22 setembro 2006

A escritora Elif Şafak foi absolvida

A escritora Elif Şafak foi absolvida

O juiz Irfan Adil Uncu ilibou Elif Şafak de todas as acusações, no 1º Tribunal Criminal de Beyoğlu, em Istambul. A escritora poderia incorrer numa pena de até três anos de prisão, por uma personagem de ficção do seu mais recente livro "O Bastardo de Istambul", referir o genocídio de Arménios na Turquia durante a Primeira Grande Guerra.
Şafak não compareceu no tribunal, por ainda se encontrar num hospital de Istambul depois de ter dado à luz uma menina no passado sábado.
Manifestantes nacionalistas envolveram-se em confrontos com observadores internacionais e apoiantes da escritora à porta do tribunal, ontem de manhã. Os manifestantes empunhavam bandeiras turcas e outras bandeiras onde se lia “AB Faşismi" (Fascismo da UE) com a suástica nazi rodeada por um círculo de estrelas, como na bandeira da União Europeia. Ninguém foi ferido nesta manifestação, mas a policia prendeu duas pessoas.
Observadores europeus e internacionais viram o caso como um teste à vontade da Turquia reformar o seu sistema legal, para ir de encontro às normas da União Europeia no que diz respeito aos direitos humanos básicos como a liberdade de expressão. Şafak disse à cadeia de televisão turca "NTV" estar "muito feliz com a decisão do tribunal", mas expressou preocupação relativamente a uma "cultura de linchamento" em desenvolvimento na Turquia.

Navios gregos abandonaram emigrantes ilegais em águas turcas

Emigrantes ilegais foram colocados à deriva por navios gregos em águas territoriais turcas

Navios da guarda costeira grega foram por duas vezes apanhados em flagrante enquanto abandonavam emigrantes ilegais no mar, num pequeno barco de plástico sem remos, não muito longe das vilas turcas de Ayvalık e Kuşadası na costa do mar Egeu.
O jornal diário "Hürriyet", que obteve as fotografias tiradas pelas autoridades da segurança costeira turca, publicou as fotos que mostram os emigrantes ilegais a tentarem chegar à costa usando as próprias mãos.
A Grécia é um ponto importante de trânsito de emigrantes que procuram entrar nos países da União Europeia, com rotas frequentes de contrabando entre as ilhas gregas e a costa da Turquia.
A Turquia e a Grécia assinaram um protocolo em Novembro de 2001 para ajudar a combater o terrorismo e a emigração ilegal. No entanto, em 2003, Atenas começou a deixar emigrantes ilegais nas águas territoriais turcas. De acordo com os números oficiais da polícia turca, as autoridades gregas enviaram ilegalmente um total de 5800 emigrantes desta forma entre o início de 2003 e Agosto de 2006.
O ministério turco dos Negócios Estrangeiros diz que tanto a Turquia como a Grécia esperam resolver o problema através da criação de medidas de segurança recentemente desenvolvidas pelos ministros dos Negócios Estrangeiros dos dois países. Acrescenta que os incidentes tiveram lugar antes de uma reunião entre os dois ministros dos Negócios Estrangeiros, que aconteceu em Junho, onde se abordou o assunto.
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Abdullah Gül, e a sua homóloga grega, Dora Bakoyannis, anunciaram em Istambul um conjunto de medidas destinadas a impulsionar a confiança entre Gregos e Turcos e a ajudar a travar as suas disputas territoriais no mar Egeu. Os dois países também acordaram em lei o início de conversações entre as autoridades de segurança costeira turcas e gregas. Durante uma recente reunião em Nova Iorque sobre outras linhas de actuação, tanto Gül como Bakoyannis concordaram relativamente ao começo imediato das conversações entre as autoridades de segurança costeira dos dois países.

