01 dezembro 2006

O Papa Bento XVI rezou na Mesquita Azul

O Papa Bento XVI pôs termo ontem, em Istambul, a semanas de especulação na imprensa turca sobre se iria ou não rezar no Museu de Santa Sofia. Em vez de ter parado para rezar na antiga igreja bizantina, o Papa escolheu rezar na Mesquita Azul, olhando para Meca.

Após uma visita ao Museu de Santa Sofia, o Papa foi recebido na Mesquita Azul pelo mufti de Istambul, Mustafa Çagrıcı, e pelo mufti de Eminönü, Muharrem Bilgiç. Deixou os sapatos à porta, e foi acompanhado pelo mufti Mustafa Çagrıcı na sua visita ao interior da mesquita.
O mufti explicou-lhe os rituais da religião islâmica, nomeadamente as funções do mihrab (nicho das orações) e do minber (púlpito), explicou-lhe os motivos decorativos dos tectos da mesquita, e depois convidou-o a juntar-se a ele num "momento de paz", olhando para o kible que está orientado para Meca. O Papa juntou-se a Çagrıcı imitando os seus gestos, e rezou.
Esta foi uma visita histórica, cheia de significado, e a segunda visita de um Papa a uma mesquita. A ida do Papa Bento XVI à Mesquita Azul, que inicialmente não fazia parte do programa da sua visita, está a ser entendida como um gesto de reconciliação com o Islão e como um acto de respeito para com o povo muçulmano.

3 comentários:

maria disse...

Em jornal brasileiro- "Folha de São Paulo de 01/12/06 - estava escrito que "em declaração conjunta com o patriarco ortodoxo Bartolomeu 1º, Bento XVI afirmou que o projeto de adesão à UE exige o respeito à liberdade religiosa (..) e que ao ser recebido por Mesrob 2º, patriarca armênio, "alfinetou" a Turquia, ao se referir indiretamente ao genocídio que vitimou de 250 mil a 850 mil armênios desarmados, entre 1915 e 1917".
Minha dúvida: realmente Bento disse isso e não foi publicado em jornais turcos ou é uma alusão do jornal ocidental, sem apoio na realidade?

Jofre Alves disse...

A propósito da visita do papa Bento XVI, lembrei-me do seu blogue. Por isso cá estou a ler alguns textos informativos. Lembro-me bem da figura de Bulen Ecevit, antigo primeiro-ministro turco. Óptimo fim-de-semana.

Lídia Lopes disse...

Olá Maria,

relativamente à declaração conjunta do Papa com o Patriarca Ortodoxo Bartolomeu I, aparecem citações desse tipo na imprensa Turca. Eu publiquei agora uma notícia sobre esse assunto (está no dia 1 de Dezembro).Relativamente ao Patriarca Arménio Mesrob II, não foi dado grande ênfase a esse encontro aqui na Turquia. Penso que se o Papa tivesse falado em genocídio Arménio,teria causado grande polémica e seria impossível esse assunto passar despercebido, mesmo que dito de forma indirecta.