31 maio 2007

Quatro pessoas assassinadas por rebeldes curdos

Quatro pessoas foram assassinadas hoje e outras três ficaram feridas num ataque supostamente perpetrado por um grupo de rebeldes curdos na província turca de Bingöl, no sudeste do país.
As vítimas eram trabalhadores florestais que estavam a destruir árvores, com a permissão das autoridades, nos arredores da aldeia de Çiçekdere, quando foram atacadas por um grupo ligado ao ilegalizado Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).
Há 15 dias, um grupo de membros do PKK sequestrou, no mesmo local, dois trabalhadores florestais, que foram libertados dias mais tarde.
Os militares turcos estão a realizar operações em grande escala nas províncias do sudeste da Turquia, onde reside grande parte da minoria curda, e ao longo da fronteira com o Iraque.
O Exército aguarda ordens do Governo de Ancara para atravessar a fronteira e entrar no norte do Iraque, para combater os activistas do PKK que actuam nessa região.
O PKK optou pela luta armada em 1984, em nome da independência dos 12 milhões de curdos que vivem na Turquia. Cerca de 35 mil pessoas já foram assassinadas desde então, numa guerra não declarada entre o PKK e as forças de segurança da Turquia. O povo curdo vive na Turquia, Iraque e Síria, constituindo minorias em cada um desses três países.

(Fonte: EFE)

Presidente do Tribunal Constitucional anuncia acção contra o primeiro-ministro


A presidente do Tribunal Constitucional turco, Tülay Tuğcu, disse ontem que vai entrar com uma acção contra o primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdoğan, por insultos ao organismo a que preside. Tuğcu disse que Erdoğan intensificou os ataques contra o Tribunal Constitucional para limites intoleráveis, com ironias, e ultrapassando o limite da crítica ao recorrer ao insulto.
Como chefe do Governo, Erdoğan goza de imunidade, por isso a acção judicial não terá efeito prático algum, mas evidencia as relações cada vez mais tensas entre o presidente e o Tribunal Constitucional, tradicional bastião dos sectores laicos.
Na noite de terça-feira, Erdoğan criticou duramente a decisão do Tribunal Constitucional de estabelecer em 367 o quórum de deputados para iniciar a sessão de votação de escolha presidencial. O primeiro-ministro definiu a decisão como "uma vergonha para a justiça", tomada por "pressão política" e com falta "de base científica". Segundo Tuğcu, a declaração viola a regra que determina de que as decisões do alto Tribunal não podem ser discutidas."Aqueles que devem respeitar a lei e transformar-se num exemplo, estão a obscurecer a sua respeitabilidade com comportamentos como este", disse a presidente do Tribunal Constitucional.
O Partido da Justiça e o Desenvolvimento (AKP, no poder) apresentou como candidato presidencial o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abdullah Gül, que acabou por retirar a sua candidatura devido ao boicote da oposição.

Vaticano favorável à entrada da Turquia na União Europeia

A Igreja católica é favorável à entrada da Turquia na União Europeia pois este país "percorreu um longo caminho" e "respeita as regras fundamentais da vida comum", declarou o número dois do Vaticano, Tarcisio Bertone.
Interrogado pelo La Stampa, à margem de uma conferência sobre o tema "Cristianismo e Secularismo", o secretário de Estado da Santa Sé considerou que "a Turquia é um país que é definitivamente laico". "Na Europa exalta-se a laicidade enquanto laicismo. E em nome deste laicismo, rejeita-se qualquer referência às raízes judaico-cristãs [da Europa]", indicou. "Mas a Turquia também percorreu um longo caminho e continua a fazê-lo [...]. As posições são naturalmente muito diferentes, mas com os povos e os governos que respeitam as regras fundamentais da vida em comum pode-se dialogar e construir em conjunto um bem comum na esfera europeia e na esfera da comunidade mundial", considerou Bertone. Questionado sobre se tal incluía "uma entrada na UE", Bertone respondeu: "Incluindo uma entrada na Europa".
As relações entre o Vaticano e a Turquia ficaram perturbadas quando em 2004 o papa Bento XVI, na altura ainda cardeal Joseph Ratzinger, se pronunciou contra a entrada da Turquia na UE. Posteriormente as relações normalizaram-se, tendo o Vaticano precisado que o cardeal Ratzinger falava a título pessoal. Mas uma nova crise ocorreu em Setembro de 2006, após o discurso do papa em Ratisbona, durante uma viagem à Alemanha, em que parecia associar o Islão à violência, desencadeando uma violenta polémica. Bento XVI conseguiu reduzir igualmente este foco de tensão, efectuando uma viagem histórica em Dezembro último à Turquia, durante a qual rezou na Mesquita Azul de Istambul, gesto excepcional que permitiu virar a página uma vez mais. Em Janeiro deste ano, o papa homenageou o "compromisso da Turquia em favor da paz", lembrando o seu "papel de ponte" entre a Ásia e a Europa e de "cruzamento entre as culturas e as religiões".

(Fonte: Diário dos Açores)

Foram presos 11 suspeitos dos atentados de 2003 em Istambul

A polícia turca prendeu ontem, em Istambul, 11 pessoas suspeitas de ligações à rede terrorista Al-Qaeda. Também apreendeu vários passaportes falsos e documentos ilícitos durante operações simultâneas em quatro bairros dos subúrbios de Istambul.
Estas pessoas são suspeitas de terem planeado os atentados ocorridos em Novembro de 2003 em Istambul. As autoridades da Turquia atribuíram a uma célula turca da Al-Qaeda quatro atentados suicidas contra duas sinagogas, o consulado britânico e o banco britânico HSBC, que provocaram 63 mortos e centenas de feridos. Um tribunal da cidade condenou em Fevereiro sete membros desta célula à prisão perpétua pelo seu envolvimento nos atentados. Também condenou outros 41 suspeitos a penas de três anos e nove meses a 18 anos de prisão.

Foi inaugurada a réplica da arca de Noé construída pela Greenpeace no monte Ararat


Uma réplica da arca de Noé, construída por voluntários da Greenpeace, foi hoje inaugurada oficialmente, na Turquia.
A construção fica no monte Ararat, próximo de Doğubeyazıt, e tem o objectivo de alertar os países membros do G8 relativamente às mudanças climáticas.
Segundo o relato da Bíblia, foi exactamente no local onde a embarcação do Greenpeace foi montada que pousou a embarcação de Noé quando as águas do dilúvio secaram.
Uma caravana com 40 cavalos levou ao Ararat 12 m³ de madeira pré-fabricada para a construção da estrutura.

30 maio 2007

Bartolomeu I pede reconhecimento dos direitos das minorias na Turquia


O Patriarca Ecuménico de Constantinopla, Bartolomeu I, pediu o reconhecimento de "todos os direitos civis" das minorias na Turquia.
Defendendo o princípio da reciprocidade, o líder ortodoxo lembrou que os muçulmanos são protegidos no resto da Europa. Os cristãos na Turquia deveriam, por isso, gozar dos mesmos direitos que os muçulmanos têm no país e na Europa. "Não queremos apenas a liberdade de celebrar a nossa fé dentro das igrejas, mas também o reconhecimento de todos os direitos civis, tal como os nossos irmãos muçulmanos na Turquia, os mesmos direitos civis que eles têm, justamente, na Europa", disse.
Aproveitando a presença de eurodeputados do Partido dos Verdes, o Patriarca indicou ser "motivo de celebração ver os nossos irmãos muçulmanos participarem activamente na vida civil dos países europeus".
Em relação à exigência da Turquia de que o Patriarca de Constantinopla seja turco de nascimento, o que condiciona em grande medida a eleição da figura primeira do Patriarcado Ortodoxo, Bartolomeu I lembra que, por várias vezes, se dirigiu ao governo de Ancara sem nunca ter obtido qualquer resposta. A sua proposta passa pela possibilidade de ser oferecida a nacionalidade turca ao Patriarca que for eleito.
Em relação às eleições de 22 de Julho, Bartolomeu I deixa votos de que o novo governo "leve por diante reformas radicais para o bem do nosso país".

(Fonte: Agência Ecclesia)

29 maio 2007

Turquia formaliza queixa de invasão do espaço aéreo

A Turquia enviou hoje uma reclamação formal aos Estados Unidos, relacionada com a incursão de dois jactos norte-americanos no seu espaço aéreo, próximo da fronteira com o Iraque.
O exército turco informou no seu website no passado Domingo, que dois jactos F-16 norte-americanos violaram o espaço aéreo turco durante quatro minutos no dia 24 de maio, ao atravessarem a fronteira com o Iraque, na região de Üzümlü, na província de Hakkari. As autoridades norte-americanas disseram que a acção não foi premeditada. O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Turquia disse que "as medidas diplomáticas necessárias foram tomadas junto da Embaixada dos EUA", mas não deu detalhes.

Deputados agridem-se durante votação parlamentar

Vários deputados agrediram-se fisicamente, ontem, durante a votação parlamentar do pacote de emendas à Constituição vetado pelo presidente da República na semana passada.
Ontem foi completada a primeira volta da votação parlamentar do pacote de emendas à Constituição. O Partido da Justiça e desenvolvimento (AKP, no poder) e o Partido da Mãe Pátria (ANAVATAN) votaram a favor, tal como previsto, enquanto que o maior partido da oposição, o Partido Republicano do Povo (CHP) manteve a votação contra. Os primeiros artigos do pacote receberam mais de dois terços dos votos, mas para o processo de aprovação ser completo é necessária uma segunda volta na próxima quinta-feira.
As agressões físicas entre os deputados ocorreram na sequência da forte crítica de Ümmet Kandoğan, deputado independente por Denizli, ao presidente Ahmet Necdet Sezer. Kandoğan argumentou que Sezer não foi neutral e que vetou o pacote por “medo e pânico”, mostrando uma fotografia de Sezer a olhar para Erdoğan, em Izmir, durante um exercício militar. “Um presidente responsável pela unidade da nação está a olhar com aversão”, disse Kandoğan. Quando Kandoğan terminou o seu discurso os deputados do CHP começaram a agredir Kandoğan por ter insultado o chefe de Estado. Imediatamente os deputados do AKP agrediram os deputados do CHP em defesa de Kandoğan.
O deputado do CHP por Ordu, İdris Naim Tandoğan e o deputado do AKP por Kilis, Veli Kaya trocaram agressões. Para tentar separar os deputados, o deputado do CHP por Izmir, Ali Rıza Bodur foi atingido com um soco. O canal de televisão do Parlamento suspendeu a emissão enquanto as agressões continuavam.
O presidente Ahmet Necdet Sezer vetou o pacote na semana passada, alegando que o mesmo era contra o sistema parlamentar turco e que poderia causar instabilidade. O AKP insistiu na mudança constitucional depois de não ter conseguido eleger o presidente no Parlamento no mês passado. Com este pacote, o AKP pretende nomeadamente a realização de eleições presidenciais por sufrágio universal no dia 22 de Julho.
Um membro do CHP, Ali Topuz, pediu a Kandoğan para pedir desculpa ao Parlamento. Eyüp Fatsa, líder da bancada parlamentar do AKP, disse que o seu partido não aprova as palavras de Kandoğan.

