterior ministro dos Negócios Estrangeiros belga e actual membro da Comissão Europeia, Louis Michel, demonstrou o seu apoio à Turquia face à pressão da União Europeia para aceitar o "genocídio" relativamente à Arménia.

Falando sobre esse assunto, Michel disse ontem em Bruxelas: "não podem ser apresentados novos critérios políticos à Turquia para a adesão à União Europeia. A Turquia tem uma grande importância para a União Europeia. Basta olhar e ver onde é que as linhas energéticas se cruzam para perceber isso".
Michel focou o papel da Turquia na região, e como estava convencido daquilo a que chama "a grande necessidade da UE relativamente à Turquia". "Basta olhar para os problemas na região. Se olharmos para os problemas no Iraque, Médio Oriente, Irão, reparamos que a Turquia é um país chave em tudo isso[...]. Existem parlamentares no Parlamento Europeu que parecem comportar-se como se a Turquia se fosse tornar membro amanhã. A entrada da Turquia ainda vai demorar algum tempo, e temos de dar tempo ao país para se preparar".

Aumenta a tensão com a França devido ao alegado genocídio arménio

Aumenta a tensão com a França devido ao alegado genocídio arménio

Em resposta à pergunta se a Turquia deveria reconhecer que o massacre de Arménios em 1915-1917 pelo Império Otomano se tratou de um "genocídio", Chirac respondeu: “Sinceramente, penso que sim”.

As relações ente Ancara e Paris foram perturbadas no Sábado pelas declarações que o presidente francês Jacques Chirac fez durante a visita de Estado de dois dias que realizou à Arménia, dizendo que a Turquia devia reconhecer que o massacre de Arménios durante a 1.ª Grande Guerrra foi um “genocídio”, antes da sua possível entrada na União Europeia.
"Todos os países crescem aprendendo com os seus dramas e erros", disse Chirac.
O evento ocorreu no meio dos intensos esforços que a Turquia tem estado a desenvolver para evitar que a Assembleia Nacional Francesa adopte uma resolução reconhecendo que a morte de Arménios no primeiro quarto do século passado se tratou de um “genocídio.” O voto está agendado para o dia 12 de Outubro.
Fontes diplomáticas do ministério turco dos Negócios Estrangeiros, sublinharam a importância que a Turquia atribui às relações bilaterais com a França, e exprimiram preocupação relativamente à adopção de uma medida tão controversa que poderá prejudicar as relações entre as duas nações, assim como os empresários franceses com negócios na Turquia e que negoceiam com a Turquia.
“Mesmo que essa medida seja adoptada, não é possível a Turquia aceitar uma teoria desse tipo”, revelaram as mesmas fontes, acrescentando que Ancara tem estado a contactar responsáveis franceses a todos os níveis para impedir que essa medida seja aprovada.
Os diplomatas turcos chamam a atenção para o facto de que a Arménia, fazendo com que as acusações de genocídio contra a Turquia sejam aceites por outros paises, está a tentar prejudicar as relações bilaterais entre a Turquia e outros países e a garantir benefícios políticos.
“O lobby arménio devia abandonar os jogos de bastidores, e devia apresentar argumentos concretos suportados por factos históricos”, disseram as mesmas fontes diplomáticas referindo-se à proposta que Ancara fez no ano passado para o estabelecimento de um comité conjunto de peritos arménios e turcos para o estudo das alegações de um "genocídio" arménio nos momentos finais do império otomano.
No início do mês passado, durante conversações com o seu homólogo francês, Philippe Douste-Blazy, integradas na visita a França do ministro dos Negócios Estrangeiros turco Abdullah Gül, foi sugerido que a França participasse nesse comité.
Gül disse nessa altura que outros países incluindo a França podiam integrar esse comité composto por académicos turcos e arménios para o estudo das alegações.
Enquanto Ancara emitia no Sábado uma declaração a condenar o incidente, oficiais séniores turcos, referiam que as declarações de Chirac foram “totalmente inaceitáveis” e que iriam certamente ter um sério impacto nas relações políticas e económicas entre os dois países.
No Sábado, Chirac e a sua mulher Bernadette, compareceram numa cerimónia solene no monumento arménio dedicado aos alegados massacres de Arménios de 1915-1917 pelo império otomano.
Esta é a primeira visita de um presidente francês a esta nação pobre do Cáucaso, que tem desavenças com os seus vizinhos túrquicos, Azerbaijão e Turquia.
Chirac colocou flores no monumento Tsitsernakaberd antes de ser conduzido a uma visita ao denominado "Museu do Genocídio".
A França, que tem 400 000 cidadãos originários da Arménia, reconheceu oficialmente os eventos da 1.ª Guerra Mundial como "genocidas" em 2001, arrefecendo as suas relações com a Turquia, país candidato a membro da União Europeia e seu parceiro na NATO.
Muitos países, incluindo os Estados Unidos e Israel, recusaram-se até agora a reconhecer os massacres como "genocídio".
Ancara argumenta que 300 000 Arménios e pelo menos o mesmo número de Turcos morreram num conflito interno despoletado por tentativas de Arménios adquirirem a independência relativamente ao Leste da Anatólia.
A Arménia também tem um conflito com o Azerbeijão relativamente ao enclave étnico de Nagorno Karabakh, sobre o qual ganhou controle numa guerra no início dos anos 90, mas que ainda é reconhecido internacionalmente como parte do Azerbaijão.

