07 dezembro 2006

As mulheres turcas conquistaram o direito de voto há 72 anos


Há 72 anos, a 5 de Dezembro de 1934, as mulheres turcas conquistaram o direito de voto e o direito de serem eleitas para cargos políticos. Na passada terça-feira, mulheres de todo o país, juntaram-se para comemorar o aniversário deste importante evento na história da Turquia.

A Assembleia do Conselho de Mulheres da cidade de Antália, iniciou as celebrações com a colocação de flores no monumento de Atatürk, na Praça da República dessa cidade. Os deputados de Antália pelo Partido Republicano do Povo (CHP), Tuncay Ercen e Hüseyin Emekçioğlu também estiveram presentes na cerimónia.
A porta-voz da Assembleia das Mulheres, disse que apesar dos previlégios que lhes foram concedidos, a representação das mulheres turcas no poder local e no Parlamento é ainda insignificante. Estas mulheres pediram a introdução de uma quota de pelo menos 30 por cento na Lei dos Partidos Políticos, para facilitar a participação activa das mulheres (cerca de 51 por cenmto da população turca) na política.
Numa declaração, a deputada do CHP por Adana, Nevin Gaye Erbatur, disse: “Hoje estamos a combater uma mentalidade que tenta puxar as mulheres para casa, em vez de as integrar na sociedade.” A sua declaração destacou a representação das mulheres no Parlamento de 4,6 por cento em 1935, e de unicamente 4,4 por cento actualmente. Disse também que, apesar de 36 por cento dos professores universitários, 31 por cento dos arquitectos e mais de 50 por cento dos dentistas serem mulheres, elas parecem incapazes de aceder a posições administrativas. "Apesar de terem passado 72 anos, as mulheres ainda não têm uma posição satisfatória no Parlamento," disse Erbatur, acrescentando que a principal razão, é o facto da política ainda ser considerada como uma arena dominada por homens. Erbatur disse ainda que queria ver mulheres no CHP, não como convidadas, mas como parte do "staff" político.
Em Aydın, o reitor da Universidade Adnan Menderes, Şükrü Boylu, elogiou os direitos atribuídos às mulheres em 1934, como uma conquista fundamental contra uma mentalidade regressiva e tradicionalista.
O líder do Partido da Terra Natal (ANAVATAN), Erkan Mumcu, numa reunião do seu partido na passada terça-feira, também congratulou o 72.º aniversário do sufrágio das mulheres, sublinhando que as mulheres, que correspondem a 51 por cento da população, estão escassamente representadas no Parlamento turco. Mumcu disse que representar as mulheres só com 24 deputados é injusto: “Excluir as mulheres da vida social é uma grande injustiça e também improdutivo.” Destacou também que uma discriminação deste tipo tem de terminar o mais rápido possível.
O ministro do Interior, Abdülkadir Aksu, disse que o assunto dos direitos das mulheres é “uma luta que está a decorrer em paralelo com a aceitação da democracia como um estilo de vida.” O ministro disse: “Todos os nossos esforços estão relacionados com trazer a mulher para o lugar que merece na nossa sociedade.” Estas declarações foram proferidas numa reunião organizada pelo Fundo das Nações Unidas para as Populações (UNFPA), pela Fundação Sabancı para a Educação (VAKSA) e pela Associação para a Educação e Apoio de Candidatos Femininos (KA-DER), para avaliar os resultados de um projecto das Nações Unidas para melhorar e proteger os direitos das mulheres e raparigas. No seu discurso, Aksu disse ainda: “Assegurar igualdade entre homens e mulheres é geralmente aceite como justiça social. O nosso Governo, que está consciente disso, estabeleceu como objectivo fundamental, colocar as mulheres numa posição em que possam ter responsabilidades iguais às dos homens em todas as áreas.” Sublinhou igualmente que o Governo tem introduzido um grande número de regras para melhorar o estatuto social das mulheres.

Numa manifestação em Adana, para celebrar o aniversário do sufrágio e do direito de serem eleitas para cargos políticos, algumas mulheres reagiram adversamente quando o líder distrital do Partido do Movimento Nacionalista (MHP), Hasan Yaman, se juntou às comemorações, dizendo: “Este não é um lugar para políticos. É errado um político do sexo masculino participar numa actividade de mulheres.”
Um grupo de mulheres da Assembleia do Conselho de Mulheres da cidade de Adana e do KA-DER, reuniram-se na Praça Uğur Mumcu e marcharam até ao Parque Atatürk, acompanhadas pela Banda Municipal Metropolitana.
Yaman abandonou o local depois de ter observado as comemorações do aniversário durante algum tempo.
A responsável pela filial do KA-DER em Adana, Lütfiye Görgün, disse que as mulheres não podiam celebrar com satisfação o aniversário, porque o direito de voto e de serem eleitas não estava a ser usado efectivamente, com as mulheres muito longe do objectivo estabelecido por Mustafa Kemal Atatürk, o fundador da nação. Görgün disse que "só 24 parlamentares, de um total de 550, são mulheres, o que mostra que de facto as mulheres não têm lugar na política. Temos uma grande população, mas não fazemos parte da administração do país. As mulheres que trabalham activamente nos partidos políticos não se tornam uma janela para o partido, tornam-se o seu cérebro! Nós queremos que pelo menos sete dos 14 deputados de Adana, sejam mulheres no próximo ano," disse.

2 comentários:

maria disse...

Apesar da grande conquista feminina na Turquia, é certo que ainda há assassinatos pela honra? Jovens mulheres mortas por seus familiares em virtude de regras e costumes islâmicos?

Lídia Lopes disse...

É verdade Maria, ainda acontecem essas barbaridades.É certo que a incidência é sem dúvida maior na comunidade Curda no país e nas zonas pobres do Sudeste da Turquia. No entanto, para a Turquia não existe comunidade Curda como tal, e o sistema judicial Turco ainda favorece quem executa crimes de honra, não os punindo tão severamente como outros crimes. Este assunto ficará para um outro artigo que publicarei.