28 maio 2007

AKP em corrida contra o tempo


O partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), que está no poder, está determinado a reenviar o pacote de emendas à Constituição, vetadas esta semana pelo presidente Ahmet Necdet Sezer.
O AKP tratou rapidamente de fazer reaprovar o pacote no Sábado, numa comissão do Parlamento, para conseguir garantir a oportunidade de realização de eleições também presidenciais a 22 de Julho . Espera-se que o Parlamento complete a votação deste pacote esta semana e volte a enviá-lo para o Palácio de Çankaya.
Contudo, o maior partido da oposição, o Partido Republicano do Povo (CHP), argumentou que o regulamento interno do Parlamento foi violado, uma vez que “a regra das 48 horas não foi implementada”, dando a entender que pode apresentar uma queixa ao Tribunal Constitucional para anular a aprovação da comissão. De acordo com o regulamento, uma lei vetada só pode ser novamente discutida passadas 48 horas da sua rejeição. O deputado do CHP e membro da comissão, Uğur Aksöz, avisou os deputados do AKP dizendo, “não podem rever o pacote antes do enquadramento legal do veto ser lido no Parlamento. É uma violação das regras internas e está aberto o caminho para o Tribunal. Agora é muito tarde para vocês.”

O primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan terá instruído os partidos para completarem as votações antes de 4 de Junho, o último dia para os partidos políticos apresentarem as suas listas eleitorais. A primeira ronda de votações está agendada para hoje, e a segunda para quinta-feira, 31 de Maio. O presidente Sezer terá mais 15 dias para rever o pacote, e tudo leva a crer que irá submetê-lo a referendo.
Durante as reuniões da comissão, os deputados do AKP e do CHP atacaram-se constantemente. Os deputados do AKP criticaram o presidente Sezer pelo seu comportamento político durante este processo. Kemalattin Göktaş, um deputado do AKP disse, “o presidente é vosso empregado.”

O AKP precisa de 367 votos, ou seja, dois terços da maioria do Parlamento, para reaprovar o pacote. Para além dos seus 352 assentos, ainda precisa do apoio do Partido da Mãe Pátria(ANAVATAN) que tem 20 assentos. Süleyman Sarıbaş, do Partido ANAVATAN disse que continuarão a apoiar o pacote.
O presidente Sezer tem poder para levar o pacote a referendo, mesmo se este for aprovado por mais de 367 votos. De acordo com a lei, um referendo só pode ser realizado no primeiro Domingo a seguir a um período de quatro meses após a decisão do presidente. O AKP também está a considerar uma redução deste tempo para assegurar eleições gerais a 22 de Julho.
O pacote de emendas à Constituição prevê a eleição do presidente por sufrágio universal por um período de cinco anos com a possibilidade de reeleição por mais cinco anos, a redução do mandato do Parlamento para quatro anos em vez dos actuais cinco, assim como a redução do quórum de 367 para 184.

27 maio 2007

Minoria católica da Turquia cria página na internet

A missão da Igreja Católica na Turquia, com o nome oficial de "Missão dos Santos Pedro e Paulo na Antioquia", criou uma página na internet para poder servir a minoria católica presente no território turco.
Segundo a Agência oficial da Congregação para a Evangelização dos Povos, Fides, a comunidade católica da Antioquia, cidade do sudeste da Turquia, lançou o site, onde relata a história, as actividades e o espírito da pequena comunidade cristã local, para servir de intercâmbio de informação entre os católicos presentes na Turquia.
A nova página, http://www.anadolukatolikkilisesi.org/antakya, que oferece informação em Italiano, Inglês e Turco, permite o acesso virtual à comunidade dos Franciscanos Capuchinhos, que servem pastoralmente a região, e ao quotidiano da comunidade local.
A página tem uma secção dedicada ao mártir Pe. Basílio de Novara O.F.M. Cap (+1851), conhecido como o "fundador moderno da Igreja Católica da Antioquia", assassinado por extremistas islâmicos.
A página recorda também que Antioquia é a cidade berço das primeiras comunidades cristãs.
A hoje pequena comunidade cristã, composta por cerca de dez famílias católicas, foi a terceira cidade do império romano depois de Roma e Alexandria, com quase meio milhão de habitantes. Hoje é uma cidade de 200 mil habitantes

(Fonte: ACI)

25 maio 2007

Presidente da Turquia vetou a eleição do seu sucessor por sufrágio universal


O Presidente da Turquia, Ahmet Necdet Sezer, rejeitou hoje a eleição do próximo chefe de Estado por sufrágio universal, reenviando para o Parlamento um conjunto de emendas que incluem essa decisão.
As modificações da Lei Fundamental foram preparadas pelo Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP, de inspiração islâmica, no poder), e adoptadas no dia 10 de Maio. Se o Parlamento adoptar outra vez a sua primeira decisão, Sezer não poderá opor-se uma segunda vez, mas pode convocar um referendo.

Paris mantém "não" à entrada da Turquia na UE

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou que não mudou de ideias quanto a ser contra uma possível adesão da Turquia à União Europeia, mas disse que o assunto só deverá ser discutido quando a UE tiver reformado as suas instituições. "Acredito que a Turquia não tem lugar na União Europeia e não mudei de opinião", disse Sarkozy durante a sua primeira visita à Comissão Europeia. O presidente não quis dizer o que a França fará relativamente à continuidade das negociações de Ancara com a UE, iniciadas em 2005, argumentando que a sua prioridade é conseguir um acordo para um tratado simplificado sobre as reformas institucionais da União Europeia. Essa prioridade passa por fazer uma nova redacção, simplificada, da Constituição da União Europeia, cujo texto foi rejeitado na França e Holanda em 2005. Sarkozy disse que há avanços nessa redacção, "o que é um bom sinal".

(Fonte: JN)

Foram detidas duas pessoas e apreendidos explosivos no sul do país


A polícia turca deteve ontem duas pessoas, um dia depois da violenta explosão no centro de Ancara que matou seis pessoas.
A polícia apreendeu 11.3 quilogramas de explosivos A-4, um dispositivo de detonação e duas granadas de mão, na cidade de Adana, no sul do país.
O governador de Adana, İlhan Atış, disse que a operação foi levada a cabo pelo esquadrão turco anti-terrorismo. Disse que um táxi que transportava dois passageiros e que estava a ser seguido pela polícia, tentou fugir depois dos passageiros se terem apercebido que estavam a ser seguidos. A polícia deteve os dois passageiros e interrogou o condutor do táxi.
Um deles, uma mulher, foi identificada pelo governador como “bombista suicida”. Atış disse que a polícia vai fornecer mais informações assim que finalizar a investigação.

24 maio 2007

Ataque em Ancara perpetrado por bombista suicida


O ataque de terça-feira, no centro de Ancara, que matou seis pessoas e feriu 91, foi perpetrado por um bombista suicida.
O governo reforçou as medidas de segurança em todo o país para prevenir ataques semelhantes. A explosão aconteceu em plena hora de ponta no distrito de Ulus, uma zona com muito comércio e movimento, destruindo parcialmente um dos mais antigos centros comerciais de Ancara e cerca de 100 metros de área circundante. Entre os feridos, oito são cidadãos paquistaneses que estavam em Ancara para participar numa feira internacional de defesa que ainda está a decorrer. Inicialmente foi avançado que um dos mortos teria nacionalidade paquistanesa, facto que foi desmentido mais tarde.
O governador de Ancara, Kemal Önal, anunciou os nomes dos seis mortos, todos eles com idades entre os 19 e os 32 anos de idade. Quase todos trabalhavam no interior do centro comercial ou eram vendedores que estavam na área adjacente ao edifício. O governador de Ancara disse também que a polícia encontrou dois dedos pertencentes a um indivíduo de 28 anos com cadastro e que não figurava na lista dos mortos e feridos. O suspeito, identificado como Güven Akkuş, terá efectuado o ataque com explosivos de plástico colocados à volta do corpo.
As partes do corpo de Akkuş estão a ser investigadas por uma equipa forense. Membros da família de Akkuş foram também levados sob custódia, ontem em Istambul, mas foram mais tarde libertados por não terem sido encontradas conexões com organizações terroristas.
Güven Akkuş não mantinha contacto com a família há nove anos.
“A tipologia dos explosivos utilizados e do método do ataque é semelhante ao da organização terrorista”, disse Önal, referindo-se ao PKK, o Partido dos Trabalhadores do Curdistão. "Contudo, a polícia ainda está a determinar se Akkuş, que foi detido várias vezes e esteve preso durante dois anos, era membro do PKK", referiu Önal. “Até agora as evidências mostram que agiu sozinho, mas continuamos a investigar", acrescentou.
Em declarações breves, que precederam as do governador de Ancara, o primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdoğan, disse que o ataque aconteceu após a comissão anti-terrorismo do país ter concluído que o PKK poderia levar a cabo ataques com bombas nas cidades mais importantes. “A comissão, que teve uma das suas reuniões de rotina há três dias, estava preocupada com o facto da organização terrorista poder perpetrar tais ataques nas cidades mais importantes e nas regiões turísticas", revelou Erdoğan em Istambul.

Explosão mata cinco soldados turcos na fronteira com o Iraque

Cinco soldados turcos morreram e outros nove ficaram hoje feridos na explosão de uma mina na província de Şırnak, na fronteira com o Iraque e a Síria.
O incidente ocorreu perto de uma região onde o exército turco lançou operações contra o ilegal Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).
Os soldados pertenciam ao Comando da Terceira Brigada e realizavam uma operação de busca na região, suspeitando-se que tenha sido o PKK a instalar a mina.
Cerca de 50 mil soldados turcos estão posicionados naquela zona, onde a actividade da minoria curda é intensa.

23 maio 2007

Durão Barroso avisa Sarkozy: "As promessas feitas à Turquia têm de ser mantidas"

Durão Barroso, o presidente da Comissão Europeia, disse à revista alemã "Focus", esta semana, que as promessas feitas à Turquia relativamente ao processo de adesão à União Europeia, têm de ser mantidas.
Respondendo a uma questão sobre as declarações do presidente francês recentemente eleito, relacionadas com o possível cancelamento das conversações com a Turquia que serão reabertas no próximo mês, Barroso disse: "Deve ser mostrado respeito para com as promessas feitas no passado. Houve um voto unido para o recomeço das negociações com a Turquia. Parar as conversações porque a administração de um país mudou, seria mau para todas as partes envolvidas. Não decidimos ainda se a Turquia deverá ser membro da UE ou não. Eu também penso que neste momento a Turquia não está preparada para se tornar membro, nem nós estamos preparados para ter a Turquia como membro. A decisão final relativamente à total adesão terá a ver com os resultados das conversações, e precisamos de tempo para isso".