29 setembro 2006

Ocalan pede cessar-fogo

Ocalan pede cessar-fogo

No seguimento do pedido efectuado esta semana pelo Partido da Sociedade Democrática (DTP, pró-curdo), para o PKK efectuar um cessar-fogo, o anterior líder do PKK, Abdullah Ocalan, também pediu um cessar-fogo a partir da prisão onde se encontra a cumprir prisão perpétua, na ilha de Imrali.
Ocalan foi condenado em Junho de 1999 por um tribunal turco, acusado de "separatismo" e "traição".
Depois dos seus advogados se terem reunido com Ocalan na quarta-feira, enviaram uma declaração de Ocalan à imprensa, na qual o antigo líder do PKK pede ao grupo terrorista para "enterrar as suas armas". A declaração de duas páginas de Ocalan, que foi enviada via fax à imprensa pelos seus advogados, também diz: "o primeiro-ministro disse no passado que 'nós vamos fazer da Turquia um Estado que se tornará um modelo para todo o Médio Oriente'. Este é o nosso objectivo. E neste momento, estou a falar para os elementos de topo do governo também. Por favor, deixem todos trabalharem juntos para fazerem o que tem de ser feito. Porque a paz no Médio Oriente só vai acontecer quando Turcos e Curdos viverem juntos em harmonia democrática. Uma solução democrática, paz e diálogo, são para benefício de todos".
O PKK já decretou quatro tréguas, todas elas rejeitadas pelo exército turco. O chefe do governo, Recep Tayyip Erdoğan, já respondeu dizendo que a expressão "cessar-fogo" está mal aplicada, porque "só pode ser declarada entre Estados", acrescentando que o grupo terrorista só tem de entregar as suas armas.

28 setembro 2006

As eleições na Holanda e o alegado genocídio arménio

Três cidadãos turcos que residem na Holanda, foram removidos das pré-listas eleitorais por não reconhecerem o alegado genocídio arménio.
Com as eleições autárquicas holandesas a 22 de Novembro, a campanha iniciada por Arménios da diáspora parece ter sido bem sucedida, uma vez que o Partido dos Trabalhadores Sociais Democratas e o Partido Democrata Cristão retiraram os candidatos turcos das suas listas, por estes se recusarem a aceitar o alegado genocídio arménio.
A retirada do candidato do Partido dos Trabalhadores Democratas Erdin Sacan, ocorreu no início desta semana e foi seguida pouco depois pela decisão do Partido Democrata Cristão de retirar Ayhan Tonca e Osman Elmaci da sua lista de candidatos.

