25 outubro 2013

Nasceu um novo partido turco no Parque Gezi

 
Depois das manifestações do Verão, os grupos críticos de Erdoğan passaram à acção e fundaram o Partido do Parque Gezi, que pretende mudar a Constituição turca.
 
Inspirado pelos protestos do Verão em Istambul, o Partido do Parque Gezi (GZP) foi fundado esta quarta-feira. O objectivo é tornar-se numa alternativa ao Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP, islamita) do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan, no poder desde 2002. O partido nega a existência de uma liderança orgânica. “No Partido Gezi, presidente significa porta-voz. Gezi não aceita qualquer líder”, afirmou um dos fundadores, o músico de heavy metal, Cem Koksal, através da sua conta do Twitter. O símbolo do Partido do Parque Gezi será uma árvore estilizada em que o tronco será representado por uma pessoa. O próximo passo será a criação de uma página na Internet. O partido quer manter vivo o “espírito de Gezi”, não dizendo se pretende participar nas eleições do próximo ano. Para Março estão marcadas as eleições locais, mas é provável que o partido apresente listas para as legislativas de 2015. O objectivo primário do novo partido é influenciar o processo de revisão constitucional, promovendo os valores defendidos durante os protestos no Parque Gezi. “Sabemos que não podemos ter uma Constituição democrática sem luta. Ninguém irá dizer ‘aqui estão os direitos humanos para vocês, aqui está uma Constituição justa que permite que vivam todos juntos’. Entrar no Parlamento é necessário para mudar a Constituição”, pode ler-se na página do Facebook do partido, actualmente a única fonte de informação disponível, de acordo com o diário Hurriyet. "Queremos todos viver num país democrático. Para fazer valer as nossas reivindicações, descemos às ruas e perdemos vidas", diz ainda o comunicado divulgado na rede social.
Os protestos no Parque Gezi tiveram, de início uma origem ambientalista, quando um grupo de pessoas se manifestou contra a construção de um centro comercial no local. No entanto, as manifestações depressa passaram para o campo político, com milhões de Turcos a saírem às ruas contra Erdoğan, a quem acusavam de autoritarismo e de tentativas de islamizar o Estado turco. Um relatório recente da Amnistia Internacional considerou que a repressão dos protestos em Istambul foi desproporcional e condenou a acção da polícia e do Governo de Erdoğan. Seis pessoas morreram e mais de 8 mil terão ficado feridas durante os confrontos com a polícia. Desde então, a oposição ao AKP não tem conseguido capitalizar o descontentamento despertado durante os protestos. O partido de Erdogan continua a liderar as sondagens, num sinal de que a oposição existente não merece o crédito do eleitorado descontente. A paisagem política do país é dominada há mais de uma década por Erdoğan e pelo seu partido. Apesar do crescimento económico e da modernização que a Turquia vem assistindo, o conservadorismo propalado por Erdoğan, assim como os seus tiques ditatoriais, são criticados por uma fatia cada vez maior da população, especialmente entre os jovens. No entanto, é nas zonas rurais da parte asiática do país que Erdoğan continua a recolher apoio, permitindo a sua continuação no poder.
 
(Fonte: Público)

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