22 maio 2007

Violenta explosão em Ancara faz pelo menos seis mortos e dezenas de feridos


Uma violenta explosão, ocorrida cerca das 18 horas de hoje, numa das áreas mais movimentadas de Ancara, causou a morte a pelo menos seis pessoas e feriu cerca de 60. No entanto, estes números continuam a ser actualizados.
A brigada anti-terrorismo presente no local disse ter encontrado vestígios de explosivos de plástico tipo A4.
A explosão oconteceu em plena hora de ponta, na zona histórica da cidade, na entrada de um dos mais antigos centros comerciais de Ancara, localizado muito próximo de várias paragens de autocarro.
Investigadores tentam averiguar se a bomba foi colocada no local ou se foi detonada por um bombista suicida.
O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, que se deslocou de imediato ao local, classificou a ocorrência de ataque terrorista e disse que o "infeliz incidente" aconteceu apesar de terem sido adoptadas "elevadas medidas" contra tais ataques. "Temos de unir-nos contra o terrorismo", disse. "Temos de criar uma plataforma global contra o terrorismo".
A polícia revelou que os explosivos A4 são normalmente utilizados por militantes do partido separatista radical PKK, o Partido dos Trabalhadores do Curdistão. Há vários anos que os militantes do PKK levam a cabo ataques contra a Turquia a partir do Sudeste do país e da região curda do Iraque.
Erdoğan confirmou seis mortos, um dos quais paquistanês e os restantes de nacionalidade turca. Quatro dos mais de 60 feridos serão também de nacionalidade paquistanesa, segundo declarações do primeiro-ministro.
Para além de Erdoğan, acorreram ao local da explosão, o Comandante das Forças Armadas, Yaşar Büyükanıt, assim como o ministro dos Negócios Estrangeiros Abdullah Gül, o líder do principal partido da oposição (CHP), Deniz Baykal, o governador de Ancara, Kemal Onal, o chefe da polícia de Ancara, Ercument Yilmaz, e muitos outras outras figuras da cena política turca.
Erdoğan disse ainda: "Nunca se sabe quem será atingido pelo terrorismo, ou porquê, ou mesmo quando. O que estes acontecimentos nos mostram é que somos obrigados a criar uma frente mais forte contra o terrorismo."
O General Büyükanıt, respondeu a algumas questões dos jornalistas e declarou que a autoria da explosão deverá ser de um grupo terrorista organizado. Mais tarde, à saída do Hospital Hacettepe, onde visitou algumas das vítimas do incidente, disse: "Precisamos de pensar bem sobre quem pode ter estado por trás desta explosão. É provável que possamos ver mais explosões como esta nas nossas outras grandes cidades."

20 maio 2007

Cerca de 80 000 secularistas reuniram-se em Samsun


Cerca de 80 00 pessoas reuniram-se hoje em Samsun, uma cidade do norte da Turquia localizada junto ao Mar Negro, para defenderem uma vez mais o Estado secular.
Repetiram-se as palavras de ordem, e o mar vermelho e branco de bandeiras turcas invadiu a principal praça da cidade e as avenidas circundantes. Foram exibidos novamente cartazes de apoio ao secularismo e de oposição ao partido do governo, o AKP.
Esta manifestação seguiu-se a várias outras que ocorreram noutras cidades da Turquia nas semanas anteriores.
Em Samsun marcaram presença os líderes do partido Repşublicano do Povo (CHP) e do Partido da Esquerda Democrática (DSP). Tratou-se da sua primeira aparição conjunta, após o anúncio oficial de uma aliança de centro-esquerda entre os dois partidos para as eleições que se avizinham. Ambos falaram ao povo durante este encontro em Samsun. Recordo que esta coligação de esquerda foi muito solicitada pela ala secularista turca.

19 maio 2007

FMI concede empréstimo de 1.100 milhões de dólares a Ancara

O Conselho Executivo do Fundo Monetário Internacional (FMI) pôs sexta-feira à disposição da Turquia um empréstimo de 1.100 milhões de dólares depois de aprovar a sexta revisão do acordo de crédito conjunto.
O organismo decidiu alargar o crédito apesar do país não ter cumprido com todas as condições a que se tinha comprometido quando assinou o acordo com o FMI a 11 de Maio de 2005.
O número dois do Fundo, John Lipsky, disse num comunicado que o desempenho macro-económico do país continua "robusto" e que os investimentos estrangeiros aumentaram. "Não obstante, a inflação continua acima das metas, o défice da conta corrente é alto e aproximam-se as eleições", alertou Lipsky. Disse também que a disciplina fiscal e monetária "será essencial para manter a confiança dos mercados".
O Fundo apoiou o objectivo do governo de obter um superavit fiscal primário (as contas públicas antes do pagamento da dívida) de 6,7 por cento do Produto Nacional Bruto (PNB) este ano.
Lipsky exortou o Banco Central a continuar uma política de ajuste monetário para reduzir a inflação.
A Turquia não foi capaz de cumprir com as metas de política fiscal marcadas no acordo com o Fundo, tais como o resultado primário do sector público e o resultado das instituições de segurança social, de acordo com o comunicado. Ancara também não conseguiu apoio da legislatura para a reforma do sistema tributário, como o governo prometera.

(Fonte: RTP)

18 maio 2007

Os dois maiores partidos de centro-esquerda formaram coligação


Os dois maiores partidos turcos de centro-esquerda, formaram ontem uma aliança para as eleições de 22 de Julho, após um período prolongado de conversações, em reposta aos milhões de pedidos de uma união da esquerda para derrubar o partido do governo, o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP).
Os líderes do Partido Republicano do Povo (CHP) e do Partido da Esquerda Democrática (DSP), respectivamente Deniz Baykal e Zeki Sezer, anunciaram ontem aquilo a que chamaram de "decisão histórica”, numa conferência de imprensa conjunta. “Este é um importante passo para uma unificação histórica da esquerda”, disse Baykal. “Vamos fazer a campanha eleitoral juntos. Vamos manter valores comuns. Vamos caminhar lado a lado para fortalecer o nosso país como república secular e democrática. Este é um marco histórico”.
Segundo o acordo, o DSP vai ter pelo menos 20 assentos no Parlamento para poder formar um grupo, e os candidatos do DSP não serão obrigados a abandonar os seus partidos para serem incluídos nas listas eleitorais do CHP. Os dois partidos vão estabelecer uma comissão conjunta para organizar a campanha eleitoral.
Baykal agradeceu a Zeki Sezer e a Rahşan Ecevit, uma importante figura do DSP e esposa de Bülent Ecevit, pela sua contribuição durante as conversações. “Zeki Sezer demonstrou a sua liderança”, disse Baykal. Pediu-lhe para rever a sua decisão de não integrar o Parlamento como deputado, mas Sezer disse que não iria alterar a sua decisão. “Trata-se da minha posição pessoal. Não vou alterá-la".
Baykal também elogiou o anterior líder do DSP e antigo primeiro-ministro, Bülent Ecevit, dizendo, “eu sempre quis esta cooperação enquando ele estava entre nós mas só a conseguimos na sua ausência. Agora sinto que estou a abraçar Bülent Ecevit”.
Baykal disse igualmente que os candidatos do DSP que quiserem concorrer às eleições, não devem desvincular-se do seu partido. “Nós não estamos a pressionar ninguém a fazer parte do CHP. Esperamos entrar juntos no Parlamento, e mesmo que depois nos separemos devemos trabalhar para uma integração futura”, disse Baykal, sublinhando que não existe nenhum obstáculo legal para esta cooperação.
Por seu lado, Sezer partilhou o mesmo ponto de vista de Baykal, de que a Turquia está a viver um dia histórico. “A democracia secular, a república e a nossa unidade estão ameaçadas. Para eliminar essas ameaças, precisamos de uma estrutura forte. Isso só se pode obter com a cooperação entre os nossos dois partidos”.
Zeki Sezer disse que vai pedir ao corpo executivo do seu partido a aprovação do acordo, acrescentando que se trata apenas de um acto simbólico. À pergunta sobre quantos assentos serão dados ao DSP, Sezer recusou comentar números, dizendo, “não discutimos detalhes sobre a distribuição de assentos, mas não há problema relativamente a tratamento justo”.
Uma comissão conjunta para a organização da campanha eleitoral começou a trabalhar ontem, logo após o anúncio da aliança.
Baykal, confirmando que os dois partidos vão fazer campanha eleitoral juntos e que as duas bandeiras vão estar lado a lado, disse: “Nós somos partidos irmãos".

16 maio 2007

Alunos de escolas europeias, nomeadamente da Turquia, visitaram escolas portuguesas

A Escola Secundária da Baixa da Banheira recebeu alunos de escolas da Bulgária, Roménia, Turquia, Itália, Espanha e Finlândia, no âmbito da 1ª acção do Programa Sócrates, no dia 3 de Maio.
A Acção Comenius deste programa europeu tem como objectivos gerais melhorar a qualidade e reforçar a dimensão europeia no ensino escolar, contribuir para a promoção da aprendizagem de línguas e promover a consciência intercultural.
Segundo Henrique Pinto, professor da escola da Baixa da Banheira, “este é um programa que se vai prolongar até 2009, havendo em cada escola um trabalho de pesquisa sobre as características culturais de cada país”.
Os parceiros deste programa passaram o dia em trabalho, enquanto os alunos estiveram a fazer um peddy-paper, e durante a tarde participaram em alguns jogos tradicionais portugueses. Sempre bem dispostos e com vontade de aprender, os alunos visitantes não tiveram problemas e juntaram-se aos portugueses, em vários jogos tradicionais.
As comitivas também estiveram em Alcochete, na Escola D. Manuel I, igualmente inserida neste programa, onde teve lugar um jantar de recepção.

(Fonte: Jornal Regional)

15 maio 2007

Orhan Pamuk recebeu doutoramento "honoris causa"


O escritor turco Orhan Pamuk, galardoado com o Nobel da Literatura em 2006, recebeu o doutoramento "honoris causa" da Universidade do Bósforo (Boğaziçi Üniversitesi), em Istambul, uma das mais prestigiadas da Turquia.
"Não há outro lugar no mundo, nem na Turquia, mais distinto do que este para receber um doutoramento honorífico", afirmou o escritor, confessando que pensou não se emocionar, "mas não conseguia dormir com a emoção".
A instituição académica atribuiu esta distinção a Pamuk pelo seu "contributo para a literatura turca e mundial e pela divulgação da língua e da literatura turcas".
Depois da atribuição deste título, a Universidade do Bósforo vai organizar um simpósio sobre a figura de Pamuk, com a participação de vários intelectuais turcos e da tradutora das suas obras para Inglês, Maureen Freely.

14 maio 2007

Mais uma gigantesca manifestação secularista


Depois das manifestações em Ancara, Istambul e em outras cidades do Oeste da Turquia, aconteceu ontem em Izmir mais uma gigantesca manifestação de apoio ao Estado secular, que reuniu cerca de 1 milhão de pessoas.
A explosão de uma bomba numa feira, no Sábado de manhã, no bairro Bornova em Izmir, que causou a morte a uma pessoa e feriu outras 16, não impediu a afluência das pessoas, que chegaram também de outras cidades da Turquia, para enviarem uma mensagem clara ao partido do governo, o partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP) de tendência islamita.
As pessoas começaram a chegar depois das 9:30 horas locais com bandeiras da Turquia e fotografias de Mustafa Kemal Atatürk, o fundador da República, proferindo frases contra o partido do governo. Ocuparam toda a Avenida Kordon (Kordon Caddesi), desde a Praça da República (Cumhuriyet Meydanı) até ao porto de Izmir. Os seus cartazes diziam: “A Turquia é secular e vai continuar secular” e “Unam-se”, uma mensagem directa aos partidos de centro-esquerda para unirem as suas forças contra o AKP na eleição que se avizinha.
Esta manifestação foi organizada por mais de 60 organizações não-governamentais, e teve um significado especial para a população de Izmir, a terceira maior cidade da Turquia. Os habitantes de Izmir não gostaram de uma frase proferida pelo primeiro-ministro, que apelidou a cidade de “Gavur [infiel] Izmir”, no ano passado.
Os protestantes também enviaram uma mensagem através dos cartazes: “Não vá de férias antes de 22 de Julho, vote contra o AKP”, reflectindo as preocupações relativas à data das eleições, em pleno Verão e período de férias.
Os edifícios que ladeiam a Avenida Kordon, estavam decorados com bandeiras turcas gigantescas.
O protesto foi organizado no Dia da Mãe, celebrado ontem na Turquia, e os manifestantes gritavam “Viemos com a nossa mãe, onde estás [primeiro-ministro Erdoğan]?”. O primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdoğan, durante uma visita a Mersin, uma cidade do Sul da Turquia, disse a um agricultor: “Leve a sua mãe e saia daqui”, quando este se queixava das precárias condições de vida.