27 setembro 2006

Responsáveis pelas mortes de Sivas não beneficiam de lei para terroristas

Não ficou provado que os autores do crime de Sivas pertencessem a um organização terrorista e, como tal, não podem beneficiar de uma lei especial que lhes poderia conceder uma amnistia.
O directorado de Segurança indeferiu um pedido dos advogados dos réus no caso do crime de incêndio culposo em Sivas, em que solicitavam que os seus clientes fossem autorizados a beneficiar da lei de reintegração na sociedade.
Os instigadores da tragédia de Sivas - na qual 37 pessoas, a maior parte intelectuais alevitas, perderam a vida quando o hotel onde estavam hospedados foi incendiado por um grupo religioso fundamentalista há 13 anos - não podem beneficiar dessa lei, disse o directorado numa nota enviada para o 11.º tribunal criminal de Ancara. A lei aplica-se apenas a membros de organizações terroristas, disse o departamento, e “a presença de uma organização à qual pertencessem os autores do crime de Sivas não foi detectada [durante a investigação]”.
A lei de reintegração concede amnistia a membros de organizações terroristas que não tenham participado em crimes cometidos por essa organização, que tenham deixado de pertencer a essa organização ou a tenham denunciado às autoridades.
Os advogados de acusação Şenal Sarıhan, Kazım Genç e Süleyman Ateş participaram na audiência, que teve lugar no 11.º tribunal criminal de Ancara na segunda-feira. A resposta ao pedido, que tinha sido enviado ao directorado de Segurança Nacional, foi anunciada pelo juiz do tribunal, Mehmet Orhan Karadeniz.
De acordo com a nota proveniente do Directorado, 49 réus requereram amnistia ao abrigo da lei de reintegração.

26 setembro 2006

Mesrob II: "Este ano também estou a praticar o jejum"

Mesrob II:

Vários líderes religiosos da Turquia juntaram-se num grande iftar (refeição que sucede ao jejum durante o Ramadão), organizado pela Câmara Municipal de Şişli, em Istambul.
Em conversa com os jornalistas na tenda do iftar montada em Şişli, o patriarca arménio na Turquia, Mesrob II, referiu: "no cristianismo também temos jejuns. Este ano, penso juntar-me aos meus colegas crentes no jejum".
Também presente no primeiro iftar do Ramadão deste ano, esteve o representante do Vaticano na Turquia, Georges Markovich, assim como os líderes das congregações Suryani na Turquia, Yusuf Sağ e Yusuf Çetin. Markovich referiu que o mês do Ramadão, é um mês em que as orações de pessoas de todo o mundo contribuem para a paz na terra.

Jovem tenente morto numa emboscada do PKK

Jovem tenente morto numa emboscada do PKK
O ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), aunciou ser o responsável pela explosão de um camião na província de Iğdır, uma área onde o PKK não costuma actuar, de acordo com a agência noticiosa pro-PKK, Fırat. O ataque de sábado, que teve lugar perto de um hotel para polícias, feriu 17 pessoas, incluindo cinco oficiais da polícia e quatro jogadores de um pequeno clube de futebol que tinham viajado de Ancara para Iğdır para um jogo.
O grupo também realizou emboscadas às forças de segurança na província de Mardin, no sudeste da Turquia, matando um tenente e ferindo dois guardas, no seu mais recente acto de violência. As forças de segurança efectuavam patrulha quando foram atacadas por militantes do PKK, no domingo, perto de Dargeçit. O tenente Cengiz Evranos, de 24 anos, foi ferido durante os confrontos, vindo a falecer mais tarde no Hospital Militar de Şırnak. Os dois guardas ficaram feridos e continuam hospitalizados. Em resposta a esta emboscada, o exército lançou uma ofensiva na área, apoiada por helicópteros de guerra.
Em conversa com os jornalistas, depois de ter recebido a notícia da morte do seu filho, Mehmet Nuri Evranos culpou os Estados Unidos pelos incidentes no sudeste da Turquia, dizendo: "Deixem todos os políticos e primeiro-ministros mandarem os seus filhos para Dargeçit. Deixem-nos ir e dar as suas vidas pela nação. Eu não quero dizer 'obrigada país' (uma expressão turca usada pelos pais depois da morte de um filho em serviço militar). As nossas fronteiras estão definidas, deixem-nas estar como estão." O tenente Evranos foi hoje sepultado em Balıkesir.
Os confrontos de domingo foram o último incidente violento perpretado pelo PKK no sudeste da Anatólia, depois de ter quebrado o cessar-fogo unilateral de 2004. Mais de 90 militares foram mortos pelo PKK nos primeiros sete meses de 2006. O grupo também reivindicou um outro atentado que aconteceu no sábado e que provocou o descarrilamento de um comboio de carga perto da província de Elazığ, no sudeste da Turquia. As tensões têm aumentado no sudeste do país, desde que uma bomba matou dez pessoas, a maior parte crianças, na cidade de Diyarbakır, no princípio deste mês, acendendo protestos de milhares de pessoas que pedem o fim da violência. O PKK negou responsabilidades nesse ataque.