21 setembro 2006

Jornalista condenado por ter "insultado" o primeiro-ministro turco

Jornalista condenado por ter insultado o primeiro-ministro turco
O jornalista do jornal diário "Birgün", Erbil Tuşalp, foi considerado culpado por ter "insultado" o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan. Tuşalp foi considerado culpado pelos comentários que escreveu num artigo, onde perguntava se Erdoğan teria tido febre alta em criança, usando o termo “agressivo psicótico” para o descrever. O advogado de Tuşalp argumentou que os comentários não foram insultos mas sim críticas, não tendo convencido o tribunal.
Tusalp foi condenado a pagar 5000 YTL (cerca de 2500 euros), embora Erdoğan tenha pedido uma indemnização de 10 000 YTL.

Elif Şafak vai hoje a tribunal

Elif Şafak vai hoje a tribunal

A escritora Elif Şafak, uma das mais premiadas escritoras turcas, vai enfrentar hoje o tribunal por ser acusada de ter "insultado a identidade turca" no seu romance "O Bastardo de Istambul".
A acusação está relacionada com referências feitas ao alegado genocídio de Arménios em 1915 por uma das personagens de ficção desse romance.
"O Bastardo de Istambul", escrito originalmente em Inglês ("The Bastard of Istambul"), criou polémica quando foi traduzido para Turco ("Baba ve Piç") e publicado na Turquia em Março deste ano. O livro é uma saga envolvente de quatro gerações de mulheres que se movem entre a Turquia e os Estados Unidos, a par da história de uma família arménia que escapou aos massacres de 1915, deixando para trás uma criança que foi educada como Turca e muçulmana. O livro tornou-se um best-seller e já vendeu 60 mil cópias.
As acusações contra Şafak são baseadas no controverso Código Penal Turco (TCK) e no seu Artigo 301, que considera crime qualquer insulto contra o Estado, instituições do Estado, oficiais de topo e "identidade turca".
Şafak pode incorrer numa pena de até três anos de prisão, e o seu tradutor e editor também são alvo de acusações semelhantes.
Muitos outros jornalistas e romancistas famosos têm sido julgados com base nesse artigo. Oitenta casos, relacionados com a mesma acusação, aguardam ainda julgamento.

20 setembro 2006

FIA multa a Turquia em cinco milhões de dólares

FIA multa a Turquia em cinco milhões de dólares

Os organizadores do Grande Prémio de Fórmula 1 da Turquia foram alvo de uma multa recorde no valor de cinco milhões de dólares, por terem permitido que o Presidente turco-cipriota, Mehmet Ali Talat, tivesse entregue o troféu ao vencedor da corrida realizada no mês passado.
A FIA puniu a Turquia depois de Talat ter entregue o troféu ao condutor da Ferrari Felipe Massa, no pódio. Talat foi apresentado como sendo o presidente da República Turca do Norte do Chipre (KKTC), que só é reconhecida por Ancara.
Em reacção a esta punição da FIA, o ministro turco do Desporto, Mehmet Ali Şahin, disse tratar-se de uma multa elevada, mas acrescentou que foi bom o facto de pelo menos não terem perdido a realização da corrida de Fórmula 1 programada para o próximo ano.
Mehmet Atalay, director-geral da Juventude e Desportos, descreveu o castigo da FIA como uma tentativa de linchamento.
Murat Yalçıntaş, presidente da Câmara de Comércio de Istambul (ITO) e um dos organizadores do Grande Prémio turco, disse, depois do anúncio do castigo, que nunca politizaram o evento desportivo.