Mensagem de coligação para os partidos políticos
Deniz Baykal, líder do Partido Republicano do Povo (CHP), Zeki Sezer, líder do Partido da Esquerda Democrática (DSP), Murat Karayalçın, líder do Partido Social Democrata Popular (SHP) e Doğu Perinçek, o líder do Partido Trabalhista (İP) também participaram na manifestação de ontem. Quando os líderes destes partidos entraram na área da manifstação, a multidão começou a gritar “unam-se!”
Esperava-se que o líder do CHP e o líder do DSP anunciassem uma coligação. Contudo, Baykal, que chegou de barco à manifestação, partiu pouco depois.
O Partido do Movimento Nacionalista (MHP) não compareceu ao encontro. Quando recebeu a informação de que o DSP e o CHP iriam anunciar a sua coligação em Izmir, anunciou que não iria estar presente por a manifestação ser politizada.
Fortes medidas de segurança

A polícia de Izmir esteve de alerta total, especialmente depois da explosão do passado Sábado. De acordo com os organizadores da manifestação, a explosão no Sábado tentou desencorajar a presença das pessoas. Nenhuma organização reivindicou o atentado.
Durante a manifestação, a polícia adoptou fortes medidas de segurança. Fechou o espaço aéreo na área da baía de Izmir. Os manifestantes entraram na área da manifestação por nove pontos de verificação localizados em diferentes partes da cidade e cada pessoa foi revistada pela polícia. Mais de 3 000 polícias estiveram na manifestação.

Apoio dos empresários e industriais

As associações de negócios, que normalmente não estão presentes neste tipo de demonstrações, anularam essa regra em Izmir.
A Associação de Industriais e Empresários do Egeu (ESIAD) também esteve presente na manifestação. O presidente da ESİAD, Mehmet Ali Kasalı, anunciou na semana passada que iriam estar prsentes na manifestação e pediu o a poio de todas as pessoas.

13 maio 2007

José Saramago em Istambul

Numa iniciativa conjunta do município de Istambul e do Leitorado do Instituto Camões na Turquia, José Saramago irá visitar Istambul entre os próximos dias 14 e 19 de Maio.
O escritor português terá oportunidade de debater com jornalistas e escritores turcos os conflitos culturais e civilizacionais que tão vincadamente se espelham hoje no país. Terá ainda lugar uma conferência sobre o papel dos escritores nas crises do mundo contemporâneo. Paralelamente, e assinalando o lançamento da edição turca do livro As Intermitências da Morte, será inaugurada uma exposição sobre a sua obra e sobre as múltiplas traduções que a têm divulgado pelo mundo.
José Saramago tem um total de 11 obras editadas na Turquia, todas elas publicadas no país após 1998, ano em que foi galardoado com o prémio Nobel da Literatura, sendo o autor português com mais livros traduzidos na Turquia. Prova do seu sucesso junto do público turco é a tradução local do Ensaio Sobre a Cegueira, que acaba de atingir a sexta edição.
Para além de Saramago, também Fernando Pessoa e José Luís Peixoto marcam presença nas estantes das livrarias turcas: Fernando Pessoa com seis obras traduzidas e José Luís Peixoto com o livro Nenhum Olhar.

12 maio 2007

Paulo Portas não quer Turquia na UE

O presidente do CDS-PP, Paulo Portas, rejeitou hoje a entrada da Turquia na União Europeia (UE), e condicionou a defesa de um referendo sobre o futuro tratado europeu a uma significativa transferência de soberania nacional.
Paulo Portas escolheu hoje o bar BBC, em Belém, para apresentar a sua moção de estratégia global ao congresso do partido, que se realiza em Torres Novas entre 18 e 20 deste mês.
O presidente do CDS-PP falou da moção, intitulada "Directos ao Futuro", durante cerca de uma hora, perante uma plateia de jovens delegados ao congresso, sentado num sofá com o líder da Juventude Popular (JP), João Almeida.
Portas quis tomar posição sobre a adesão da Turquia à UE, considerando que existem "argumentos interessantes pró e contra" essa possibilidade, e defendeu que o país "deve ter um estatuto muito especial, de proximidade" da União, mas sem ser um estado-membro.
"Trata-se de um estado laico, mas só porque tem uma tutela militar. Não é propriamente o regime político ideal para ser membro da UE. E se deixar de ter tutela militar passará a ser, mais década, menos década, um estado religioso", justificou.

(Fonte: Lusa)

Explosão de bomba em Izmir faz um morto e 16 feridos


A explosão de uma bomba numa feira num bairro de Izmir, no oeste da Turquia, fez este Sábado um morto e 16 feridos.
A bomba terá sido colocada numa bicicleta estacionada na área da feira, e o impacto da explosão quebrou as janelas das casas circundantes e de alguns veículos estacionados nessa área. Não estava muita gente na feira na altura da detonação por ser ainda muito cedo, sendo a maioria dos feridos feirantes.
Até ao momento, o atentado não foi reivindicado por qualquer organização terrorista.
Está prevista para este fim-de-semana uma grande manifestação nesta cidade, a terceira maior da Turquia.
Tal como já aconteceu em Istambul, Ancara, Manisa, Çanakkale e Marmaris, são esperadas centenas de milhar de pessoas, que querem manifestar-se a favor de uma Turquia laica e contra a islamização do país.

11 maio 2007

Abdullah Gül mantém candidatura à presidência

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia, Abdullah Gül, que retirou a sua candidatura no recente processo de eleição presidencial fechado pelo Parlamento, disse que voltará a disputar a chefia do Estado caso a decisão seja feita por voto popular.
"Quando o Parlamento estava paralisado, dissemos que apelaríamos ao voto do povo, e as mudanças constitucionais ocorreram", disse Gül hoje aos jornalistas. Sobre se voltaria a ser candidato, Gül deu uma resposta positiva. "A minha candidatura continua", afirmou.

Parlamento turco aprovou sistema directo para eleger presidente

O Parlamento da Turquia aprovou hoje uma emenda à Constituição que permite que o presidente do país passe a ser eleito por votação directa, em vez do sistema de eleição parlamentar, em vigência actualmente. Outras seis modificações foram também aprovadas.
O pacote de emendas à Constituição foi apresentado pelo partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), o partido do governo.
Participaram 377 deputados na votação do Parlamento, num total de 550, e o pacote de emendas foi aprovado com 376 votos a favor. No entanto, para que a lei modificada entre em vigor, é preciso ainda a aprovação do presidente, Ahmet Necdet Sezer, e da população, através de referendo, se Sezer vetar o pacote. O referendo teria sido constitucionalmente necessário, caso as emendas não tivessem obtido o mínimo de votos requeridos, de dois terços das cadeiras. Quando as remodelações entrarem em vigor, a população poderá pela primeira vez escolher directamente o presidente em eleições de dois turnos. A duração do mandato do chefe de Estado também será alterada para cinco anos, em vez dos sete actuais.

Cimpor motiva protestos em Ancara


A cimenteira portuguesa Cimpor, que comprou a fábrica turca Yibitaş Lafarge por 535 milhões de euros em Dezembro passado, vai construir uma fábrica em Ancara na região de Hasanoğlan, em Elmadağ. O início da construção está agendado para daqui a alguns dias, e está a preocupar os habitantes das áreas circundantes, que alegam que "já existem 30 pedreiras na região, e esta fábrica de cimento vai causar ainda mais poluição".
No início desta semana foi organizado um protesto na área de construção da fábrica. Os manifestantes defenderam que não querem ali a cimenteira e que o seu funcionamento pode vir a causar doenças nos moradores, nomeadamente cancro do pulmão. Disseram ainda que aguardam ajuda por parte das entidades responsáveis.
O presidente da Câmara de Hasanoğlan disse que o caso vais ser entregue ao tribunal. Por outro lado, o ministro das Florestas e do Ambiente, Osman Pepe, declarou que vão ser tomadas medidas no sentido de serem resolvidos os danos ambientais causados pelas pedreiras.

09 maio 2007

Foi concluída oficialmente a eleição presidencial pelo Parlamento

O processo de eleição do presidente da Turquia por parte do Parlamento chegou hoje ao fim, dia em que o único candidato, o ministro dos Negócios Estrangeiros Abdullah Gül, notificou oficialmente a retirada da sua candidatura, após a sua eleição ter fracassado duas vezes.
Gül, número dois do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, de tendência islâmica, no poder), entregou à presidência do Parlamento uma carta a confirmar a sua retirada, que já havia sido anunciada no passado Domingo, dia da repetição da primeira voltas das eleições presidenciais. O segundo turno da votação, previsto para hoje, foi cancelado.
A retirada de Gül encerra um complicado processo eleitoral iniciado a 27 de abril, que provocou uma crise política e levou o governo do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan a convocar eleições antecipadas para 22 de julho.
A perspectiva de um muçulmano moderado como Gül, cuja esposa usa o véu islâmico, chegar à presidência deste país muçulmano fundado sobre os princípios de um Estado laico, desencadeou muitos protestos do sector secular, incluindo o Exército, que ameaçou intervir para defender o legado de Mustafa Kemal Atatürk, fundador da República em 1923, sobre as ruínas do império otomano.
Incapaz de eleger o novo presidente no Parlamento, o AKP propôs uma reforma constitucional que prevê a eleição do chefe de Estado por voto universal. A reforma foi aprovada numa primeira volta, na terça-feira, no Parlamento e deve ser submetida à segunda e última votação na quinta-feira. Caso seja aprovado definitivamente, o projecto deverá ser remetido ao presidente Ahmet Necdet Sezer, que, segundo os analistas, deverá vetar as propostas.

(Fonte: AFP)

Clima de crispação entre Erdoğan e a maior associação de empresários do país

Uma declaração feita pela mais importante associação de empresários turcos, TÜSIAD, a aconselhar o Parlamento a adiar as emendas à Constituição, suscitou ontem uma reacção do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdoğan.
“O nosso Parlamento sabe o seu trabalho muito melhor do que eles”, disse Erdoğan aos jornalistas.

A Associação de Industriais e Empresários (TÜSIAD), pediu, na segunda-feira, ao Parlamento para suspender o debate sobre o pacote de reformas da Constituição, e para deixar que seja o próximo Parlamento a fazê-lo.

Comissão Eleitoral rejeitou pedido de antecipação das eleições para 24 de Junho

Um requerimento a solicitar a realização das eleições gerais a 24 de Junho, em vez de 22 de Julho foi indeferido ontem pela Comissão Eleitoral (YSK).
O partido da Juventude (GP) apresentou o requerimento à Comissão Eleitoral, argumentando que o "chumbo" da eleição do preseidente abriu caminho a eleições gerais imediatas.
A Comissão Eleitoral (YSK) analisou o requerimento. O presidente do YSK, Ahmet Başpınar, em declarações aos jornalistas depois da reunião, lembrou a decisão adoptada pelo Parlamento no sentido da realização das eleições a 22 de Julho. “Esta é a data possível para eleições gerais. É impossível ser mais cedo. Portanto, o requerimento do GP foi rejeitado”.