25 setembro 2006

Chuvas torrenciais na Turquia

Chuvas torrenciais na Turquia
Chuvas e ventos fortes estão a afectar a maior parte do centro, sul e oeste da Turquia e espera-se que mais regiões sejam afectadas até quinta-feira, dizem os meteorologistas.
A chuva ontem deslocava-se de noroeste para o sul e centro da Anatólia, afectando particularmente a província de Muğla, na região do mar Egeu. As autoridades avisaram que a queda de chuva irá continuar ao longo do dia de hoje na região sul do Mediterrâneo e na região do mar Negro.
Em Muğla, muitas ruas ficaram inundadas depois de meia hora de chuva torrencial, e as autoridades avisaram as populações para se prepararem para mais inundações e trovoadas.
Na popular vila turística do mar Egeu, Kuşadası, as autoridades mediram 50 litros de chuva por metro quadrado.
A chuva provocou muita destruição na região de Sarıyer em Istambul, onde dezenas de casas e lojas foram inundadas. O trânsito ficou parado porque as ruas também ficaram inundadas. Habitantes dessas áreas criticaram a Câmara Municipal, nomeadamente pelas infra-estruturas de escoamento de água não estarem operacionais. As autoridades disseram que 123 casas e lojas foram inundadas em Istambul, nas áreas de Sarıyer e Beykoz no sábado, num total de 65 litros de água por metro quadrado.
“Penso que estamos perante as chuvas mais fortes dos últimos anos,” disse o presidente da Câmara de Sarıyer, Yusuf Tülün, sobre as inundações de sábado.

Ramadão e consumismo

Durante o mês do Ramadão, as pessoas que praticam o jejum tornam-se "monstros de consumo", segundo o vice-presidente do Sindicato dos Consumidores, Kemal Özer. “As pessoas engordam muito porque consomem grande quantidade de comida. O consumo de pão aumenta quatro a cinco vezes e a saúde é grandemente afectada," referiu Özer. Sobre as “despesas supérfluas do Ramadão”, Özer refere que muitos produtores do sector alimentar aproveitam esta altura para colocarem à venda uma grande variedade de produtos, o que contribui para um consumo excessivo. “No entanto, os pobres continuam com os seus níveis medíocres de consumo e comem massa e trigo," disse. Özer avisou que “de acordo com estudos efectuados em supermercados, os preços da farinha, ovos, óleo alimentar, massa, tâmaras, grãos, carne e doces aumentaram de dez a 100 por cento em comparação com o mês anterior. O aumento médio do preço de 25 produtos foi de 30 por cento. O preço das farinhas aumentou 20 por cento, produtos de limpeza dez por cento, ovos 100 por cento, tâmaras 40 por cento, grãos 20 por cento e azeitonas 40 por cento. Kemal Özer aconselha os consumidores a serem muito cautelosos quando efectuarem as suas compras.