19 setembro 2006

Mantém-se a visita do Papa à Turquia

Mantém-se a visita do Papa à Turquia

A Turquia disse na passada segunda-feira, dia 17, que a visita do Papa Bento XVI irá acontecer em finais de Novembro, conforme programado.
De acordo com a Conferência dos Bispos Católicos que decorreu em Istambul no mesmo dia, a viagem do Papa continua agendada.
No entanto, o ministro turco dos Negócios Estrangeiros, Abdullah Gül, negou ter escrito uma carta ao Papa apelando ao não cancelamento ou adiamento da sua visita ao país. Abdullah Gül, disse também não ter havido qualquer mudança de atitude por parte do Governo turco relativamente à visita do Papa, a primeira ao país em 27 anos. "Uma mudança [na visita papal] está posta de parte neste momento," disse Gül, ao mesmo tempo que classificou as palavras do Papa de "muito infelizes", e contra os esforços internacionais para um entendimento entre as diferentes religiões e culturas.
"Muita água vai ter ainda de correr debaixo da ponte antes da visita," disse o ministro de Estado e também ministro dos Assuntos Religiosos Mehmet Aydın, no passado domingo. Acrescentou ainda: "O mundo espera que o Papa corrija a confusão mental e emocional que causou com os seus comentários."
O vigário apostólico da Anatólia, Luigi Padovese, disse não estar certo se a opinião pública turca está preparada para esta visita.
Bento XVI já é visto na Turquia como o papa anti-Turquia por se opôr à sua entrada na União Europeia, quando referiu tratar-se de "um grave erro [...] contra a tendência da História," enquanto ainda era cardeal Joseph Ratzinger. No entanto, o Vaticano tem-se distanciado dos seus comentários anti-Turquia do passado, assumindo que apenas reflectem uma opinião pessoal.
Em Fevereiro deste ano, o Papa Bento XVI aceitou formalmente um convite oficial do presidente da República turca Ahmet Necdet Sezer para visitar o país entre os dias 28 de Novembro e 1 de Dezembro deste ano, datas que coincidem com as festividades em honra de Santo André realizadas a 30 de Novembro. O patriarca da igreja ortodoxa grega Bartolomeu I, esperava que o Papa tivesse celebrado com ele essas festividades no ano passado. Bartolomeu foi recebido calorosamente por parte do Vaticano, após ter convidado o Papa para uma visita à Turquia no passado Outono para participar nas festas em honra de Santo André a 30 de Novembro. Numa aparente quebra do convite de Bartolomeu, o ministério turco dos Negócios Estrangeiros anunciou de imediato que Sezer tinha convidado o Papa para visitar o país em 2006.
Ainda na segunda-feira dia 17, o porta-voz do Vaticano na Turquia, George Marovic, disse que a viagem acontecerá conforme estipulado. Estas declarações aconteceram após a Conferência de Bispos Católicos, que, segundo os oficiais do Vaticano, já estava agendada há muito tempo.
Um coro de vozes na Turquia, clama pelo cancelamento da visita papal ao país se não for apresentado um pedido formal de desculpas. Mehmet Aydın disse, na passada segunda-feira, esperar que as autoridades turcas cancelem a visita papal caso Bento XVI não formalize um pedido de desculpas. "Aguardamos que as autoridades cancelem esta visita. A vinda do Papa não irá fomentar a união de civilizações, mas um confronto de civilizações," disse Aydın.
Os comentários do Papa, quando citou um imperador bizantino do século XIV que conectou o Islão com a violência e descreveu alguns dos ensinamentos do Islão como "diabólicos e desumanos", tem dominado as coberturas noticiosas há vários dias na Turquia, assim como em todo o mundo muçulmano e não só.
No passado domingo, Bento disse lamentar profundamente que as suas palavras tivessem ofendido os muçulmanos e que a citação proferida não reflectia a sua opinião pessoal. Disse ainda que a sua intenção com essas observações era encorajar um diálogo aberto e honesto.
Ali Bardakoğlu, presidente do Directorado dos Assuntos Religiosos, disse que o pedido de desculpas do Papa foi indirecto. "Ele não se desculpou por as suas palavras serem excessivas, mas por terem sido mal interpretadas," disse Bardakoğlu. Acrescentou ainda que o mundo islâmico continua à espera de um pedido de desculpas.
O programa da visita do papa Bento XVI à Turquia do dia 28 de Novembro ao dia 1 de Dezembro terá ênfase no seu encontro com Bartolomeu. Incluirá também uma deslocação a Ancara para um encontro com o Presidente turco, uma viagem às ruínas de Éfeso no dia 29, e uma reunião com Bartolomeu no dia seguinte em Istambul. Espera-se ainda que o papa Bento XVI celebre uma missa na catedral do Santo Espírito em Istambul no dia 1 de Dezembro.