Presidente do Curdistão iraquiano adverte que não aceitará solução militar turca

O presidente da região autónoma do Curdistão iraquiano, Massoud Barzani, advertiu hoje no Parlamento Europeu que a Turquia deve abdicar de uma "solução militar" face às reivindicações nacionalistas curdas.
"Não aceitaremos uma solução militar", afirmou Barzani, acrescentando que Ancara utiliza com frequência o ilegal Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) como "pretexto" para combater as aspirações curdas.
Barzani, que compareceu perante a Comissão de Assuntos Exteriores do Parlamento Europeu, respondeu a perguntas de vários eurodeputados sobre a possibilidade, recentemente ventilada por autoridades militares turcas, de que o Exército do país intervenha no Curdistão iraquiano para combater as milícias do PKK, que estariam na região. O dirigente iraquiano voltou a afirmar hoje que a população curda iraquiana deseja a "união" e a constituição de um Estado, embora tenha assegurado que tais objetivos são perseguidos "sem violência".
Em relação às minorias curdas presentes na Turquia e noutros países vizinhos, Barzani defendeu que são elas mesmas "que devem decidir as suas próprias reivindicações".
Quanto à situação de Kirkuk, a rica cidade petrolífera do norte do Iraque na qual convivem Árabes, Turcomanos e Curdos, Barzani defendeu a convocação de um plebiscito, como uma "solução pacífica e legal para o problema".

(Fonte: EFE)

Orhan Pamuk vai testemunhar no âmbito do assassínio de Hrant Dink

O escritor turco Orhan Pamuk, Prémio Nobel da Literatura em 2006, foi convocado a depor como testemunha no julgamento relativo ao assassínio do jornalista turco de origem arménia Hrant Dink, cometido em Janeiro passado, em Istambul, por um menor de idade.
A imprensa turca informou hoje que Pamuk foi chamado a testemunhar no caso pelo 14º Tribunal Penal de Istambul, a pedido da acusação.
Dink foi morto a tiro pelo jovem Ogün Samast em frente do edifício da redacção do jornal Agos, uma publicação em turco e arménio dirigida pelo jornalista em Istambul.
Desde que abandonou a sua cidade natal, Istambul, no início do ano após ameaças de ultranacionalistas turcos, Pamuk não manifestou o desejo expresso de querer voltar à Turquia.
O Nobel da Literatura foi convidado como orador principal no congresso mundial do Instituto Internacional de Imprensa (IPI), a ser realizado em Istambul de 12 a 15 de Maio, mas pouco depois o seu nome foi retirado do programa oficial, sem que lhe tivesse sido comunicado o motivo do cancelamento.

(Fonte: EFE)

08 maio 2007

Ministros do Interior, Transportes e da Justiça forçados a abandonar os respectivos cargos

Com as eleições gerais previstas para 22 de Julho, o ministro do Interior Abdülkadir Aksu, o ministro da Justiça Cemil Çiçek e o ministro dos Transportes Binalı Yıldırım, tiveram de abandonar o governo de acordo com o artigo 114 da Constituição Turca.
O novo ministro do Interior é Osman Güneş, antigo governador de Kayseri, o ministro da Justiça é Fahri Kasırga e o ministro dos Transportes é İsmet Yılmaz.
Pode ler-se no artigo 114: “antes das eleições legislativas, os ministros do Justiça, Interior e Transportes têm de deixar o governo".
Até hoje, 108 ministros tiveram de dizer adeus às posições que ocupavam no governo antes do respectivo mandato ter terminado. Esta medida pretende evitar que o governo adopte leis que possam favorecer o seu partido durante as eleições.

Orhan Pamuk vai receber título de doutor "honoris causa"


A Universidade do Bósforo (Boğaziçi Üniversitesi), em Istambul, um dos centros de ensino privados mais importantes da Turquia, vai conceder no dia 14 de Maio o título de doutor "honoris causa" ao Prémio Nobel da Literatura de 2006, Orhan Pamuk.
A instituição universitária concede esta distinção ao escritor "pela sua contribuição para a literatura turca e mundial, e por ter divulgado globalmente a língua e a literatura turcas". Nesse sentido, a universidade destaca obras de Pamuk, como "Cevdet Bey ve Oğullari" ("Cevdet Bey e os seus Filhos") e o best-seller "Istambul: Memória e Cidade". Após a concessão do título "honoris causa", a Universidade do Bósforo organizará um simpósio sobre Pamuk, com a participação de vários intelectuais turcos e também da tradutora das obras de Pamuk para Inglês, Maureen Freely.

AKP tenta viabilizar pacote de reformas


Ontem, no Parlamento, o partido do governo (AKP) passou por sérias dificuldades nos seus esforços para alterar a Constituição. A crescente tensão resultou numa guerra de palavras durante uma sessão da assembleia geral no Parlamento, quando deputados do AKP e da oposição debatiam duas das emendas à Constituição: a que permite a eleição de cidadãos com 25 anos e a eleição do presidente por sufrágio universal.
A ser viabilizado, o pacote de reformas permitirá ao povo eleger o presidente, reduzir o intervalo das eleições legislativas para quatro anos e quórum de 184 em vez dos actuais 367. Contudo, a implementação das reformas requer a aprovação do presidente Ahmet Necdet Sezer, cuja intenção parece ser a de veto. O AKP pode insistir nas reformas e pode voltar a requerer a aprovação do presidente, arriscando levar o pacote a referendo.
De acordo com a lei, o resultado de um referendo só pode ser posto em prática após quatro meses, o que significaria um falhanço nas esperanças do AKP em realizar eleições gerais a 22 de Julho. "Adivinha-se difícil a realização de duas eleições em simultâneo”, disse o líder parlamentar do AKP, Salih Kapusuz. “Se Sezer vetar, reenviaremos o pacote e depois veremos o resultado”.
O mandato de Sezer termina a 16 de Maio, mas irá manter-se em funções até que o novo presidente seja eleito.

AKP aguarda resposta da Comissão Eleitoral (YSK):

Na segunda-feira o AKP suspendeu as discussões da emenda constitucional que abre caminho a que cidadãos com 25 anos possam ser eleitos nas eleições gerais de 22 de Julho.
O AKP solicitou a opinião da Comissão Eleitoral (YSK) sobre se esta mudança poderá violar o princípio de igualdade da Constituição. O AKP decidiu esperar pela opinião do YSK antes de debater o assunto no Parlamento.
Entretanto, os orgãos executivos do AKP continuaram a reunir-se ontem para se organizarem para futuras eleições gerais.

07 maio 2007

Descendentes de Arménios atingidos pelo "genocídio" serão indemnizados

Um grupo de advogados americanos apelou hoje aos herdeiros franceses de Arménios para que reclamem as devidas indemnizações, dois anos depois de terem conseguido 12.5 milhões de euros da seguradora francesa Axa para descendentes de vítimas do "genocídio".
Em conferência de imprensa relatada pela AFP, os advogados californianos de origem arménia Mark Geragos, Vartkes Yeghian e Brian S. Kabateck, lembraram que obtiveram esta decisão em 2005, após uma mediação realizada na Califórnia entre a seguradora e os descendentes das vítimas do "genocídio" perpetrado pelos Turcos, que haviam interposto uma acção judicial civil em nome colectivo.
Nos termos do acordo, a Axa deverá doar 3 milhões de dólares (cerca de 2.2 milhões de euros) a organizações arménias de caridade situadas em França, e 11 milhões de dólares (cerca de 8 milhões de euros) a um fundo de indemnizações destinado aos herdeiros das vítimas que subscreveram uma apólice de seguros.
Segundo o grupo de advogados, os nomes dos Arménios que subscreveram uma apólice de seguro de vida antes do genocídio de 1915 está publicada na íntegra na Internet desde Abril (www.armenianinsurancesettlement.com).
Os descendentes dos Arménios afectados pelo genocídio, têm até 1 de Outubro para reclamar a sua indemnização, cujo valor poderá variar consoante a apólice original.
O grupo de advogados obteve em 2000 um acordo similar com a seguradora americana New York Life, no valor de 20 milhões de dólares (14.7 milhões de euros), e viaja terça-feira para Berlim com o objectivo de encetar um procedimento semelhante com o Deutsche Bank.
O "genocídio" dos Arménios ocorreu entre 1915 e 1917, nos anos finais do império otomano, ao qual sucedeu a Turquia em 1923 e, segundo os Arménios, fez mais de 1.5 milhões de mortos.
A Turquia contesta a existência de "genocídio".

(Fonte: RTP)

Governo greco-cipriota ao lado dos islamitas

Em Chipre, ponto da discórdia nas negociações para a adesão turca à União Europeia, devido ao corte de relações Ancara-Nicósia, o presidente do Parlamento manifestou "preocupação" com as eventuais repercussões da crise. "Estamos confrontados com a necessidade de apoiar os islamitas porque, caso contrário, prevalecerão os militares, o que é pior para o bom desenvolvimento do processo cipriota, neste momento num impasse", afirmou hoje o comunista Dimitris Christofias em Atenas.
Christofias esteve reunido com o primeiro-ministro grego, Costas Caramanlis, e com a sua chefe da diplomacia, Dora Bokoyani. "Será preciso preparar reacções do quadro da UE e das Nações Unidas se surgir uma plataforma entre os pró-laicos e os militares turcos contrária aos interesses cipriotas", concluiu Christofias.

Parlamento debate presidenciais por sufrágio universal

Incapazes de eleger no Parlamento o presidente da República, devido à clivagem entre islamitas pró-governamentais e a oposição pró-laica, os deputados turcos iniciaram hoje um debate para adopção do sufrágio universal através da reforma constitucional.
Esta medida foi proposta pelo partido governamental da Justiça e Desenvolvimento (AKP, 351 deputados), com o apoio de uma pequena força da oposição pró-laica, o Partido Terra Mãe(ANAVATAN, 20 deputados). Juntas, as duas formações ficam em maioria no hemiciclo, com um total de 550 assentos.
Além da eleição presidencial por sufrágio universal directo e secreto em duas voltas, em causa estão também dois mandatos consecutivos de cinco anos, em vez do actual mandato único de sete anos, bem como legislativas com intervalo de quatro anos em vez dos actuais cinco.
Sendo aprovada na generalidade, a proposta AKP-ANAVATAN deverá ser discutida quarta ou quinta-feira, segundo fontes parlamentares. A seguir, será submetida, para aprovação, ao actual presidente da República, Mehmet Necdet Sezer, cujo mandato termina no dia 16 de Maio.
Abdullah Gül, ministro dos Negócios Estrangeiros indigitado pelo AKP para a chefia do Estado, foi "chumbado" pelo Parlamento a 27 de Abril e, na repetição dessa primeira volta no Domingo, voltou a não ser eleito.
Gül é visto pelo sector laico como um islamita militante disfarçado de democrata conservador, e as poderosas forças armadas já ameaçaram intervir caso o secularismo de Estado consagrado na Constituição seja posto em causa.
No Sábado, em declarações ao jornal norte-americano Financial Times, Gül, que tinha ameaçado retirar a candidatura face a um segundo "chumbo", reiterou no entanto a vontade de a manter para as eleições por sufrágio universal directo e secreto.
Neste cenário de crise, o AKP pediu ainda a antecipação das legislativas para 22 de Julho, data já confirmada pela autoridade eleitoral, mas que a oposição quer a 24 de Junho.