FIA WTCC em Istambul

FIA WTCC em Istambul

O Campeonato do Mundo de Turismo (FIA WTCC) decorreu no autódromo de Istambul nos dias 23 e 24. O Italiano Alessandro Zanardi (BMW) venceu a 15.ª etapa no dia 23, obtendo a sua primeira vitória nesta temporada. No dia seguinte e na 16.ª etapa, o vencedor foi Gabriele Tarquini (Seat). No domingo, a corrida teve de ser adiada duas horas devido à chuva intensa que se fazia sentir em Istambul. O condutor turco, Ibrahim Okyay, a correr pela primeira vez neste campeonato, classificou-se no 14.º lugar da geral e no terceiro na categoria independente. A próxima corrida será em Valencia (Espanha), nos dias 7 e 8 de Outubro, e María de Villota (Espanha), a primeira mulher a participar neste campeonato, fará aí a sua primeira aparição.

24 setembro 2006

A questão das ordens religiosas na Turquia

A influência política e religiosa das ordens religiosas na Turquia, entrou na ordem do dia após o assassínio de um imame na mesquita İsmailağa, em Istambul.
O evento ocorreu numa região onde os habitantes se comportam e vestem como se fossem controlados por talibãs. Esta situação só foi descoberta após o linchamento e morte do imame pelos crentes.
Nesta região nenhuma loja vende álcool, todas as mulheres usam véu islâmico, todos os homens e rapazes usam longas túnicas islâmicas, e nenhuma agência imobiliária publicita casas nesta área.
A investigação policial inicial e as reportagens jornalísticas, têm revelado que a misteriosa comunidade foi criada pelos seguidores de um líder influente da comunidade de İsmailağa, um ramo poderoso de uma ordem religiosa abrangente.
O crime parece ter sido o resultado de conflitos de interesses dentro da comunidade, que cresceu para ser uma das mais poderosas e ricas sociedades religiosas de Istambul.
A sua crescente riqueza e influência constitui uma preocupação para aqueles que vêem as ordens como um fundamento prático para um Estado teocrático, enquanto alguns conservadores sustentam que as ordens religiosas oferecem a protecção e alívio que os errantes procuram na vida urbana confusa e agitada dos tempos modernos.

23 setembro 2006

O Ramadão começa amanhã

O Ramadão começa amanhã

O mês sagrado do Ramadão começa amanhã e termina a 22 de Outubro, sendo seguido pelo Festival do Ramadão (Ramazan Bayramı). Muitas instituições de caridade, associações, edifícios governamentais e câmaras municipais de todo o país prepararam-se para o Ramadão. Em todo o país serão dados alimentos a centenas de milhar de pessoas e serão fornecidos jantares do Ramadão (iftar) gratuitos todos os dias. O ministro da Saúde avisou as pessoas na sexta-feira, pedindo-lhes para se levantarem de noite e comerem antes do jejum, que só termina com o pôr-do-sol. Se não fizerem isso, poderão sentir dores de cabeça, cansaço e tensão arterial elevada, disse o ministro. Referiu igualmente que dietas desequilibradas durante o Ramadão podem originar problemas de saúde, acrescentando: "Deve comer-se devagar e em pequenas quantidades. O jejum deve terminar com uma refeição leve, como sopa, e continuar com outro tipo de comida. Pelo menos dez copos de água devem ser bebidos entre o final de um dia de jejum e o início do próximo". O primeiro dia de jejum termina às 18.53 horas em Ancara, às 19.09 horas em Istambul e às 19.16 horas em Izmir. As mesquitas vão ajustar as horas de oração às horas de trabalho. Os Imames foram avisados pelo Directorado dos Assuntos Religiosos para dedicarem o tempo necessário a cada oração.
O nutricionista do hospital público de Denizli, Mustafa Yıldız, disse na sexta-feira que aqueles que fazem jejum devem terminá-lo cada dia com uma sopa e iniciar o jantar dez minutos depois. Disse também que, apesar do jejum ser um acto muito saudável, muitas pessoas sofrem de problemas de peso e problemas cardíacos durante o Ramadão, devido a dietas desequilibradas. “Alguns jantares após o jejum são muito fortes. Depois de um dia sem ingestão de alimentos, o organismo não está preparado para digerir tanta comida. Muitas pessoas são hospitalizadas depois de um jantar forte durante o Ramadão.”
O presidente do Crescente Vermelho (Kızılay) de Mersin, Dr. Merthan Tunay, disse na sexta-feira que doar sangue uma hora depois do fim do jejum é benéfico para a saúde, e que as doações de sangue durante o Ramadão baixam consideravelmente. Tunay disse ainda que doar sangue baixa o risco de ataque cardíaco, o nível de gordura no sangue e aumenta a resistência do organismo às doenças. Disse também que as pessoas podem doar sangue de manhã cedo durante o jejum, mas acrescentou não ser aconselhável, porque o jejum provoca a descida do nível de açúcar no sangue. Depois de um dia de jejum, a ingestão de alimentos faz com que o metabolismo trabalhe mais depressa e aumente os níveis de gordura e de colesterol no sangue, sendo recomendada a doação de sangue uma hora depois do jejum terminar.

