05 setembro 2008

Os Alevitas continuam invisíveis na Turquia


O Governo turco tomou uma iniciativa importante relativamente à comunidade alevita na Turquia ao nomear um conselheiro especial para se ocupar dos seus problemas, mas, Reha Çamuroğlu, um Alevita e mentor do projecto governamental de "abertura aos Alevitas", diz agora que as promessas feitas aos Alevitas não foram honradas. No entanto, Reha Çamuroğlu mantém-se como deputado do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, no Governo). Face a esta situação, o presidente do Directorado dos Assuntos Religiosos, Ali Bardakoğlu, declarou que está pronto para apoiar qualquer iniciativa relativa à comunidade alevita. "Vamos tomar todas as medidas para não deixar a Europa dividir a nossa sociedade. Se alguém foi ofendido ou pensa ter sido ofendido então temos de remediar isso," disse Bardakoğu ao diário Milliyet ontem, referindo-se aparentemente aos Alevitas. Bardakoğlu disse que se os Alevitas querem rezar nas "cemevi," a sua casa de oração, eles devem continuar a rezar lá, mas então não deviam perguntar-lhe se rezar numa "cemevi" significa a mesma coisa que rezar no Islamismo sunita. "Toda a gente sabe que rezar numa cemevi é uma prática que faz [os Alevitas] felizes, mas não é uma alternativa a rezar [no Islamismo sunita]," disse, em oposição a quaisquer mudanças radicais às práticas estabelecidas do Islão.
Um grupo de legisladores alemães, incluindo consultores veteranos de igrejas e religiões e o plenipotenciário da Igreja Evangélica da Alemanha, teve um encontro na passada terça-feira com Bardakoğlu. Antes de uma paragem em Ancara, o grupo visitou Tarso a cidade onde nasceu o apóstolo São Paulo. O Dr. Otmar Oehring, o presidente do departamento Missio-Aachen para os direitos humanos, disse que quando regressasse à Alemanha teria "infelizmente" de escrever um relatório negativo sobre a liberdade religiosa na Turquia. Disse que uma das suas queixas é o facto de Ancara não ter alterado a sua posição relativamente à reabertura do seminário Heybeliada numa ilha perto de Istambul. A Turquia tem sido pressionada pela União Europeia para reabrir o seminário Heybeliada, encerrado em 1971. Este seminário permaneceu aberto até 1985, quando os últimos cinco estudantes se licenciaram. Oehring acolheu bem a lei das fundações que passou recentemente no Parlamento Turco classificando o facto de "melhor do que nada," mas disse que há muito ainda a ser feito, tal como na questão alevita, uma vez que "os Alevitas não têm nenhum estatuto legal na Turquia". Referiu ainda que o Estado não aceita a existência dos Alevitas, o que torna impossível que estes reclamem direitos.

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