Entrada da Turquia na UE deve ter apoio unânime, diz Comissão

As negociações com a Turquia para a adesão do país à União Europeia devem ser conduzidas pela Comissão Europeia com "um mandado dos estados-membros decidido por unanimidade", declarou hoje o porta-voz da Comissão, Johannes Laitenberger.
A frase foi dita em resposta a uma pergunta de jornalistas sobre a posição defendida por Nicolas Sarkozy, presidente eleito da França desde ontem, contra o ingresso da Turquia na União Européia. "Se os estados-membros querem mudar a sua posição, deverão fazê-lo com uma modificação que se reporte ao Conselho da UE", explicou o porta-voz. A Comissão sustenta ainda, segundo Laitenberger, que "a decisão deve ser tomada à luz dos resultados das negociações".
O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, advertiu ontem que "se um estado-membro quer colocar em discussão ou mudar a decisão já tomada pela Comissão, deve assumir a iniciativa e as consequências". "A Comissão quer prosseguir com essas negociações e recomendar aos estados-membros que tomem uma decisão definitiva sobre a adesão da Turquia, apenas com base nos resultados", acrescentou.

(Fonte: ANSA)

Avançam os esforços para uma coligação de centro-esquerda

O Partido Republicano do Povo (CHP), principal força da oposição no Parlamento turco, informou hoje que se apresentará nas eleições juntamente com o Partido da Esquerda Democrática (DSP).
A centro-esquerda turca segue o exemplo dos dois partidos de centro-direita, o Partido da Terra Mãe (ANAVATAN) e o Partido da Justa Via (DYP), que anunciaram no Sábado uma candidatura conjunta.
O líder do CHP, Deniz Baykal, disse hoje à imprensa que as negociações com o DSP progrediram sem problemas e foram concluídas com um acordo positivo.

"Não havia problema algum. Vamos cooperar nas eleições com o objetivo de unificar os partidos no futuro", afirmou.
Os dois partidos vão apresentar-se nas eleições com a sigla do CHP e com a inclusão de candidatos do DSP nas listas.
O DSP obteve nas últimas eleições de 2002 apenas 1,2% dos votos, contra os 19% do CHP.
O DYP e o ANAVATAN anunciaram no Sábado a sua unificação sob o nome de Partido Democrático, com o que esperam superar os 10% dos votos, o mínimo necessário para entrar no Parlamento.

Erdoğan espera que a eleição de Sarkozy não prejudique a Turquia

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, espera que a vitória de Nicolas Sarkozy em França, não prejudique o processo de aproximação da Turquia à União Europeia ou as relações bilaterais com esse país.
Na sua mensagem de felicitação a Sarkozy, Erdoğan expressou também a sua esperança de que a decisão do povo francês seja "positiva para todos". Disse igualmente esperar que as declarações feitas pelo presidente eleito da França durante a campanha eleitoral não tenham um impacto negativo nas relações mútuas.
Sarkozy manifestou reiteradas vezes durante a campanha que se opunha à entrada da Turquia na UE e propunha, por outro lado, uma união mediterrânea na qual a Turquia pudesse desempenhar um papel importante.

(Fonte: EFE)

Arménia não quer observadores turcos nas eleições legislativas do próximo Sábado

As autoridades arménias recusaram a presença no país de observadores turcos independentes que trabalham com o Grupo Europeu de Cooperação e Segurança (AGIT).

Um grupo de observadores turcos, integrado na AGIT, uma organização internacional envolvida regularmente na observação de procedimentos eleitorais, dirigia-se para Yerevan para verificar o processo eleitoral arménio agendado para o próximo Sábado. Entretanto, quando já estavam no aeroporto de Istambul, prontos para seguirem para Yerevan, foi-lhes transmitido o veto à sua presença.

A data das eleições pode ser alterada

No Domingo o Parlamento não conseguiu eleger Abdullah Gül, em virtude de não estar presente uma maioria de 2/3 (367) de deputados no Parlamento. Como consequência, o único candidato presidencial, Abdullah Gül, retirou a sua candidatura.
Agora, sucedem-se as discussões legais relativamente à data das eleições gerais, marcada para 22 de Julho.

Ontem, o Parlamento repetiu a primeira volta das eleições presidenciais. O presidente do Parlamento, Bulent Arınç, abriu a sessão a agiu de acordo com a decisão do Tribunal Constitucional. Depois de duas chamadas com intervalo de 10 minutos, Arınç encerrou a sessão, dizendo que só estiveram presentes 356 deputados na primeira chamada e 358 na segunda. De seguida, anunciou que haverá nova repetição da primeira volta no dia 9 de Maio, apesar do inevitável afastamento de Abdullah Gül. Mesmo antes do início da sessão, Adullah Gül já tinha declarado que caso não conseguisse o quórum necessário para ser eleito, retiraria a sua candidatura.
No dia 27, altura da primeira votação entretanto anulada pelo Tribunal Constitucional, estiveram presentes 361 deputados, número para o qual terão contribuido três deputados do partido ANAVATAN que ontem não estiveram presentes.
Entretanto, os acontecimentos de ontem geraram novas discussões sobre a data das eleições. A data de 22 de Julho, para a realização de eleições gerais, já foi aprovada pelo Parlamento. Contudo, de acordo com o artigo 102 da Constituição, as eleições gerais podem acontecer de imediato, após a falta de quórum. De acordo com Mümtaz Soysal, um reconhecido professor de Direito, as eleições gerais podem realizar-se dentro de 45 dias, "mas compete à Comissão de Eleições (YSK) decidir," disse.
O líder do grupo parlamentar do AKP, Faruk Çelik, pôs de parte a ideia de que a data das eleições gerais possa ser alterada. "A decisão do YSK é definitiva. Não pode ser levada a outro tribunal."
Outro debate político entre o maior partido da oposição, o Partido Republicano do Povo (CHP), e o partido do governo, o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), é sobre se o Parlamento pode continuar as suas actividades ou não. O Presidente da Comissão Constitucional do Parlamento e membro do AKP, Burhan Kuzu, disse que o Parlamento deverá continuar com os trabalhos. O presidente do Parlamento e também membro do AKP, Bulent Arınç, também apoia esta ideia. Contudo, os membros do CHP argumentam que o Parlamento não pode continuar as suas actividades legislativas. Mümtaz Soysal partilha da mesma posição e disse: “este Parlamento não pode eleger o presidente. De acordo com o artigo 102, a única coisa a ser feita é partir para eleições gerais e não para legislação.”
Com este impasse político, a questão que se coloca é “o que irá acontecer a seguir?”
O partido do governo (AKP) insiste nas emendas à Constituição para que o presidente possa ser eleito pelo povo. O AKP pensa colocar duas urnas no dia 22 de Julho, uma para as eleições legislativas e outra para as presidenciais. No entanto, será difícil que todo o processo legal seja concluído até essa altura.

06 maio 2007

Barroso adverte Sarkozy de que seria um "erro" parar negociações com a Turquia

O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, advertiu hoje que seria um "erro" questionar agora as negociações entre a União Europeia e a Turquia, como propôs o vencedor das eleições presidenciais francesas, Nicolas Sarkozy.
Durão Barroso lembrou que a Comissão Europeia negocia a adesão com a Turquia sob um mandato aprovado por "unanimidade" pelos Estados-membros e afirmou que, "caso um Estado ou vários queiram suspender ou mudar este mandato, deverão assumir a iniciativa e as consequências." "A nossa posição é que devemos prosseguir as negociações. Seria um erro questionar agora as negociações com a Turquia, sobretudo neste momento, em que passa por uma situação difícil," afirmou em resposta a uma pergunta em entrevista colectiva, na qual leu uma mensagem de felicitação pela vitória do conservador Sarkozy.
"Recomendamos aos países-membros que não adoptem uma postura definitiva [relativamente à Turquia], enquanto as negociações não forem concluídas," acrescentou Durão Barroso.
Sarkozy rejeita plenamente a eventual entrada da Turquia na UE e defende uma União Mediterrânea com países das duas margens do mar, dedicada a fomentar o desenvolvimento e o controle da imigração.

(Fonte: EFE)

Coligação centro-direita entre DYP e ANAVATAN = Partido Democrata

O presidente do Partido da Justa Via (DYP), Mehmet Ağar, e o presidente do Partido Terra Mãe (ANAVATAN), Erkan Mumcu, assinaram no Sábado um protocolo de coligação.
O nome do novo partido será Partido Democrata e o logotipo um cavalo branco sobre a silhueta vermelha do mapa da Turquia.

O protocolo assinado por ambos refere: "a nossa vontade é a de começar de novo sem repetir os erros, deixar de lado conflitos do passado e promover um espírito vivo para o futuro das nossas crianças."

Abdullah Gül retirou candidatura


Realizou-se hoje, às 11 horas locais, a repetição da primeira volta das presidenciais.
O acto, transmitido em directo pela televisão, contou com a pesença de 358 deputados na primeira chamada e com 359 deputados numa segunda chamada, que ocorreu com um intervalo de 10 minutos relativamente à primeira. Cumpriu-se a decisão do tribunal, ou seja, não se procedeu à votação, uma vez que o Parlamento não reuniu o quórum mínimo de 367 deputados. No entanto, o presidente do Parlamento e também membro do partido do governo (AKP), Bulent Arınç, anunciou nova votação para o dia 9 de Maio.
Depois de uma vez mais não ter conseguido ser eleito, Abdullah Gül, o único candidato à presidência da Turquia, anunciou que vai retirar a sua candidatura."Não estou triste. Vou retirar-me. Depois disto, a minha candidatura está fora de lugar," revelou aos jornalistas, embora ainda seja aguardada uma decisão oficial do seu partido, que reuniu de emergência após a votação.

Presidência a caminho do sufrágio universal

Milhares de pessoas saíram ontem novamente para a rua em várias cidades turcas para se manifestarem a favor do laicismo e contra o que consideram ser o risco de islamização da sociedade turca.
A maior manifestação aconteceu em Manisa, na parte ocidental da Turquia, onde, segundo a polícia, cerca de 80 mil manifestantes participaram no protesto, gritando palavras de ordem como "a Turquia é laica e continuará a sê-lo."
Manisa não foi escolhida por acaso. É a cidade do presidente do Parlamento, Bulent Arinç, membro do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, islamita moderado), no poder, e que provocou recentemente uma polémica ao dizer que o próximo presidente da Turquia será "um crente".
Na origem dos protestos que agitam o país - no fim-de-semana passado cerca de um milhão de pessoas saiu à rua em Istambul contra os islamitas - está a tentativa do AKP de fazer eleger um dos seus membros, o actual ministro dos Negócios Estrangeiros, Abdullah Gül, presidente da República. O voto no Parlamento para a escolha do Presidente, no passado dia 27, falhou, e na sexta-feira o AKP avançou com uma proposta de reforma constitucional que prevê a eleição do Presidente por sufrágio universal, em vez de numa votação parlamentar como acontece actualmente. Outra alteração proposta pelos islamitas é a de que o mandato presidencial deixe de ser um único de sete anos e passe a ser de cinco anos e renovável. Uma comissão parlamentar aprovou já ontem algumas das disposições do projecto, que deverá ser aprovado nos próximos dias.