22 setembro 2006

A União Europeia saudou a absolvição de Elif Şafak

“A comissão acolhe bem este julgamento, estas são obviamente boas notícias,” disse Krisztina Nagy, porta-voz de Oli Rehn, comissário europeu para o Alargamento. "Contudo, apesar deste desenvolvimento positivo, permanece um facto: a interpretação que um tribunal turco faz de um artigo do seu código penal não está em sintonia com o tribunal europeu dos direitos humanos ou com as normas europeias na área da liberdade de expressão. Isto continua a atentar significativamente contra a liberdade de expressão na Turquia e contra todos aqueles que expressam uma opinião não violenta,” acrescentou Krisztina Nagy.
O primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdoğan, também saudou a absolvição de Şafak, dizendo que o seu governo está aberto a propostas de reformas para incentivar a liberdade de expressão. “Claro que a decisão tomada relativamente à senhora Şafak me agradou,” referiu Erdoğan. Assinalou ainda que o governo poderá reformar o Artigo 301 do Código Penal Turco (TCK). No entanto, insistiu que as liberdades não podem ser "ilimitadas”. “O partido do governo e a oposição podem discutir este assunto novamente porque as leis não são eternas,” disse.
O Artigo 301 foi instituído no ano passado e permite sentenças até três anos de prisão por insultos à identidade nacional turca ou às instituições do Estado.
Referindo-se às vastas críticas de que o artigo é muito vago e deixa muita margem de interpretação, Erdoğan disse: “Se existirem propostas alternativas para o tornar mais específico, estamos prontos para as levar em consideração.”

A escritora Elif Şafak foi absolvida

A escritora Elif Şafak foi absolvida

O juiz Irfan Adil Uncu ilibou Elif Şafak de todas as acusações, no 1º Tribunal Criminal de Beyoğlu, em Istambul. A escritora poderia incorrer numa pena de até três anos de prisão, por uma personagem de ficção do seu mais recente livro "O Bastardo de Istambul", referir o genocídio de Arménios na Turquia durante a Primeira Grande Guerra.
Şafak não compareceu no tribunal, por ainda se encontrar num hospital de Istambul depois de ter dado à luz uma menina no passado sábado.
Manifestantes nacionalistas envolveram-se em confrontos com observadores internacionais e apoiantes da escritora à porta do tribunal, ontem de manhã. Os manifestantes empunhavam bandeiras turcas e outras bandeiras onde se lia “AB Faşismi" (Fascismo da UE) com a suástica nazi rodeada por um círculo de estrelas, como na bandeira da União Europeia. Ninguém foi ferido nesta manifestação, mas a policia prendeu duas pessoas.
Observadores europeus e internacionais viram o caso como um teste à vontade da Turquia reformar o seu sistema legal, para ir de encontro às normas da União Europeia no que diz respeito aos direitos humanos básicos como a liberdade de expressão. Şafak disse à cadeia de televisão turca "NTV" estar "muito feliz com a decisão do tribunal", mas expressou preocupação relativamente a uma "cultura de linchamento" em desenvolvimento na Turquia.