Oposição une-se

Numa entrevista do diário britânico Financial Times, o candidato Abdullah Gül declarou-se confiante de que, se o sistema for alterado, ele vencerá as eleições. "Tenho o apoio de 70 por cento [dos eleitores]. Foi por isso que decidimos dirigir-nos ao povo. Terei a maioria logo à primeira volta," declarou.
Para hoje está prevista uma segunda volta da votação parlamentar para a escolha do Presidente, mas é dado como certo que não haverá quórum, tal como no dia 27 (o que levou o Tribunal Constitucional a anular essa votação).
A tensão tem vindo a subir nas últimas semanas, e a crise levou já o AKP a convocar eleições legislativas antecipadas, marcadas para 22 de Julho.
Os analistas consideram que a alteração da forma de eleição do Presidente vai complicar ainda mais a situação e alterar drasticamente a paisagem política turca.
Sinal dos receios das forças seculares (até porque as sondagens apontam para a vitória do AKP nas eleições de Julho) é a fusão, anunciada ontem, de dois partidos do centro-direita, o ANAVATAN (Partido Terra Mãe) e o Partido da Justa Via (DYP), que esperam, juntos, oferecer uma oposição mais forte ao AKP nas legislativas.
O que os sectores laicos temem é que os islamitas, que já controlam o governo e a presidência do Parlamento, fiquem também com a presidência da República, o que lhes daria o controlo das principais instituições do país.
O Exército, que se vê como o defensor do carácter laico do Estado turco, ameaçou intervir se este estivesse em risco.
Na sexta-feira, pela primeira vez desde essa ameaça (feita dia 27), o primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdoğan, recebeu o chefe do Estado-Maior, general Yaşar Büyükanıt. O encontro durou duas horas, mas no final não foi emitido qualquer comunicado.

(Fonte: Público)

05 maio 2007

Solana apoia candidatura de Abdullah Gül

O alto representante de Política Externa e Segurança da União Europeia, Javier Solana, defende a candidatura do actual ministro turco dos Negócios Estrangeiros, Abdullah Gül, à Presidência da Turquia.
"Estou convencido de que o ministro dos Negócios Estrangeiros Gül continuará o seu bom trabalho também como presidente da Turquia," afirmou Solana.
Disse também que "a Turquia tem papel estratégico na região. Precisamos de uma Turquia estável. Uma Turquia que continue a ajudar quando se trata de cooperação com os países vizinhos Iraque e Irão ou numa solução para o conflito no Oriente Médio."
O candidato à Presidência turca do islâmico moderado Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), Abdullah Gül, "cumpriu com muito sucesso o seu papel como ministro dos Negócios Estrangeiros," disse Solana.

Reforma do sistema eleitoral em curso

O governo entregou ontem à Comissão Constitucional do Parlamento, com o apoio do Partido Terra Mãe (ANAVATAN), um pacote de reformas do sistema eleitoral. Essas reformas incluem, nomeadamente, a eleição do presidente por sufrágio universal por um mandato de cinco anos renovável em vez do actual mandato único de sete anos, e a realização de eleições legislativas com quatro anos de intervalo em vez dos actuais cinco. Sezer, o actual presidente, que já declarou que pretende manter-se em funções até que o novo presidente seja eleito, anunciou a intenção de veto e de levar o pacote a referendo. Se tal acontecer, dificilmente poderão haver eleições gerais a 22 de Julho.
Entretanto, a Comissão Constitucional do Parlamento aprovou hoje esse pacote de reformas.
Amanhã às 11 horas locais vai ser repetida a primeira volta das eleições presidenciais, não se esperando que Abdullah Gül consiga o apoio mínimo de 367 deputados.

Manifestações secularistas em Manisa e Çanakkale


Depois das gigantescas manifestações em Ancara e em Istambul, milhares de Turcos secularistas estão reunidos hoje em Manisa e em Çanakkale, em duas manifestações organizadas pela Associação do Pensamento Kemalista (ADD).
Manisa e Çanakkale têm um simbolismo especial, uma vez que a primeira é a cidade de Bülent Arınç, o presidente do Parlamento, e Çanakkale foi o local de uma importante batalha da primeira guerra mundial, decisiva para a criação da República Turca laica por Atatürk, em 1923.
As manifestações secularistas sucedem-se, perante a ameaça da presidência ficar nas mãos do partido do governo, de tendência islamita.

Líder do Partido Terra Mãe (ANAVATAN) criticou Durão Barroso

O líder do Partido Terra Mãe (ANAVATAN), Erkan Mumcu, teceu ontem duras críticas ao presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.
As críticas reportam-se aos comentários que este fez às diferenças entre o Oeste e o Sudeste do país, relativamente ao poder local.
Foi assim que Ercan Mumcu reagiu às palavras de Durão Barroso: "Barroso disse que a Turquia precisa de criar as mesmas condições ao poder local quer este esteja no Oeste do país ou quer esteja no Sudeste, para que possa resolver os seus problemas internos. Podem olhar para o ridículo desta frase? Onde é que este homem vai buscar tamanho atrevimento?"

Novo Fiat Dobló poderá ser construído na Turquia

O CEO da Fiat, Sérgio Marchionne, afirmou que existe uma possibilidade, superior a 50 por cento, do Fiat Dobló ser produzido na Turquia. O anúncio foi feito por ocasião do lançamento do Fiat Linea na Turquia. Marchionne argumentou que as boas relações que a marca mantém com a Tofaş, a joint-venture estabelecida com o conglomerado turco Koç Holding, poderão ser determinantes para esta escolha. Recorde-se que, no início do ano, a Tofaş anunciou um investimento de mil milhões de dólares, com o objectivo de, em 2008, estar em condições de duplicar a produção.
O Linea é um três volumes fabricado pela Tofaş, uma joint-venture estabelecida entre a Fiat e a Koç Holding.
O Fiat Linea foi apresentado em Istambul em Outubro passado e está pronto para ser comercializado. Trata-se de uma berlina de quatro portas com 4,56m de comprimento, 1,73m de largura, 1,5m de altura, uma distância entre eixos de 2,6m e uma capacidade da bagageira de 500 litros. Na fase de lançamento a oferta de motores do Linea compreenderá uma opção a gasolina (1.4 8v de 77 cv) e outra diesel (1.3 multijet 16v de 90 cv), ambos associados a uma caixa manual de cinco velocidades. Mais tarde, chegará o 1.4 16v turbo de 120 cv de potência, da nova família T-Jet. O novo automóvel, desenvolvido pela Tofaş, uma joint-venture 50/50 entre a Fiat e a Koç Holding é produzido na fábrica de Bursa (Turquia) e será comercializado em países como a Espanha, a Alemanha, Marrocos e Finlândia. Posteriormente, será fabricado também no Brasil, Índia, China e Rússia.

(Fonte: Autohoje)

04 maio 2007

Frase polémica de Erdoğan sob investigação criminal


Foi aberta hoje, por decisão do Ministério Público, uma investigação criminal contra o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, pela frase que proferiu na quarta-feira quando se referia à decisão do Tribunal Constitucional classificando-a de "um tiro contra a democracia."
O procurador de Ancara, Hikmet Önen, deu início à investigação criminal após exame da denúncia de um advogado. A denúncia acusa o primeiro-ministro de insultar a Justiça turca e instigar no povo sentimentos de ódio e vingança. A presidente do Tribunal Constitucional, Tülay Tuğcu, tinha definido a frase de Erdoğan como "irresponsável e capaz de indicar alvos" a grupos inclinados à violência.
O jurista queixoso considera que Erdogan, no discurso que proferiu, "intimidou e criou o pânico na população", "incitou abertamente ao crime" e à "desobediência civil", "abusou do poder" e "desrespeitou a justiça", segundo a cadeia televisiva CNN-Turk.
O Ministério Público, no âmbito do inquérito preliminar, deverá apurar se há matéria para instruir um processo, com o que teria de pedir ao parlamento o levantamento da imunidade do primeiro-ministro.
Depois de pronunciar a frase polémica, Erdoğan tentou amenizá-la dizendo que não se referia à decisão do tribunal, mas à acção do presidente do maior partido da oposição, Deniz Baykal.
Entretanto, Erdoğan esteve reunido hoje no palácio Dolmabahçe, em Istambul, com o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas para esclarecer o secularismo do governo.
Mehmet Akif Beki, porta-voz de Erdoğan, revelou que o encontro, do qual não foi distribuído qualquer comunicado final, durou duas horas.

Governo propõe quórum de 184 deputados


O partido do Governo (AKP), sugeriu ontem a redução do quórum para 184 deputados, contra os actuais 367. Esta proposta faz parte de um pacote de reformas que o governo pretende operar no sistema eleitoral.
Após a decisão, por parte do Tribunal Constitucional, de anulação da primeira volta das presidenciais, o governo contra-atacou com um pacote de reformas ao sistema eleitoral na passada quarta-feira. Estas incluem a eleição do presidente da República por sufrágio universal com mandato de cinco anos renovável por mais cinco anos, e realização de eleições legislativas de quatro em quatro anos em vez dos actuais cinco. Actualmente o presidente é eleito pelo Parlamento e por um mandato único de sete anos. Relativamente às eleições legidlativas, são realizadas de cinco em cinco anos.
Ontem, quinta-feira, o AKP decidiu adicionar novos elementos ao seu pacote de reformas. O mais importante refere-se à redução do quórum do Parlamento para 184 deputados em vez dos 367 actualmente necessários.
O CHP (Partido Republicano do Povo) e o ANAVATAN (Partido Terra Mãe) rejeitaram esta proposta. No entanto, o Partido ANAVATAN continua a apoiar a proposta do AKP de sufrágio universal para a eleição do presidente.
Como as eleições são a 22 de Julho, as hipóteses deste pacote passar aumentaram. No entanto, será difícil ao AKP completar todo o processo constitucional, de forma a poder levar a cabo eleições gerais a 22 de Julho.
Ahmet Necdet Sezer, o presidente da República em funções, anunciou ontem que irá vetar o pacote, e, caso o AKP persista, avançará para um referendo. "Precisamos primeiro de proceder aos arranjos necessários para regulamentar o nosso sistema parlamentar antes de alterar a Constituição," disse Sezer. Revelou ainda não ser contra a redução do mandato do presidente para cinco anos, mas rejeita a renovação do mandato. Apoiou no entanto a realização de eleições legislativas de quatro em quatro anos em vez de cinco.
O AKP parece estar determinado a levar o pacote de reformas a referendo. Contudo, a lei só pode ser aplicada passados quatro meses de ter sido publicada em Diário da República. Sadullah Ergin, o líder do grupo parlamentar do AKP, disse que podiam mudar a lei para poderem levar a cabo eleições gerais no dia 22 de Julho.
Do lado da oposição, o CHP considera o pacote de reformas do governo uma "táctica". Atilla Kart, membro da Comissão Constitucional do Parlamento pelo CHP, disse não ser adequado alterar o sistema presidencial, avançando que a lei eleitoral também teria de ser alterada à luz da alteração da Constituição. Por essa razão, os deputados do CHP defendem que as mudanças propostas pelo governo não deverão ser concluídas antes das eleições. "O AKP sabe que isso não será feito antes das eleições, mas o partido não propôs estas mudanças por as querer. O AKP está a adoptar uma táctica e a tentar pressionar a oposição. Está a tentar dar a impressão de que a oposição está a rejeitar tais mudanças. O mesmo será dizer que estão a utilizar o assunto para ganharem votos nas eleições," dizem os membros do CHP.
O partido ANAVATAN continua a "apoiar incondicionalmente" a proposta mas tem algumas objeções e dúvidas. Süleyman Sarıbaş, líder parlamentar do ANAVATAN, disse que o seu partido apoia incondicionalmente a proposta do governo relativamente à eleição do presidente por sufrágio universal, mas disse não considerar os esforços do AKP sinceros.

03 maio 2007

Ainda Prodi sobre a Turquia

[Público] Portugal e a Itália sempre apoiaram a entrada da Turquia na UE. Vê nesta grave crise que a Turquia está a viver alguma responsabilidade europeia?

[Prodi] Claro que não. Nós mantivemos as portas da negociação abertas.

[Público] Mas a UE tem enviado alguns sinais negativos à Turquia.

[Prodi] A Turquia sabia desde sempre que estas negociações seriam muito longas. Trata-se de uma crise interna que, de facto, pode ter consequências negativas. Espero que não, mas estou muito preocupado, porque nós precisamos de um caminho muito claro por parte da Turquia, sem obstáculos. E esta crise é um obstáculo.

(Excertos da entrevista de Romano Prodi ao Público. Pode lê-la aqui na íntegra.)

A Turquia na campanha eleitoral francesa

O candidato conservador à presidência francesa, Nicolas Sarkozy, rejeita a possibilidade da Turquia poder entrar algum dia na União Europeia, enquanto a socialista Ségoléne Royal se mostra partidária de prosseguir o diálogo com Ancara.
No debate televisivo realizado ontem à noite e seguido por milhões de espectadores, ambos se pronunciaram sobre o processo de adesão da Turquia à União Europeia. Sarkozy afastou a hipótese de adesão, negando ser por se tratar de um país de maioria muçulmana, mas sim por "estar na Ásia Menor" e não ser Europeu. "Sou pela Europa política”, na qual a Turquia terá um estatuto de Estado associado mas a sua integração como membro da União Europeia será “perigoso para o equilíbrio do mundo”, continuou Sarkozy. Por seu lado, Ségolène Royal revelou que a eventual entrada da Turquia na UE é uma questão a que o povo francês deverá responder numa consulta. Perante o "não" de Sarkozy, Royal pediu-lhe que não fosse tão "brutal" com o povo turco, que "aspira" a ser Europeu, e recordou que a Europa e a França já se comprometeram com um "processo de discussão" com Ancara.

Eleições antecipadas a 22 de Julho MAS repetição das eleições presidenciais a 6 de Maio


Foi hoje aprovada por unanimidade no Parlamento turco a data de 22 de Julho para a realização de eleições antecipadas. Esta data foi recomendada pela Comissão de Eleições (YSK) e aprovada pelo Comité Constitucional do Parlamento.
Foi o governo quem propôs a realização de eleições antecipadas, logo a seguir à notícia do veredicto do Tribunal Constitucional que anulou a primeira volta das eleições presidenciais. Também o governo, entregou novo calendário ao Parlamento para a repetição das eleições presidenciais, com a primeira volta agendada para Domingo, dia 6 de Maio. Se a primeira volta não tivesse sido invalidada pelo tribunal, a segunda volta ter-se-ia realizado no dia 2 de Maio. Entretanto, após a decisão do tribunal, o governo avançou com a data de 3 de Maio. Neste momento a data prevista é 6 de Maio. O único candidato mantém-se, Abdullah Gül, candidato do partido do governo, o Partido da Justiça de Desenvolvimento (AKP).
Especula-se na imprensa turca que o maior partido da oposição, o Partido Republicano do Povo (CHP), irá recorrer novamente ao Tribunal Constitucional alegando ilegalidade na repetição das eleições.
Erdoğan já fez saber que quer reformar o sistema eleitoral, e entregou hoje uma proposta no Parlamento. De acordo com o que revelou, logo após a decisão do tribunal, essas reformas incluem a eleição do Presidente da República por sufrágio universal, mandato presidencial de cinco anos renovável, no máximo de dois mandatos seguidos, em substituição do actual mandato único de sete anos e realização de eleições legislativas com quatro anos de intervalo e não cinco, como acontece actualmente. A serem aprovadas estas reformas, no dia 22 de Julho poderão realizar-se eleições presidenciais e legislativas. O maior partido da oposição (CHP) não é favorável a estas reformas.
Neste momento, a ambiguidade reside no facto de, por um lado, estarem programadas eleições antecipadas para 22 de Julho e, por outro, a repetição da primeira volta das presidenciais para o próximo Domingo.
No dia 16 de Maio termina o mandato do actual presidente da República, Ahmet Necdet Sezer, que já afirmou que irá manter-se em funções até que o novo presidente seja escolhido.

02 maio 2007

Prodi defende prudência na entrada da Turquia na UE

A entrada da Turquia na União Europeia será “um facto histórico”, mas para isso é preciso que a opinião pública europeia e turca estejam em sintonia, declarou hoje o primeiro-ministro italiano, Romano Prodi, durante um discurso no Parlamento português sobre o futuro da Europa.
"Eu fui a favor da entrada da Turquia", disse o primeiro-ministro italiano, referindo-se ao seu mandato como presidente da Comissão Europeia, "mas disse aos governantes turcos que, se fossem apressados, a solução seria mais difícil, especialmente depois do referendo francês que recusou a Constituição Europeia". "Acredito que será um facto histórico", prosseguiu Prodi, "que será realizado quando a opinião pública turca e a opinião pública europeia estiverem prontas para este grande passo em frente. Os factos actuais também parecem dar razão a esta perspectiva de prudência e seriedade".

(Fonte: ANSA)

Erdoğan nega ter criticado a decisão do Tribunal Constitucional


Há poucas horas, o primeiro-ministro turco negou ter criticado a decisão do Tribunal Constitucional. Explicou que quando utilizou a expressão "um tiro contra a democracia" se referia a Deniz Baykal, o líder do CHP (Partido Republicano do Povo), e ao facto de este ter apresentado o recurso ao tribunal questionando a legalidade da votação na primeira volta das eleições presidenciais.

Erdoğan critica a decisão do Tribunal Constitucional

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, classificou hoje, durante uma reunião com os elementos do seu partido, a anulação da primeira volta das eleições presidenciais por parte do Tribunal Constitucional como "um tiro contra a democracia".
Na mesma reunião, Erdoğan revelou que o seu partido (AKP) vai propor a realização de eleições presidenciais e legislativas antecipadas por sufrágio universal a 24 de Junho. "Queremos eleições a 24 de Junho. Se o Presidente não pode ser eleito no Parlamento, desejamos apresentar ambas as urnas à população para que elejam também directamente o Presidente", afirmou Erdoğan.
Entretanto, Bulent Arınç, o presidente do Parlamento, comunicou que lhe foi entregue hoje uma proposta de lei para a antecipação da data da realização das eleições legislativas para 24 de Junho próximo, inicialmente previstas para 4 de Novembro.
Nos meios de comunicação social turcos, sucedem-se as reações do governo e dos partidos da oposição à decisão do Tribunal Constitucional e as reações dos partidos da oposição às reações do governo. Se por um lado Erdoğan defende a realização de eleições antecipadas, por outro lado diz que quer nova ronda de eleições no Parlamento. Hoje, 2 de Maio, era o dia inicialmente previsto para a segunda volta das eleições, se a primeira não tivesse sido anulada ontem pelo Tribunal. Entretanto, foi apontado o dia 3 de Maio para o início da primeira de quatro rondas de votações, data que já foi alterada para 6 de Maio.
O partido de Recep Tayyip Erdoğan (AKP), detém uma maioria absoluta no parlamento, com 353 assentos, e com a eleição presidencial do seu candidato, Abdullah Gül, passaria a controlar os três postos mais importantes da República. Esperava-se que a 16 de Maio, um dia depois da quarta volta das presidenciais, o novo Presidente da República assumisse a chefia do Estado.
Uma maioria de dois terços do parlamento, que se traduz em pelo menos 367 votos, é necessária para as duas primeiras voltas, enquanto uma maioria simples, de pelo menos 276 votos, é suficiente para as seguintes.

Candidato presidencial defende sufrágio universal


Abdullah Gül, o candidato presidencial do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP), o partido do governo, reagiu ontem à noite em entrevista a uma cadeia de televisão turca à anulação pelo Tribunal Constitucional da primeira volta das eleições presidenciais, realizada na passada sexta-feira.
"A decisão do Tribunal não é uma surpresa para mim, eu respeito-a. Para mim, a surpresa foi a declaração do exército", afirmou, aludindo ao aviso dos militares de que defenderão até às últimas consequências a laicidade do Estado.
A decisão do Tribunal Constitucional turco surgiu após um recurso apresentado pelo Partido Republicano Popular (CHP), o maior partido da oposição, a questionar a legalidade da primeira volta das eleições presidenciais por falta de quórum. Esta foi a primeira intervenção do Tribunal Constitucional num processo eleitoral na Turquia.
Entre a primeira volta das eleições e o veredicto do Tribunal Constitucional, apresentado ontem, o exército emitiu um sério aviso declarando-se "veemente defensor do secularismo", e uma gigantesca multidão de cerca de 1 milhão de pessoas manifestou-se em Istambul contra a eleição de Gül, acusado de pôr em causa a laicidade do país.
"Uma sombra abateu-se sobre a Turquia e não devemos deixar que se agrave. Devemos chegar imediatamente a um acordo para que a população eleja directamente o presidente", defendeu Gül.

Governo anuncia intenção de reformar o sistema eleitoral

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdoğan, anunciou ontem a intenção de reformar o sistema eleitoral para que o Presidente da República seja escolhido por sufrágio universal, após a crise provocada pela anulação da primeira volta das presidenciais.
"Ir ao encontro da nação é a melhor solução", declarou Erdoğan no âmbito de uma reunião de dirigentes do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), que ocorreu após a revelação do veredicto do Tribunal Constitucional.
Erdoğan declarou aos jornalistas que espera apresentar a proposta de reforma do sistema eleitoral para a presidência na actual sessão do parlamento, antes das eleições legislativas antecipadas que poderão realizar-se nos dias 24 de Junho ou 1 de Julho.
O primeiro-ministro turco propôs ainda um mandato presidencial de cinco anos renovável, no máximo de dois mandatos seguidos, em substituição do actual mandato único de sete anos.
A proposta defende ainda a realização de eleições legislativas com quatro anos de intervalo e não cinco, como acontece actualmente.

01 maio 2007

Tribunal Constitucional anulou a primeira volta das eleições presidenciais

Foi declarada há alguns minutos, nos canais de televisão turcos a decisão do Tribunal Constitucional relativa ao recurso apresentado pelo CHP, o principal partido da oposição, aquando da primeira volta das eleições presidenciais Turcas.
Recordo que esse recurso foi apresentado em virtude de, de acordo com a Constituição Turca, serem necessários os votos de 367 deputados para validarem a candidatura de Abdullah Gül, o candidato do partido do governo. Nessa altura, na passada sexta-feira, foram contabilizados 368 votos que incluíram sete deputados do CHP que estavam no parlamento unicamente para verificarem o andamento do processo. Por essa razão foi apresentado o recurso ao tribunal. Agora, o Tribunal Constitucional vem dizer que são necessários os votos de 367 deputados para a eleição ser válida. Assim sendo, a primeira volta das presidenciais foi cancelada pelo Tribunal. Cabe agora ao governo decidir se vai reiniciar as votações ou se vai convocar eleições antecipadas. A hipótese de eleições antecipadas é apontada por vários analistas e pelos media turcos como a hipótese mais provável.
O porta-voz do governo acabou de ler um comunicado ao país onde consta que a hipótese de eleições antecipadas está na mesa e que irá ser discutida com os partidos da oposição.